- O Ipeam, instituto de pesquisa do Exército na Amazônia, iniciou sua primeira turma de pós-graduação em Manaus nesta segunda (4).
- Foram 83 candidatos inscritos, com 24 aprovados para mestrado, doutorado e pós-doutorado, apoiados por bolsas da Fapeam e Capes.
- O instituto pesquisa inteligência artificial, energia e cibersegurança para fortalecer a proteção da fronteira amazônica.
A Amazônia ganhou, no fim de junho, um novo centro de pesquisa e inovação instalado em Manaus. Nesta segunda-feira (3), teve início a primeira turma de pós-graduação do Instituto de Pesquisa do Exército na Amazônia (Ipeam), ligado ao Instituto Militar de Engenharia (IME).
O órgão tem como missão desenvolver pesquisa, inovação e tecnologia de interesse do Exército, com foco na defesa da região amazônica. Em entrevista ao jornalista Márcio Azevedo, na manhã desta terça (4), no programa Primeira Onda da Rádio Antena 1 Manaus e Tv Onda Digital, o comandante do Instituto, coronel Bruno Costa Marinho, falou do atual momento do Ipeam e dos desafios para formar a primeira leva de pesquisadores do Ipeam.
O que é o Ipeam e por que ele existe
Segundo o coronel Marinho, o instituto nasceu vinculado ao Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro, com a missão de “realizar pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de interesse do Exército e da sociedade”. De acordo com o diretor, os projetos desenvolvidos buscam soluções para “os problemas da Amazônia e do Exército, que são muito interligados”, já que necessidades como conectividade em áreas de fronteira afetam tanto militares quanto a população civil.
O coronel afirmou que a missão do instituto é “contribuir para a Defesa, a soberania e o desenvolvimento sustentável da Amazônia”.

Estrutura e parcerias
O Ipeam está instalado na estrutura física do Centro de Coordenação Geral do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), que hoje conta com 700 metros quadrados, dos quais 350 já estão ocupados no primeiro andar. Segundo o coronel Marinho, o espaço abriga laboratório de inteligência artificial, sala de aula, biblioteca, sala de pesquisadores e sala de videoconferência, com adaptação em andamento para o segundo andar. A expectativa é dobrar a infraestrutura física até o fim do ano.
O diretor destacou a parceria com o Censipam, responsável pelo monitoramento da Amazônia, e também citou colaboração com universidades de Manaus. De acordo com ele, o instituto mantém um banco de dados com 34 professores voluntários de instituições como Ufam, UEA, Ifam, Fiocruz e Colégio Militar de Manaus, que podem atuar como co-orientadores dos alunos.
Seleção: candidatos, aprovados e bolsas
O primeiro processo seletivo do Ipeam recebeu 83 candidatos, todos civis. Foram aprovados 24 estudantes na primeira turma, sendo 10 de mestrado, 10 de doutorado e 4 de pós-doutorado.
O diretor informou que o curso terá outras turmas nos próximos anos, com bolsas garantidas pela Fapeam e pela Capes, totalizando 89 alunos até a conclusão do ciclo previsto. Os alunos de mestrado e doutorado também terão direito a passagem e auxílio-moradia para o período em que estiverem no Rio de Janeiro, onde ocorre parte das atividades.

Segundo Marinho, 70% das atividades formativas ocorrem em Manaus, por meio de metodologias híbridas de ensino-aprendizagem, com aulas presenciais e transmissões síncronas do Rio de Janeiro. E, enquanto o Ipeam não tem corpo próprio de pesquisadores para submeter um curso de pós-graduação independente, os alunos precisarão realizar parte da formação e pesquisa na sede do IME.
“Os alunos de mestrado e doutorado vão passar um período acadêmico no Rio de Janeiro. Isso aí vai trazer uma interligação muito grande entre Manaus e o Rio de Janeiro, entre o IME e o IPEAM”, explicou.
Linhas de pesquisa
Segundo o diretor, a primeira turma está distribuída em cinco áreas temáticas: monitoramento da Amazônia com inteligência artificial, tecnologias quânticas, defesa cibernética, biotecnologia e transição energética.
Sobre o projeto de transição energética, o coronel afirmou que o objetivo é desenvolver produção de energia com hidrogênio verde e um sistema de gerenciamento das diferentes fontes de energia, evitando apagões como o ocorrido na Península Ibérica no ano passado.
Já o monitoramento da Amazônia com inteligência artificial, segundo o diretor, busca integrar dados de satélite, LIDAR, radar e drones para tornar a vigilância da fronteira “menos reativa”. Segundo o coronel Marinho, a fronteira amazônica tem mais de 11 mil quilômetros, extensão que ele comparou aos pouco mais de 3 mil quilômetros da fronteira entre Estados Unidos e México. “É impossível você controlar tudo somente com pessoas”, afirmou.
O diretor informou que uma nova seleção deve ocorrer no próximo ano, ainda sem data definida, e que as atualizações sobre o Ipeam são divulgadas nos canais do Instituto Militar de Engenharia e do Comando Militar da Amazônia na internet e rede social.


