O que você vai ler nesta matéria
  • Leopoldo Montenegro, servidor de carreira da Suframa, assume a superintendência publicada no Diário Oficial desta sexta-feira (20).
  • O novo superintendente tem mestrado em Engenharia de Produção e atuou diretamente na fiscalização de investimentos em PD&I da Zona Franca de Manaus.
  • A troca de comando ocorre após gestão Bosco Saraiva registrar faturamento recorde de R$ 228 bilhões no PIM e 23 mil novos empregos diretos.

O governo federal nomeou nesta sexta-feira (20) o servidor de carreira Leopoldo Augusto Melo Montenegro Junior como novo superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). A portaria de nomeação e o pedido de exoneração do ex-deputado federal João Bosco Gomes Saraiva foram publicados simultaneamente no Diário Oficial da União nesta manhã, encerrando uma gestão de pouco mais de dois anos à frente da autarquia vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Vamos fortalecer ainda mais o modelo Zona Franca de Manaus e a política de PD&I como ativo estratégico desse modelo exitoso, disse o novo superintendente.

Quem é o novo superintendente da Suframa

Montenegro não é um rosto novo nos corredores do Distrito Industrial. Bacharel em Direito e em Administração, com mestrado profissional em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Amazonas, ele construiu toda a sua trajetória dentro da própria autarquia. Antes de assumir o cargo máximo, ocupava a Superintendência Adjunta de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica, posição em que era responsável por fiscalizar convênios e os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação previstos na Lei nº 8.387/1991, que regula o modelo Zona Franca.

O histórico funcional de Montenegro inclui a análise de centenas de projetos de PD&I ao longo de quatro anos na Coordenação de Articulação Tecnológica: só em 2019, foram 433 projetos avaliados, 287 pareceres técnicos emitidos e 54 visitas a empresas e instituições. Também atuou no Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), onde trabalhou na prospecção de investimentos industriais e estudou a viabilidade de uma incubadora dentro da unidade.

A ascensão de um servidor do quadro próprio ao posto máximo é lida pelo setor produtivo como sinal de continuidade técnica. Por conhecer os trâmites internos e os gargalos burocráticos da Zona Franca de Manaus, a expectativa é de transição tranquila e foco na agilidade processual, especialmente na análise dos projetos de inovação exigidos das empresas beneficiárias do modelo.

O legado de Bosco Saraiva na Zona Franca de Manaus

Bosco Saraiva chegou à Suframa em abril de 2023, indicado pela bancada federal do Amazonas e nomeado pelo governo Lula. Ex-deputado federal e ex-vice-governador do Amazonas, ele assumiu o cargo com três prioridades declaradas: integração regional, interiorização das ações da autarquia e modernização institucional.

Os números de sua gestão são consistentes. O faturamento do Polo Industrial de Manaus foi de R$ 205 bilhões em 2024 e chegou a R$ 228 bilhões em 2025, segundo o próprio Saraiva em entrevista concedida em fevereiro deste ano. No mesmo período, o número de trabalhadores empregados no PIM subiu de 109 mil para 132 mil, adição de mais de 23 mil postos de trabalho diretos.

Bosco Saraiva permaneceu quase 3 anos no comando da Suframa – Fotos: Reprodução

Outro ponto central da gestão foi a articulação política durante a tramitação da reforma tributária. Saraiva atuou junto à bancada amazonense, liderada pelo senador Omar Aziz, para garantir a manutenção dos incentivos fiscais do modelo Zona Franca no texto final da reforma, aprovada pelo Congresso. Para o setor produtivo, esse foi um dos resultados mais relevantes do período.

A saída, no entanto, tem motivação política explícita. Em janeiro, Saraiva confirmou publicamente que deixaria o cargo dentro do prazo legal de desincompatibilização para disputar as eleições de 2026 pelo PSD, com foco em apoiar a candidatura do senador Omar Aziz ao governo do Amazonas. “Quero ajudar o senador a retomar o governo”, declarou à época.

Transição e expectativas do setor

A chegada de um servidor técnico ao comando da Suframa é lida, no setor produtivo, como um movimento de continuidade. A expectativa é de uma transição sem rupturas, com foco na agilidade processual e na manutenção da aproximação com as empresas do PIM, característica que marcou a gestão anterior.

O momento é sensível. A reforma tributária está em fase de implementação. Montenegro assume com a missão de dar continuidade a esse fluxo em um ano que se projeta como recorde para a Zona Franca.

A Suframa é a autarquia federal responsável pela administração da política de incentivos fiscais que sustenta o modelo Zona Franca de Manaus, com abrangência sobre os estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá.

Curiosidade

A nomeação para o cargo de superintendente da Suframa ainda não foi atualizada no perfil oficial de Leopoldo Montenegro

Enquanto a notícia de sua ascensão corria pelos grupos de WhatsApp e em veículos da mídia especializada, quem o procurava nas redes sociais ainda o encontrava como superintendente adjunto de desenvolvimento e inovação tecnológico.

O curioso é que o perfil do agora ex-superintendente também não foi atualizado. Isso gera uma pergunta: será que eles não sabiam da mudança ou apenas ainda não tiveram tempo para atualizar suas redes sociais?

Até as primeiras horas da manhã do dia 20, Montenegro permanecia com o antigo cargo em sua rede social
Perfil de Bosco na manhã desta sexta-feira (20).

Glossário

  • Suframa: Superintendência da Zona Franca de Manaus, autarquia federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
  • PIM: Polo Industrial de Manaus, conjunto de empresas instaladas na Zona Franca que operam com incentivos fiscais federais.
  • DOU: Diário Oficial da União, publicação oficial do governo federal onde são registrados atos administrativos como nomeações e exonerações.
  • CAS: Conselho de Administração da Suframa, instância colegiada responsável pela aprovação de projetos e deliberações estratégicas da autarquia.
  • PD&I: Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, atividades exigidas das empresas beneficiárias dos incentivos fiscais da Zona Franca como contrapartida ao modelo.

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