- Diretor da EST/UEA defende uso estratégico de IA para manter a competitividade de empresas e profissionais no Amazonas.
- Universidade aplica IA em modelos climáticos e projetos de PD&I com indústrias do Polo Industrial de Manaus.
- Planejamento, metas claras e capacitação são apontados como fatores críticos para evitar desperdícios em projetos de IA.
A Inteligência Artificial (IA) já influencia diretamente a competitividade de empresas e profissionais no Amazonas. O diagnóstico é do diretor da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA), professor doutor Jucimar Silva Júnior, que, em palestra no evento Amazônia Inteligente, em Manaus, no dia 17 de junho, defendeu o uso planejado da tecnologia para apoiar a transformação digital do setor produtivo local.
No encontro, que reuniu representantes de indústrias e empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM), o diretor apresentou aplicações práticas de IA desenvolvidas na UEA, discutiu oportunidades para negócios e alertou para riscos de investimentos sem estratégia clara.
IA como diferencial competitivo para empresas e profissionais
Ao tratar do impacto da tecnologia no mercado de trabalho, Jucimar Silva Júnior reforçou que o fator decisivo não é a substituição direta por sistemas automatizados, mas a capacidade de integrar a IA ao dia a dia das organizações.
“Você não vai ser substituído por uma Inteligência Artificial. Você vai ser substituído por uma pessoa ou empresa que usa Inteligência Artificial melhor do que você”, afirmou o diretor da EST/UEA.
Segundo ele, empresas que já incorporam ferramentas de IA em processos internos relatam ganhos de produtividade, eficiência e inovação, especialmente em tarefas de análise de dados, automação de rotinas e suporte à tomada de decisão.
Entre as iniciativas apresentadas, o diretor destacou o trabalho do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim), da EST/UEA. O grupo utiliza modelos avançados com IA para prever, com meses de antecedência, cenários de seca e cheia na região amazônica.
Essas previsões são consolidadas em boletins periódicos com informações estratégicas, enviados ao Governo do Estado do Amazonas e a empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM). Os dados ajudam a planejar logística, produção e gestão de riscos em setores como indústria, energia e transporte.
O uso de IA em modelagem climática também dialoga com pesquisas sobre impactos ambientais na região amazônica, como o comportamento de espécies diante de eventos extremos de seca e alagamento.
Ludus Lab conecta IA, indústria e economia criativa
Coordenador de iniciativas em IA na EST/UEA, Jucimar Silva Júnior também ressaltou a atuação do Laboratório de Tecnologia, Inovação e Economia Criativa (Ludus Lab). O espaço desenvolve projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em parceria com indústrias do PIM, com foco em aplicações de IA em diferentes áreas produtivas.
Os projetos incluem desde soluções para otimização de processos industriais até ferramentas digitais voltadas à economia criativa, sempre com a participação de estudantes e pesquisadores da universidade.
UEA se posiciona para liderar transformação digital no estado
Para o reitor da Universidade do Estado do Amazonas, Prof. Dr. André Zogahib, a IA é um eixo central da estratégia institucional de formação e inovação.
“A Universidade do Estado do Amazonas tem a missão de produzir conhecimento, formar profissionais qualificados e contribuir diretamente para o desenvolvimento sustentável da nossa região. A Inteligência Artificial representa uma das maiores transformações tecnológicas da atualidade, e a UEA está preparada para liderar esse movimento, conectando ensino, pesquisa e inovação às demandas da sociedade e do setor produtivo”, destacou o reitor.
Segundo Zogahib, a universidade busca ampliar parcerias com empresas e órgãos públicos, fortalecer programas de formação em tecnologia e acelerar a transferência de conhecimento para o mercado.
Além das oportunidades, a palestra abordou os riscos de implementar IA sem estratégia. Jucimar Silva Júnior apresentou casos em que investimentos foram comprometidos por escolhas inadequadas de ferramentas, falta de objetivos claros e expectativas irreais sobre o desempenho dos sistemas.
Entre os problemas recorrentes estão a subutilização de soluções contratadas, a ausência de dados de qualidade para treinar modelos e a falta de capacitação das equipes que vão operar as ferramentas.
“A UEA tem um papel estratégico no desenvolvimento tecnológico do Amazonas. Somos protagonistas na produção de conhecimento e na geração de soluções para problemas reais. A Inteligência Artificial já é uma realidade, e a universidade está preparada para apoiar empresas, indústrias e profissionais nesse processo. As portas da EST estão abertas para quem deseja inovar, aumentar sua competitividade e transformar desafios em oportunidades por meio da tecnologia”, afirmou o diretor da EST/UEA.
Para empresas interessadas em iniciar ou aprofundar projetos com IA, o diretor defende etapas como diagnóstico de necessidades, definição de metas mensuráveis, escolha criteriosa de parceiros tecnológicos e capacitação contínua de equipes.
Glossário
- Inteligência Artificial (IA): Conjunto de técnicas computacionais que permitem a sistemas executar tarefas que normalmente exigiriam inteligência humana, como reconhecimento de padrões, tomada de decisão e geração de conteúdo.
- IA generativa: Tipo de IA capaz de criar textos, imagens, códigos ou outros conteúdos a partir de grandes volumes de dados de treinamento, usando modelos estatísticos avançados.
- LLM (Large Language Model): Modelo de linguagem de grande porte treinado com grandes quantidades de texto para compreender e gerar linguagem natural em diferentes contextos.
- PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação): Conjunto de atividades que vai da investigação científica à criação e implementação de novos produtos, processos ou serviços.