refinaria de petroleo
  • A Ream, refinaria de Manaus do Grupo Atem, passou a usar caldeira movida a caroço de açaí para gerar vapor industrial.
  • O equipamento foi fabricado pela Icavi e substitui parte do combustível fóssil usado nos processos de aquecimento da refinaria.
  • A biomassa de açaí é abundante no Pará e no Amazonas, o que reduz custos e aproveita um resíduo antes descartado nas comunidades locais.

A Ream, refinaria do Grupo Atem em Manaus, passou a gerar parte do vapor usado em seus processos industriais a partir da queima do caroço de açaí. A mudança ocorreu com a instalação de uma caldeira a biomassa fornecida pela Icavi, fabricante catarinense de equipamentos térmicos, e foi anunciada pelas duas empresas em vídeo publicado nas redes sociais. Segundo a Bioenergia da Amazônia, empresa do grupo responsável pela processamento e comercialização da biomassa, a unidade é a primeira refinaria do mundo a operar de forma totalmente abastecida por esse tipo de combustível.

O contato entre as empresas partiu de uma demanda específica da Ream. A instalação de uma caldeira para gerar vapor destinado ao aquecimento de processos industriais, com o objetivo de reduzir custos e emissões de gases de efeito estufa.

“Nesse projeto aqui em Manaus, o cliente nos procurou para (instalar) uma caldeira para geração de vapor para aquecimento dos processos industriais, com o objetivo de redução de custos e também a redução de emissões de gases de efeito estufa,”, explicou Juliano Will, do setor comercial da Icavi

Segundo Will, o projeto substitui o combustível fóssil usado anteriormente no processo industrial da refinaria e elimina um resíduo que, segundo ele, vinha gerando problema socioambiental em comunidades do norte do país: o acúmulo do caroço de açaí. A iniciativa foi batizada de Energia Verde.

Um resíduo com valor para a região

Para a Ream, a escolha do caroço de açaí como biomassa não se limita à geração de energia. Gabriel Souza, coordenador de biomassa da refinaria, descreve o projeto como parte de um plano mais amplo de aproveitamento de um recurso já disponível na Amazônia.

“Eu entendo que a aquisição vem junto com um plano muito maior do que só produzir energia. O caroço de açaí para a região é fundamental e a gente conseguiu usar essa biomassa.”

Souza destaca ainda o duplo efeito da iniciativa, que combina impacto local com uma contribuição ambiental mais ampla, a partir do reaproveitamento de um insumo regional.

Logística para obter a biomassa

Gildson Félix, gerente de engenharia da Ream, explica que o projeto nasceu da necessidade do Grupo Atem de viabilizar a operação da refinaria dentro da Amazônia, apoiado em dois pilares: a transição energética, por meio de tecnologias com maior sustentabilidade ambiental, e a redução de custos na geração de vapor para os processos industriais, que incluem aquecimento e geração de energia dentro da unidade de refino de petróleo e gás.

O maior desafio técnico, segundo Félix, esteve na logística de obtenção da biomassa em uma região onde o transporte depende em boa parte do meio fluvial. A refinaria realizou um levantamento na área e identificou grande disponibilidade do resíduo, sobretudo no Pará e na própria região amazônica, onde, por vezes, o descarte inadequado nas fábricas chega a se tornar um problema urbano.

“A gente fez esse estudo e buscamos as matérias (prima) que eram abundantes, sem degradar a floresta, o que é importante falar porque a gente está no meio da Amazônia”, explicou Félix.

O projeto de fornecimento estabeleceu como premissa que a biomassa recebida na refinaria tivesse qualidade superior e teor de cinzas dentro de limites aceitáveis, condições que a caldeira, segundo Félix, vem atendendo de forma adequada às necessidades da unidade. Ele atribui o resultado à integração entre as equipes de engenharia da refinaria e da fornecedora de biomassa.

Coleta em comunidades da região Norte

Casos semelhantes de aproveitamento do caroço de açaí como combustível industrial no Amazonas mostram que a matéria-prima costuma ser adquirida de comunidades produtoras e coletoras do fruto no Pará e no próprio Amazonas, estados que concentram a quase totalidade da produção nacional. O Pará respondeu por mais de 1,6 milhão de toneladas de açaí em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e o caroço representa a maior parte do peso do fruto, o que torna o resíduo abundante em toda a região.

Esse modelo de fornecimento tende a gerar renda para associações locais envolvidas na coleta e seleção das sementes após o beneficiamento da polpa, embora a Ream e a Icavi não tenham detalhado publicamente o volume mensal de biomassa consumido na caldeira nem a relação específica de fornecedores da refinaria.

Glossário

  • Ream: Refinaria da Amazônia, empresa do Grupo Atem responsável pela gestão da Refinaria Isaac Sabbá, em Manaus.
  • Icavi: Indústria de Caldeiras do Vale do Itajaí, fabricante catarinense de equipamentos para geração de energia térmica a partir de biomassa.

Últimas notícias

Startup que criou mingau instantâneo vai lançar caldeirada de tambaqui no copo

Iteam abre MBA gratuito em Indústria 4.0 em Manaus

Suframa integra inteligência artificial às vistorias no PIM

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *