• A AeroRiver, startup amazonense, foi citada como a única empresa latino-americana em um levantamento global sobre o mercado de barco voador do tipo WIG craft.
  • O relatório da Novatrends Market Intelligence estima o setor em US$ 154 milhões em 2024, com projeção de US$ 215 milhões até 2031.
  • A empresa desenvolve o Volitan, veículo de efeito solo pensado para transporte fluvial na Amazônia, ao lado de nomes como Beriev e Regent.

A AeroRiver, startup fundada em Manaus, foi incluída como a única empresa latino-americana em um mapeamento internacional do mercado de veículos de efeito solo, conhecidos pela sigla WIG craft (Wing-in-Ground Effect Craft). O levantamento foi divulgado pela consultoria Novatrends Market Intelligence e coloca a empresa amazonense ao lado de fabricantes com décadas de atuação nos setores aeroespacial, naval e de defesa.

O anúncio foi comemorado por Tulio Condé Duarte Silva, cofundador e diretor da AeroRiver, em publicação no LinkedIn. Ele descreveu o momento como um reconhecimento do trabalho construído em cinco anos de trajetória da empresa.

“Ainda estamos no início, mas esse reconhecimento mostra que o caminho que estamos construindo começa a ser percebido fora do Brasil.”

Para Túlio, a inclusão reforça uma convicção da empresa desde sua fundação: a de que a Amazônia pode ser origem de tecnologia avançada com alcance global. A AeroRiver foi criada no fim de 2020 pelos engenheiros aeronáuticos Felipe Bortolete e Lucas Guimarães, que se uniram a Silva para desenvolver um veículo capaz de reduzir o tempo de deslocamento em rotas fluviais na região.

O que diz o relatório sobre o mercado de WIG craft

Segundo a Novatrends, o mercado global de WIG craft foi avaliado em US$ 154 milhões em 2024 e deve alcançar US$ 215 milhões até 2031, com taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 4,9% no período. O relatório classifica esses veículos como soluções híbridas que combinam a eficiência de embarcações marítimas com a velocidade de aeronaves, aproveitando o efeito aerodinâmico que se forma quando uma asa opera muito próxima da superfície da água ou do solo.

O documento segmenta o setor por tipo de decolagem e pouso (baseado em água, em terra ou modelos anfíbios), por aplicação (militar, civil e outras) e por região, com destaque para América do Norte, Europa, Ásia-Pacífico, América do Sul e Oriente Médio e África. Entre os fatores que devem impulsionar o crescimento estão a modernização de frotas militares, resposta a desastres, vigilância marítima, logística entre ilhas e turismo de alto padrão.

Quem são os outros key players do setor

A lista de fabricantes citada no relatório inclui empresas com histórico consolidado em aviação e construção naval, como a russa JSC Beriev Aircraft Company, a China Aerospace Science & Industry Corporation e a China Shipbuilding Industry Corporation Diesel Engine. Também aparecem companhias voltadas a projetos mais recentes de mobilidade sobre efeito solo, caso da americana Regent, da Aurora Flight Sciences, da Wigetworks (Singapura), da Aron Flying Ship (Coreia do Sul), da Flarecraft, da Seawig Technologies e da The Flying Ship Company.

É nesse grupo que a AeroRiver aparece como a única representante da América Latina, o que a coloca em um mercado ainda restrito a poucos fabricantes, concentrados majoritariamente em países com tradição em engenharia aeroespacial e naval.

O Volitan e o transporte fluvial na Amazônia

O produto desenvolvido pela AeroRiver é o Volitan, um veículo de efeito solo de 18 metros de comprimento, projetado para transportar até 10 passageiros ou uma tonelada de carga a uma velocidade de cruzeiro próxima a 150 km/h. O modelo opera entre 5 e 10 metros acima da superfície da água e tem autonomia estimada em até 450 quilômetros sem reabastecer, segundo dados já divulgados pela empresa em parceria com a Finep.

A proposta é que o veículo utilize os próprios rios amazônicos como corredores de transporte, dispensando aeroportos ou pistas convencionais. A empresa argumenta que o modelo reduz o tempo de viagem em relação às lanchas mais rápidas atualmente em operação na região, além de emitir menos CO2 por passageiro em comparação a embarcações tradicionais, já que é movido a diesel, o mesmo combustível usado pelos barcos que já circulam na Amazônia.

Próximos passos da startup

A AeroRiver já passou por programas de aceleração voltados a negócios de impacto na Amazônia, como o Sebrae Inova Amazônia e a Jornada Amazônia, além de ter recebido aporte via edital da Finep para transformação digital da região. A empresa segue em fase de testes com um protótipo subescala, etapa anterior ao desenvolvimento do modelo em tamanho real.

Para mais informações sobre o projeto, é possível consultar o site oficial da AeroRiver.

Glossário

  • WIG craft: sigla de Wing-in-Ground Effect Craft, veículo que utiliza o efeito solo para voar próximo à superfície da água ou do solo.
  • CAGR: taxa composta de crescimento anual, indicador usado para medir a expansão média de um mercado ao longo de um período.
  • Efeito solo: fenômeno aerodinâmico em que o ar comprimido entre uma asa e a superfície reduz o arrasto e aumenta a sustentação.

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