homem com barba grisalha olhando para frente e sorrindo usando camisa marrom claro
Álvaro Gonçalves é o diretor do Instituto Eldorado em Manaus – Foto: Divulgação
  • Diretor do Instituto Eldorado explica como a formação em tecnologia muda vidas na Amazônia.
  • Estudo com a Deloitte mostra que cada vaga de P&D gera impacto sobre outras 20 pessoas na economia.
  • Instituto oferece cursos gratuitos e estágios que preparam profissionais para o mercado global.

O diretor regional do Instituto Eldorado em Manaus, Álvaro Gonçalves, defende que o investimento em formação tecnológica funciona como um dos principais caminhos para transformar a realidade econômica e social da Amazônia. Em entrevista ao jornalista Márcio Azevedo, diretor do TechAmazônia e apresentador do programa Primeira Onda, da Rádio Antena 1 e da TV Onda Digital, ele detalhou como o instituto conecta universidades, empresas e políticas públicas para gerar empregos de alto valor agregado na região.

Com mais de 30 anos de atuação na área tecnológica, Álvaro já passou por instituições como o INDT e SIDIA, e hoje integra o Comitê das Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento da Amazônia, o CAPDA, ligado à Suframa, responsável por credenciar instituições científicas e tecnológicas ao acesso aos incentivos da Lei de Informática. Ele veio do interior da região amazônica e credita à tecnologia a mudança de trajetória de sua própria família.

Como a Lei de Informática movimenta o ecossistema local

Segundo o diretor, as políticas públicas vigentes na região incentivam empresas a manter projetos de pesquisa e inovação com exigência de conteúdo tecnológico relevante. Uma das condições é que os profissionais envolvidos residam na Amazônia Ocidental, o que obriga as companhias a formar e contratar mão de obra local.

“Isso cria um ciclo, um contexto muito virtuoso, porque você traz políticas públicas, incentivos à inovação, projetos de alto valor agregado tecnológico, formação e oportunidade de mão de obra formada aqui para acessar esses projetos.”

Gonçalves lembra que a formação tecnológica exige investimento menor do que outras áreas de alta especialização, como medicina ou engenharia, que dependem de laboratórios e equipamentos caros. Ele cita o exemplo da Índia, que consolidou um polo tecnológico global com base principalmente em conectividade e formação.

Ele também destaca a qualidade da pós-graduação oferecida na região. Os programas da UFAM alcançam nota 6 na avaliação da Capes, patamar próximo do máximo concedido no país, que é 7.

“A gente tem que se orgulhar muito, não perde para nenhum curso de pós-graduação ou graduação, para nenhuma universidade nacional.”

O papel do Instituto Eldorado na formação de profissionais

Com 27 anos de existência e matriz no Parque Tecnológico da Unicamp, o Instituto Eldorado mantém unidades em Brasília, Porto Alegre e Manaus, onde atua desde 2017. No total, a instituição reúne mais de 2 mil profissionais entre bolsistas, estagiários e contratados, sendo cerca de 600 alocados na unidade amazonense.

Em Manaus, o instituto opera um laboratório de testes de confiabilidade voltado às empresas do Polo Industrial, além de projetos em áreas como inteligência artificial, acessibilidade, gestão de ativos e desenvolvimento de novos materiais. Um dos exemplos citados por Gonçalves é a pesquisa de um substrato aplicado a dispositivos usados em ambientes de alta pressão e temperatura extremas.

Entre os projetos de maior escala está o desenvolvimento e a integração da plataforma de uma fabricante de celulares com cerca de 20% do mercado nacional, o que exige alta complexidade tecnológica e responsabilidade estratégica da equipe local.

O time de Manaus, segundo Álvaro, é formado por cerca de 90% de pessoas da região. Muitos, como ele próprio, vieram do interior da Amazônia. Ele lembra do caso de um colaborador que deixou o município de Eirunepé, há mais de 1.100 quilômetros de Manaus, e hoje atua em projetos de escala global.

“Talvez ele esteja ganhando três, quatro vezes o que os pais ganham no interior. Então, você tem um impacto social muito (11:32) grande, ainda mais numa região que a gente tem uma certa carência desse tipo de emprego.”

O impacto econômico de um emprego em pesquisa e desenvolvimento

Um estudo conduzido pela consultoria Deloitte mediu o efeito multiplicador de uma vaga em pesquisa e desenvolvimento sobre a economia local. O resultado, segundo o diretor, aponta uma ordem de grandeza próxima de 20 pessoas impactadas por cada posição criada nesse setor.

“A gente precisa cuidar dessas instituições que geram esse tipo de emprego de alto valor agregado, porque, naturalmente, a gente cria um impacto muito forte na região.”

E tudo isso, segundo o diretor regional do Instituto Eldorado, é porquê a tecnologia deixou de ser um setor isolado e passou a sustentar avanços em áreas como saúde, bioeconomia, defesa, meio ambiente e educação. Consequentemente, necessita de mais mão de obra qualificada.

“Um profissional de tecnologia é um profissional que está preparado para ocupar cargos globais. Eu acho que essa diferença faz muito sentido para quem quer investir numa formação”, finalizou.

Glossário

  • Suframa: Superintendência da Zona Franca de Manaus, órgão federal que administra os incentivos fiscais da região.
  • CAPDA: Comitê das Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento da Amazônia, vinculado à Suframa.
  • P&D: Pesquisa e Desenvolvimento, atividades voltadas à criação e ao aprimoramento de produtos e processos.
  • ICT: Instituição Científica e Tecnológica, credenciada para acessar incentivos da Lei de Informática.
  • Lei de Informática: legislação que concede benefícios fiscais a empresas que investem em P&D no Brasil.

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