- O Laboratório Inova SUS Digital selecionou 273 startups no país, cinco delas da região Norte.
- As empresas foram escolhidas por chamamento público do Ministério da Saúde lançado em janeiro de 2026.
- A seleção abre caminho para parcerias em saúde digital no SUS, sem garantia de contratação imediata.
O Ministério da Saúde divulgou o resultado do chamamento público do Laboratório Inova SUS Digital e selecionou 273 startups em todo o país para integrar seu banco de propostas aptas. Da região Norte, cinco empresas foram aprovadas: três de Belém (PA) e duas de Porto Velho (RO). A lista inclui soluções que vão de inteligência artificial aplicada à oftalmologia até plataformas de saúde mental por videoconsulta.
O edital foi publicado em janeiro de 2026 pela Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) e buscava parceiros para pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica alinhados ao Programa SUS Digital e ao Programa Agora Tem Especialistas. A seleção não garante contratação automática: a formalização de qualquer parceria depende de negociação posterior com o Ministério da Saúde.
O que é o Laboratório Inova SUS Digital
Criado em abril de 2024, o Laboratório Inova SUS Digital funciona como um ambiente interinstitucional em rede, voltado ao fomento e ao desenvolvimento de soluções para a transformação digital no SUS. Entre seus objetivos estão desenvolver tecnologias para a gestão estratégica da saúde digital, articular projetos de inovação entre órgãos públicos e privados, e promover o intercâmbio de conhecimento para o sistema de saúde.
As propostas aprovadas no chamamento foram avaliadas por critérios como relevância institucional, urgência do problema, escalabilidade, viabilidade técnica e grau de inovação. Para ser selecionada, cada empresa precisou atingir ao menos 60 pontos em uma escala de 100. Os eixos temáticos aceitos incluíam interoperabilidade, telessaúde, dispositivos médicos, medicina de precisão, gestão em saúde e inteligência artificial aplicada à saúde. Informações sobre o programa estão disponíveis no portal oficial do Programa SUS Digital.
As cinco empresas selecionadas da região Norte
A Redcheck Intermediação e Tecnologia Ltda, de Belém, atua com inteligência artificial aplicada à oftalmologia. A empresa desenvolveu uma plataforma de análise de exames de imagem que reduz o tempo de entrega de laudos de 96 horas para 24 horas. A startup já realizou rodadas de captação de investimento via crowdfunding em busca de R$ 1 milhão para expansão e aprimoramento do algoritmo.
Também de Belém, a Inovare Soluções em Saúde Ltda trabalha com gestão de saúde, saúde ocupacional e telemedicina integrada. A empresa atua na coordenação assistencial para hospitais e clínicas, combinando acompanhamento contínuo de pacientes com consultas virtuais. A Órbita Tecnologia e Inovação Ltda, igualmente sediada na capital paraense, atua em consultoria de gestão e fornecimento de soluções de TI, com histórico de contratos junto a secretarias e fundações públicas do Estado do Pará.
Em Porto Velho, duas empresas compõem a lista: A Ecotech Amazônia Ltda nasceu dentro da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e foi impulsionada pelo programa Inova Amazônia do Sebrae. A startup foi listada entre as 1.000 startups mais promissoras do Brasil pelo Prêmio Sebrae de Inovação e está em fase de validação e crescimento. A Balthazar Tecnologia Ltda, que opera a plataforma Terapia de Bolso, conecta pacientes a psicólogos por videoconsulta e regras do Conselho Federal de Psicologia em todo o país. Fundada em 2015, a empresa consolidou seu modelo de negócio antes do crescimento do setor de telemedicina provocado pela pandemia de Covid-19.
A inclusão no banco de propostas aptas abre a possibilidade de negociação com o Ministério da Saúde para a formalização de alianças estratégicas de inovação ou compras públicas de inovação. O processo, porém, segue o critério discricionário da administração pública e está condicionado ao cumprimento de requisitos legais, à conclusão das negociações e à adequação de cada projeto às prioridades institucionais dos programas SUS Digital e Agora Tem Especialistas.
Glossário
- SUS Digital: Programa do Ministério da Saúde que orienta a transformação digital no Sistema Único de Saúde, instituído pela Portaria GM/MS nº 3.232/2024.
- SEIDIGI: Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, responsável pela gestão do Laboratório Inova SUS Digital.
- Telessaúde: Uso de tecnologias digitais para prestação de serviços de saúde à distância, incluindo consultas, monitoramento e diagnóstico remoto.
- SaaS: Software as a Service, modelo em que o software é fornecido como serviço via internet, sem instalação local.
- B2G: Business to Government, modelo de negócio em que empresas fornecem produtos ou serviços diretamente ao setor público.
- LGPD: Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018), que regula o tratamento de dados pessoais no Brasil.