Alunos do Colégio Militar de Belém – Fotos: Reprodução Youtube
  • A Região Norte conquistou ao menos 10 prêmios na Febrace 2026, com projetos de seis estados amazônicos.
  • Amazonas e Pará foram os estados mais premiados, cada um com múltiplos reconhecimentos em categorias diferentes.
  • Os projetos premiados cobrem saúde, engenharia, sustentabilidade e educação, com forte identidade regional amazônica.

A Região Norte encerrou a 24ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada de 17 a 20 de março, na Universidade de São Paulo (USP), com ao menos 10 premiações distribuídas entre projetos de seis estados. O Amazonas e o Pará lideraram o quadro de reconhecimentos, repetindo o protagonismo que já tinham na etapa de classificação, quando os dois estados concentraram 14 dos 22 finalistas da região.

Os projetos mais premiados da região

O projeto que acumulou mais distinções foi o Floreser Amazônia, do Colégio Militar de Belém (PA). O trabalho, que propõe uma alternativa sustentável para tratamento de água usando recursos naturais da floresta, conquistou dois prêmios: o Prêmio Ricoh de Desenvolvimento Sustentável e o Prêmio Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. Os autores são Yasmim Cavalcante de Sousa e Anderson Lucas Brandão Esteves, com orientação de Lienne Silveira de Moraes e coorientação de Maria Janes de Oliveira Santos. Além das premiações especiais, o projeto também garantiu o Prêmio Destaque por Estado para o Pará.

Também com duplo reconhecimento, o MeMo (Fase II), do Colégio Militar de Manaus (AM), investigou ondas binaurais como alternativa terapêutica em enfermagem, com validação in vitro. O projeto de Ada Jamile Gomes de Oliveira, orientada por Roberto Alexandre Alves Barbosa Filho, recebeu o Prêmio Ciências Moleculares Herch Moysés Nussenzveig de Mérito Acadêmico e o Prêmio Mostra Nacional de Feiras de Ciências. O trabalho também ficou em 2º lugar em Ciências da Saúde e garantiu o Destaque por Estado para o Amazonas.

Projeto Cardio System, do Amazonas, recebeu duas premiações.

Outros destaques do Amazonas

A Fundação Matias Machline, também de Manaus, teve dois projetos premiados. O Cardio System, software de detecção automática de arritmias cardíacas por redes convolucionais, de Marcelo Ruan Leão Nunes e Davi da Silva Sarmento, recebeu o Prêmio de Excelência Fenadante e ficou em 4º lugar em Ciências Exatas e da Terra. O segundo projeto da instituição, o Slyban, ferramenta psicopedagógica voltada ao diagnóstico e tratamento da discalculia, de Jennifer Lameira Pereira e Eliana de Castro Freire, ficou em 2º lugar no Prêmio Manual do Mundo e em 3º lugar em Ciências Exatas da Terra.

O melhor projeto do Amapá foi para os alunos do Instituto Federal do Amapá, campus Macapá.

Amapá, Roraima, Rondônia e Acre também sobem ao pódio

O Amapá conquistou o seu Prêmio Destaque por Estado e ainda o Prêmio Poli Alumni com o projeto Caracterização Tecnológica de Cerâmica com Adição de Ossos de Peixe da Amazônia, do IFAP Campus Macapá. O trabalho de Alicia Luizzi de Oliveira Pastana, Alice Dandara Amoras Loureiro e Maria Gabrielly Lima da Silva também ficou em 3º lugar em Engenharia.

De Roraima, o projeto Rede de Educação Ambiental foi premiado no Prêmio Fuvest em Educação.

Roraima teve o projeto Rede de Educação Ambiental: Aprendizagem Interativa, da Escola Estadual Lobo D’Almada, em Boa Vista, premiado pelo Prêmio Fuvest em Educação e como Destaque por Estado. Os autores são Clara Rodrigues Rocha, Renan da Costa Barbosa e Tedy Bryan Silva Macedo, com orientação de Maria Bernadete Barbosa Lima Oliveira.

Rondônia foi representada pelo projeto Xilofone Automatizado com Arduino e Motores DC, da Escola Estadual Migrantes, em Mirante da Serra, que garantiu o Destaque por Estado para o estado. O trabalho é de Emilly Alves Siqueira e Iasmin Eduarda de Paiva Silveira.

O Acre recebeu seu Destaque por Estado com o projeto Formulação de Sabonete à Base de Óleo de Buriti (Mauritia flexuosa) com Potencial Cicatrizante e Rejuvenescedor, do Colégio Presbiteriano João Calvino, em Rio Branco. Os autores são Ana Luiza Andrade da Silva e Isabele Santana da Silva.

Uma região que chegou para competir

O desempenho da Região Norte na Febrace 2026 confirma uma tendência que vinha sendo construída nos últimos anos: os estados amazônicos passaram de figurantes para protagonistas em uma das competições científicas mais importantes do país. Com projetos que unem tecnologia e contexto local, desde cerâmica com ossos de peixe até software para diagnóstico cardíaco, a região mostra que ciência de qualidade não tem endereço fixo.

Glossário

  • Febrace: Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, realizada anualmente pela USP, voltada a estudantes do ensino básico e técnico.
  • Ondas binaurais: Estímulos sonoros que, quando ouvidos separadamente em cada ouvido, podem induzir estados específicos de atividade cerebral.
  • Discalculia: Dificuldade de aprendizagem relacionada à compreensão e ao uso de números e operações matemáticas.
  • Redes convolucionais: Tipo de rede neural artificial usada principalmente para reconhecimento de padrões em imagens e sinais.

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