- O Programa Desafios da Amazônia abre sua 1ª chamada com R$ 107,1 milhões para projetos de PD&I em cadeias produtivas da sociobioeconomia amazônica.
- As propostas devem ser submetidas por Redes de Pesquisa e Inovação, formadas por ICTs e organizações socioprodutivas da Amazônia Legal, com valor por projeto entre R$ 6 e R$ 10 milhões.
- As inscrições abrem em 1º de julho de 2026 e as pré-propostas devem ser enviadas até 1º de setembro, pelo sistema SIGCONFAP.
O Conselho Nacional de Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), no âmbito da Iniciativa Amazônia+10, lançou a 1ª Chamada do Programa Desafios da Amazônia. Com R$ 107,1 milhões em recursos, o edital financia projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados a resolver gargalos concretos em cadeias produtivas da sociobioeconomia amazônica. As inscrições abrem em 1º de julho.
O programa é financiado com R$ 72 milhões do Fundo Amazônia, operado pelo BNDES, e conta com R$ 35,1 milhões em contrapartidas das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) participantes da Iniciativa Amazônia+10. Cada projeto pode solicitar entre R$ 6 milhões e R$ 8 milhões do Fundo Amazônia, podendo chegar a até R$ 10 milhões com a soma das contrapartidas estaduais.
Cinco desafios e cadeias prioritárias
O edital organiza os temas em cinco desafios, cada um associado a uma cadeia produtiva central da Amazônia Legal. As propostas devem escolher um único desafio e abordar ao menos quatro subdesafios dentro dele.
- Açaí nativo: promover a expansão equilibrada da cadeia, com atenção à resiliência socioecológica das várzeas e à valorização da cultura ribeirinha.
- Castanha da Amazônia e produtos florestais não madeireiros: fortalecer os meios de vida dos povos da floresta e conservar os castanhais diante das mudanças climáticas.
- Cacau: alavancar a cultura como vetor de desenvolvimento territorial, com foco em rastreabilidade, normas de comércio internacional e agregação de valor.
- Babaçu e cadeias da faixa Amazônia-Cerrado: fortalecer a sociobiodiversidade nessa região de transição, preservando cultura e modos de vida das populações locais.
- Recursos pesqueiros: desenvolver a economia das águas por meio do manejo sustentável, das práticas comunitárias e da conservação das áreas úmidas amazônicas.
As soluções aceitas não se limitam a tecnologias novas. O edital também contempla tecnologias sociais, protocolos de manejo, ferramentas de rastreabilidade, inovações em beneficiamento, estratégias de logística e criação de mercados, desde que enderecem gargalos reais das cadeias.
Quem pode se inscrever no Programa Desafios da Amazônia
As propostas devem ser apresentadas por Redes de Pesquisa e Inovação. Cada rede precisa ter, no mínimo: uma Instituição Científica e Tecnológica (ICT) Executora sediada na Amazônia Legal, uma ICT Co-Executora em estado diferente, e uma Organização Socioprodutiva (OSP), como cooperativa ou associação comunitária, constituída há pelo menos dois anos na região.
O Pesquisador Responsável pela submissão deve ter título de doutorado e vínculo formal com a ICT Executora. O edital exige ainda que cada rede forme um Comitê Gestor com representação tanto das ICTs quanto das OSPs, garantindo que os interesses das comunidades locais integrem a governança do projeto desde o início.
Os projetos têm duração máxima de 36 meses e devem demonstrar benefícios coletivos para povos indígenas, comunidades tradicionais, assentados ou agricultores familiares da Amazônia Legal.
Prazos e como submeter
As propostas são enviadas exclusivamente pelo sistema SIGCONFAP. O processo ocorre em duas fases: pré-propostas até 1º de setembro de 2026 e propostas finais até 8 de dezembro de 2026. Dúvidas devem ser encaminhadas para desafios@amazoniamaisdez.org.
Mais informações sobre os desafios, critérios de elegibilidade e normas de contrapartida das FAPs estão disponíveis no edital abaixo:
Glossário
- CONFAP: Conselho Nacional de Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, entidade que reúne as FAPs de todos os estados brasileiros.
- FAP: Fundação Estadual de Amparo à Pesquisa. Cada estado tem a sua, responsável por financiar ciência e tecnologia regionalmente.
- ICT: Instituição Científica e Tecnológica. Engloba universidades, institutos de pesquisa e entidades sem fins lucrativos com missão de pesquisa ou desenvolvimento tecnológico.
- OSP: Organização Socioprodutiva. Cooperativas e associações comunitárias que atuam em cadeias produtivas da sociobiodiversidade amazônica.
- PD&I: Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. Conjunto de atividades que vai da geração de conhecimento científico até sua aplicação prática.
- Sociobioeconomia: modelo de desenvolvimento baseado no uso sustentável da biodiversidade e nos modos de vida de povos e comunidades tradicionais.
- Amazônia Legal: delimitação geográfica que abrange nove estados brasileiros, definida pelo IBGE para fins de políticas públicas regionais.