Bolsistas de iniciação científica passaram dois dias apresentando resultados das pesquisas – Fotos: Tacio M/Inst. Mamirauá
  • O Instituto Mamirauá realizou o Seminário Parcial do PIBICT em Tefé, reunindo bolsistas do ensino médio e da graduação para apresentar projetos iniciados em setembro de 2025.
  • O programa de iniciação científica e tecnológica já formou mais de 500 jovens pesquisadores da região do Médio Solimões em duas décadas de atuação.
  • Estudantes pesquisam temas como parasitologia da pesca artesanal, territorialidades amazônicas e relações comunitárias em unidades de conservação.

Nos dias 26 e 27 de fevereiro, o campus do Instituto Mamirauá, em Tefé, no Amazonas, recebeu o Seminário Parcial do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica e Tecnológica, o PIBICT. O encontro reuniu jovens bolsistas das modalidades Júnior, do ensino médio, e Sênior, da graduação, para apresentar o andamento dos projetos de pesquisa que tiveram início em setembro de 2025.

O PIBICT é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e existe desde 2004. No Instituto Mamirauá, o programa já beneficiou mais de 500 bolsistas da região do Médio Solimões ao longo de duas décadas. Hoje, cerca de 17 alunos seniores e 7 juniores participam, todos orientados por pesquisadores da instituição.

Um espaço para compartilhar pesquisa

A programação se estendeu por duas manhãs e uma tarde. Para Hilda Chávez, pesquisadora e coordenadora atual do PIBICT, o seminário cumpre um papel que vai além da avaliação acadêmica. “Sou muito apaixonada pelo programa, e acredito que é uma ferramenta muito importante que permite os jovens se desenvolverem e se fazerem presentes”, disse ela. “Esse programa permite dar bases e ferramentas para que eles entendam como manejar o conhecimento não só na vida acadêmica, mas também em aplicar a ciência em suas vidas.”

As áreas contempladas pelos projetos incluem ciências biológicas, sociais e tecnológicas, com temas diretamente vinculados à realidade da Amazônia ocidental.

Pesquisa sobre territórios e comunidades tradicionais

Érica Antônia cursa o 7º período de história na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e é bolsista do Instituto Mamirauá há três anos. Ela integra o Grupo de Pesquisa Territorialidades e desenvolve seu trabalho de conclusão de curso sobre as relações sócio-espaciais e as condições de vida nas comunidades do mosaico do Baixo Rio Negro, em unidades de conservação. A proposta é coletar dados por meio de entrevistas dentro das comunidades, transformando o saber local em conteúdo científico.

Érica integra o Grupo de Pesquisa Territorialidades

Para Érica, o programa tem um valor que ultrapassa a formação individual: “Eu acho importante trazer essa perspectiva para os jovens da nossa região norte, assim não precisamos ir longe para fazer pesquisa: podemos fazer ciência com as situações do nosso cotidiano. Moramos em uma região extremamente rica de informações, de biodiversidade, de relações humanas e de relações do homem com a natureza. Então, é importante que os jovens tomem posse de seu território e que eles façam ciência para o nosso povo.”

Fauna parasitária e conhecimento local indígena

Hiago Marques é estudante de Ciências Biológicas na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e pertence à etnia Kambeba. Seu projeto investiga a fauna parasitária proveniente da pesca artesanal no Médio Solimões, região banhada pelo rio Solimões e reconhecida por sua rica biodiversidade.

Para ele, a pesquisa tem um significado que se estende à sua comunidade de origem. “Ter a oportunidade de estar trabalhando e pesquisando pelo Instituto Mamirauá faz com que eu possa ter conhecimento sobre a ecologia local e repassar esse conhecimento para as pessoas da minha aldeia e para as pessoas com quem eu socializo”, afirmou.

Hiago investiga a fauna parasitária proveniente da pesca artesanal no Médio Solimões

Formação com impacto de longo prazo

O objetivo central do PIBICT é despertar a vocação científica e incentivar a continuidade da formação acadêmica. Estudos realizados com egressos do programa indicam que a experiência é decisiva para o ingresso em cursos de graduação e pós-graduação, além de desenvolver competências em análise de dados e comunicação científica.

O Instituto Mamirauá é uma Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Atua por meio de programas de pesquisa, manejo de recursos naturais e desenvolvimento social na Amazônia, com foco na conservação da biodiversidade e na construção de tecnologias sociais em parceria com comunidades tradicionais.

Glossário

  • PIBICT: Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica e Tecnológica, iniciativa do CNPq voltada à formação de jovens pesquisadores.
  • CNPq: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, agência federal responsável pelo fomento à pesquisa científica no Brasil.
  • Médio Solimões: Região central do Amazonas banhada pelo rio Solimões, caracterizada por alta biodiversidade e presença de comunidades tradicionais e indígenas.
  • Mosaico de unidades de conservação: Conjunto de áreas protegidas contíguas ou sobrepostas, geridas de forma integrada para equilibrar conservação ambiental e uso sustentável.

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