Startup de Apuí-AM é destaque mundial em sustentabilidade
Foto: Michell Mello/Secretaria do Meio Ambiente
  • Amazônia Agroflorestal foi escolhida entre as 100 startups de sustentabilidade do mundo para 2025 pela We Make Change.
  • O projeto já restaurou 265,5 hectares e conservou 10,7 mil hectares de floresta na região de Apuí, AM.
  • Produtores alcançaram mais de 80 pontos em qualidade sensorial e participaram de concursos nacionais de café especial.
  • A iniciativa deve expandir para novas famílias e cadeias produtivas, fortalecendo a nova economia da floresta.

A Amazônia Agroflorestal, responsável pela comercialização e assessoria técnica do Café Apuí Agroflorestal, foi selecionada entre as 100 principais startups de sustentabilidade do mundo para 2025. A escolha foi feita pela rede global We Make Change, que reconhece projetos com foco em regeneração ambiental e fortalecimento de comunidades locais. A iniciativa se destaca por unir produção de café robusta orgânico com sistemas agroflorestais na região de Apuí, no sul do Amazonas.

Startup de sustentabilidade reconhecida internacionalmente

A seleção da Amazônia Agroflorestal ocorreu entre centenas de projetos internacionais. O reconhecimento amplia a visibilidade da produção sustentável na Amazônia e valoriza o modelo de negócio baseado em impacto social e ambiental positivo.

O projeto do Café Apuí Agroflorestal integra lavouras de Coffea canephora (conilon) em sistemas agroflorestais. A espécie utilizada é o Robusta Amazônico, conhecido por sua resiliência climática e qualidade sensorial. A expectativa é aumentar a renda da agricultura familiar em até 70%.

O café é cultivado sob sombra de árvores nativas, promovendo a regeneração florestal e a conservação do solo. Desde o início do projeto, mais de 120 mil mudas de espécies nativas foram plantadas, restaurando 265,5 hectares e conservando 10,7 mil hectares de floresta.

Produção sustentável com impacto social

O Café Apuí Agroflorestal é o primeiro café 100% robusta orgânico cultivado em agrofloresta na Amazônia. O projeto foi criado pelo Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia) e implantado com agricultores locais que haviam abandonado o cultivo tradicional por falta de viabilidade econômica.

Até 2024, o projeto já envolvia 134 famílias e havia produzido mais de 131 toneladas de café. A iniciativa gera emprego, renda e promove o fortalecimento de comunidades rurais.

Recentemente, uma consultoria de qualidade capacitou os produtores a alcançar notas sensoriais superiores a 80 pontos, habilitando-os para participar de concursos e feiras de cafés especiais. No primeiro ciclo, um agricultor de Apuí foi classificado entre os 30 melhores cafés do Brasil no concurso Coffee of The Year (COY), representando o estado do Amazonas.

“O trabalho foca no aumento da produtividade e na melhoria da qualidade da bebida, com manejo técnico e colheita cuidadosa. O sistema agroflorestal contribui para a sustentabilidade ambiental e para o retorno econômico dos agricultores”, destacou Poliana Perrut, consultora do Idesam.

De acordo com a Associação Nacional dos Produtores de Conilon e Robusta (Anapec), o robusta amazônico reúne atributos como:

  • Resiliência às mudanças climáticas
  • Alta qualidade sensorial
  • Produção regenerativa

Essas características tornam o produto competitivo no mercado nacional e internacional de cafés especiais.

Expansão e inclusão no campo

Para a próxima safra, o projeto prevê a ampliação do número de famílias envolvidas. A meta é capacitar pelo menos 30 novos produtores, com foco na produção de cafés especiais.

Além disso, há um esforço para aumentar a participação de mulheres e jovens no campo. A inclusão social e de gênero é uma das diretrizes da Amazônia Agroflorestal e do Idesam.

A iniciativa também busca fortalecer a nova economia da floresta, baseada em produtos sustentáveis e no uso responsável dos recursos naturais.

Impactos para a Amazônia

O reconhecimento da Amazônia Agroflorestal como uma das 100 principais startups de sustentabilidade do mundo reforça o potencial da Amazônia para liderar soluções climáticas e sociais.

Com foco em produção regenerativa, agricultura familiar e conservação ambiental, o projeto do Café Apuí Agroflorestal se consolida como um modelo replicável para outras regiões da Amazônia Legal.

Além de gerar renda, o sistema agroflorestal contribui para:

  • Redução do desmatamento
  • Recuperação de áreas degradadas
  • Fixação de carbono no solo
  • Preservação da biodiversidade

Segundo dados do projeto, cada hectare restaurado com agrofloresta pode sequestrar até 15 toneladas de CO₂ por ano, contribuindo para o combate às mudanças climáticas.

O que esperar daqui pra frente

Com o reconhecimento internacional, a Amazônia Agroflorestal deve atrair novos parceiros, investidores e oportunidades de mercado. A expectativa é expandir a produção, consolidar a marca Café Apuí Agroflorestal como referência em café especial amazônico e gerar mais impacto positivo na região.

O projeto também deve influenciar políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, à valorização de produtos da sociobiodiversidade e à promoção de modelos de negócios sustentáveis na Amazônia.

Com apoio do Idesam e de outras organizações, a meta é escalar o modelo para outras cadeias produtivas, como cacau, óleos vegetais e frutas nativas.

Glossário

  • Coffea canephora: Espécie de café conhecida como conilon ou robusta, adaptada a climas quentes e úmidos.
  • Robusta Amazônico: Variedade de conilon adaptada à região amazônica, com alta resistência e qualidade sensorial.
  • Agrofloresta: Sistema de cultivo que integra árvores, culturas agrícolas e, às vezes, animais, promovendo biodiversidade e sustentabilidade.
  • COY (Coffee of the Year): Concurso nacional que premia os melhores cafés especiais do Brasil.
  • We Make Change: Rede global que conecta startups de impacto com voluntários e investidores para promover mudanças sociais e ambientais.

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