- FPFTech expande seu ecossistema de inovação da Amazônia para o Amapá, com foco em biotecnologia.
- A fundação usa incubadora própria, parque tecnológico e escola técnica para formar empreendedores.
- Robôs humanoides e ferramentas de inteligência artificial já fazem parte da rotina da instituição.
A Fundação Paulo Feitosa de Tecnologia (FPFTech), que atua há quase 30 anos em Manaus, anunciou recentemente sua expansão para o Estado do Amapá. Segundo Alexandre Amorim, head de Inovação e Empreendedorismo da instituição, o convite foi feito pelo governo estadual para eles atuarem como empresa âncora de um novo parque tecnológico na região, que vem investindo fortemente em biotecnologia, petróleo e gás natural.
A FPFTech já apoia três startups amapaenses por meio de sua rede de incubação: Amazon Cure, BioAIDS e Yara Couros. A partir dessa conexão, o governo do Amapá convidou a fundação para integrar o Foz do Rio Amazonas Tech Park, parque tecnológico em construção em Macapá, atualmente em fase avançada de obras e estruturação. O polo vai reunir startups, empresas, universidades e centros de pesquisa, com foco em empreendedorismo e na vocação ambiental e sustentável da região. A FPFTech ocupará a posição de maior ICT dentro dessa estrutura.
Segundo Amorim, o interesse na região não se limita à biotecnologia: o Amapá também concentra investimentos em petróleo e gás, o que amplia o espaço para desenvolvimento tecnológico local.
“Estamos preparando uma implantação muito grande naquela região, que tem um potencial imenso, não somente pela biotecnologia, mas também pelo petróleo e gás que está sendo desenvolvido lá”, diz o head de inovação da FPFTech.
A proximidade do Amapá com a fronteira da Guiana Francesa também é apontado por Alexandre Amorim como um fator estratégico para conexões internacionais futuras.
Tudo começou há 30 anos em Manaus
A FPFTech nasceu como projeto educacional voltado para os bairros de Manaus com menor acesso à capacitação em tecnologia. Ao longo de quase três décadas, a instituição incorporou uma escola de ensino técnico, uma faculdade, um centro de inovação, uma incubadora tecnológica e o próprio instituto de ciência e tecnologia (ICT), hoje considerado o mais antigo da região.
Atualmente, a fundação possui um parque tecnológico, o Amazônia Tech Park, que tem capacidade para atender 30 empresas simultaneamente. Segundo Amorim, cerca de 80% dessas empresas atuam com biotecnologia, setor que recebe recursos via Lei de Informática, fundos de fomento como a Finep e de investidores-anjo.
“Eu imaginei que empresas de tecnologia digital iam aparecer o tempo inteiro, porque essa é a minha área. Mas, para a minha felicidade, o que apareceu com mais força foram as empresas de biotecnologia”, afirma Amorim.

Inclusive, quem tem uma ideia de negócio pode buscar a incubadora WIT, que oferece programas de pré-incubação, incubação e validação. “Se você descobrir que ninguém quer comprar o que você quer vender, tudo bem: pega o seu perfil empreendedor e vai pivotar para outra ideia. A gente vai te ajudar nessa jornada”, explica.
Formação de empreendedores começa na escola
Um dos pilares do modelo da FPFTech é conectar estudantes, desde o ensino técnico, ao ambiente de startups e ao centro de inovação. A cada dois meses, alunos apresentam projetos em uma mostra interna, e a incubadora acompanha essas apresentações em busca de ideias com potencial de mercado.
Empresas também patrocinam turmas inteiras de capacitação profissional, sobretudo em automação e robótica. Segundo Amorim, entre 30% e 40% das vagas dessas turmas são destinadas à sociedade, com bolsa de incentivo financeiro para quem concilia trabalho e estudo.
“A gente sabe que muita gente tem que fazer essa escolha entre trabalhar e estudar, e esse apoio financeiro ajuda muito as pessoas a caminhar nessa jornada”, afirma.
E como o DNA da Fundação é tecnologia, ela não poderia ficar de fora da “humanoidização” da mão de obra fabril. Tanto que já adquiriu robôs humanoides e estuda como aplicá-los ao contexto amazônico e do Polo Industrial de Manaus.
“Ele vai transformar um posto de trabalho. Mas, provavelmente vão aparecer outras demandas para manter os próprios robôs funcionando, e novas profissões vão surgir”, avalia Amorim, que faz parte da história da FPFTech há mais de 20 anos.
Glossário
- ICT: Instituto de Ciência e Tecnologia, unidade credenciada para pesquisa e desenvolvimento.
- WIT: incubadora tecnológica da FPF Tech, voltada a startups em fase de ideação ou validação.
- Finep: Financiadora de Estudos e Projetos, agência federal de fomento à inovação.
- Fapeam: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas, órgão responsável pelo credenciamento de institutos de ciência e tecnologia no estado.



