• Escolas do Amazonas passam a gerar o próprio gás de cozinha e adubo a partir das sobras da merenda, com biodigestores.
  • O equipamento processa até 10 kg de resíduo orgânico por dia e economiza até dois botijões de gás por mês em cada escola.
  • A seleção priorizou escolas com pelo menos 700 alunos, garantindo volume de resíduo para ativar o ODS de energia limpa.

Dez escolas do Amazonas passam a contar, a partir deste mês, com biodigestores que transformam sobras de merenda escolar em gás de cozinha e adubo. O projeto Escolas do Futuro, Guardiões da Amazônia, da empresa de negócios sustentáveis Amazônia B, ativa o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de energia limpa e acessível e chega primeiro à Escola Estadual Cid Cabral, em Manaus, na segunda-feira, dia 10, e depois a outras nove unidades na capital e no interior do estado.

Quem coordena a implantação é Bellmond Viga, diretor da Amazônia B. Segundo ele, o projeto nasceu da observação de experiências europeias de gestão de resíduo orgânico e foi adaptado à realidade local depois de testar, ainda no papel, a viabilidade de instalar biodigestores em praças públicas.

O que as escolas ganham com o biodigestor

O retorno prático para as escolas aparece em dois pontos: energia e adubo. O gás gerado pela decomposição do resíduo orgânico substitui parte do consumo de gás de cozinha da unidade.

“A escola vai conseguir poupar até dois botijões de gás por mês, sendo reaproveitado esse gás que sai do biodigestor”, explicou Viga.

O mesmo processo produz biofertilizante, que poderá ser destinado a hortas dentro da própria escola, conectando o projeto a outras disciplinas. “O ideal é que se faça uma horta e que conecte com outras matérias, que levem os alunos, façam trabalhos que estimulem os alunos.”

Há também um ganho ambiental direto. O modelo instalado processa até 10 kg de resíduo orgânico por dia, o equivalente a cerca de 2 toneladas ao ano que iriam parar no lixão.

Bellmond Viga é o diretor da empresa Amazônia B, que está a frente do projeto dos biodigestores nas escolas – Foto: Nickson Maciel

A escolha das escolas levou em consideração a quantidade mínima de 700 alunos, número necessário para gerar volume de resíduo suficiente para alimentar o biodigestor. Segundo Viga, essa escala também amplia o alcance da mensagem educativa, já que o conjunto de alunos e educadores ultrapassa mil pessoas por escola, que passam a levar a discussão sobre resíduo orgânico para casa.

A ideia original previa instalar os equipamentos em praças públicas, como já ocorre em países como a Holanda. “E aí foi quando eu falei, por que não em escolas?”, lebrou Viga.

Nessa primeira fase do Escolas do Futuro, dez escolas foram escolhidas para receber os biodigestores, com o apoio da Eneva Energia. “A gente conseguiu estruturar o projeto com toda essa parte de implementação quanto de educação sustentável, porque vão ter oficinas, workshops falando de logística reversa, de bioeconomia, de ODS, para que esses jovens possam ir entendendo e adotando um objetivo para a sua vida”, explicou Viga. 

Ao longo deste mês, o biodigestor chega a escolas em Silves, Itapiranga e Rio Preto da Eva, no interior do Amazonas, além de outras quatro unidades em Manaus.

biodigestor
Dentro do biodigestor é feito a decomposição da matéria orgânica produzida pela escola – Foto: Divulgação

O biodigestor é um equipamento que se assemelha a uma grande bolsa de material impermeável, onde o resíduo orgânico é depositado após uma etapa inicial de ativação com componentes orgânicos. Dentro da bolsa, o material passa por um processo de decomposição que libera gás metano, o mesmo gás que normalmente escaparia para a atmosfera em um aterro comum. Em vez de se dispersar, esse gás é direcionado para dentro da própria estrutura e convertido em gás de cozinha, que a escola passa a usar na cantina.

Amazônia B e o papel do setor privado na sustentabilidade

A Amazônia B atua com projetos de impacto social organizados em três frentes: sustentabilidade, saúde e bem-estar, e empreendedorismo e inovação na Amazônia. Para Bellmond Viga, cabe às empresas privadas assumir parte da responsabilidade por soluções ambientais na região, sem substituir o papel do poder público.

“Esse é um dos nossos papéis enquanto empresa de projetos de impacto social, é levar essa sustentabilidade de forma prática, porque ela está no mercado de trabalho, ela está nos nossos hábitos enquanto consumidor, ela está nas nossas escolhas enquanto cidadão.”

Glossário

  • ODS: os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos pela ONU na Agenda 2030 para reduzir desigualdades e proteger o meio ambiente.
  • Biodigestor: equipamento que decompõe resíduo orgânico em ambiente controlado, gerando biogás e biofertilizante.
  • Chorume: líquido poluente liberado pela decomposição do lixo orgânico, capaz de contaminar solo e água.
  • Biofertilizante: adubo orgânico resultante da decomposição controlada de resíduos, usado para nutrir solo e plantas.
  • Logística reversa: processo de retorno de resíduos ou materiais à cadeia produtiva para reaproveitamento ou descarte adequado.

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