Parque Nacional de Anavilhanas no Amazonas – Foto: Lincoln Barbosa
  • O governo britânico abriu financiamento para projetos de conservação na Amazônia brasileira pela Rodada 32 da Darwin Initiative.
  • O edital oferece três modalidades de grant, de £75 mil (Aprox. R$ 510 mil) a £5 milhões (Aprox. R$ 34 mi), com inscrições abertas até agosto de 2026.
  • Para o Brasil, a Amazônia é o único hotspot terrestre elegível ao financiamento Darwin Initiative nesta rodada.

O governo do Reino Unido abriu as inscrições para a Rodada 32 da Darwin Initiative, programa que financia projetos de conservação da biodiversidade e redução da pobreza em países elegíveis. Para o Brasil, a Amazônia é o único hotspot terrestre contemplado neste ciclo, com grants que variam de £75 mil (Aproximadamente R$ 510 mil) a £5 milhões (R$ 34 milhões) por projeto.

O edital está estruturado em três modalidades: Principal (£200 mil a £1 milhão), voltado a projetos com boas evidências e potencial de escala; Extra (£1 milhão a £5 milhões), para iniciativas já em trajetória de expansão; e Compatibilidade e Capacidade (£75 mil a £250 mil), focado no fortalecimento institucional de organizações locais e nacionais. Os projetos aprovados devem iniciar a partir de 1º de abril de 2027.

Por que a Amazônia está no foco desta rodada

A Rodada 32 concentrou elegibilidade em 13 hotspots globais de biodiversidade porque esses são os territórios onde o programa avalia ter maior potencial de impacto: maior valor em biodiversidade, ameaças mais críticas, potencial de redução de pobreza e contribuição para a segurança climática e alimentar do Reino Unido por meio da proteção de ecossistemas essenciais.

No Brasil, isso significa que projetos fora do bioma amazônico não são elegíveis nesta rodada. Os hotspots listados pelo programa incluem Amazônia, Andes Tropicais, Ilhas do Caribe, Florestas do Congo, Nova Guiné e outros dez biomas distribuídos pelo mundo. A seleção foi feita para evitar pulverização de recursos e ampliar o impacto acumulado em territórios prioritários.

Requisitos e prazos para organizações brasileiras

O Brasil é classificado pelo programa como país de renda média alta (UMIC, na sigla em inglês), o que exige das candidatas uma justificativa mais robusta. Projetos nessa categoria precisam demonstrar que os benefícios chegarão a mulheres e homens em situação de pobreza e a áreas críticas para a biodiversidade, que o financiamento externo é indispensável para atingir os objetivos, e que o governo do país não poderia razoavelmente arcar com os custos por conta própria.

Todos os projetos devem ser liderados por ou ter parceria com organizações locais ou nacionais do país em que operam. A Darwin Initiative exige engajamento significativo e precoce de partes interessadas no território, e as candidatas precisam demonstrar como os resultados vão perdurar após o fim do financiamento.

Os prazos de inscrição variam por modalidade:

  • Darwin Initiative Extra (Etapa 1): encerra em 1º de julho de 2026.
  • Darwin Initiative Main (Etapa 1): encerra em 20 de julho de 2026.
  • Darwin Initiative Capability & Capacity: encerra em 31 de agosto de 2026.

As inscrições são feitas pela plataforma Flexi-Grant. A administração do programa é feita pela NIRAS, que pode ser contatada pelo e-mail BCF-Darwin@niras.com. Toda a documentação de orientação está disponível no site oficial da Darwin Initiative.

O que os projetos precisam entregar

O programa não financia conservação isolada. Cada projeto precisa articular, de forma explícita, como as atividades propostas vão gerar ganhos simultâneos para a biodiversidade e para a redução de pobreza nas comunidades do entorno. O edital cita como dimensões válidas a segurança alimentar, saúde, educação, acesso a recursos e voz nas decisões locais.

A duração dos projetos varia conforme a modalidade: de 1 a 3 anos para Capability & Capacity, e de 2 a 5 anos para Main e Extra. Em todas as modalidades, o valor máximo anual solicitado não pode ultrapassar 25% da receita média anual da organização líder nos três anos anteriores.

A Darwin Initiative também passou a exigir, nesta rodada, que todos os candidatos contactem a embaixada ou alto-comissariado britânico no país do projeto e incluam no orçamento até £5.000 para atividades de relacionamento com a representação diplomática ao longo do projeto.

Edital completo traduzido

Glossário

  • Hotspot de biodiversidade: região com alta concentração de espécies endêmicas e ameaçadas, reconhecida como prioritária para conservação global.
  • UMIC: Upper Middle Income Country, categoria do Banco Mundial para países de renda média alta, como o Brasil.
  • ODA: Official Development Assistance, assistência oficial ao desenvolvimento, financiamento governamental direcionado a promover desenvolvimento econômico e bem-estar em outros países.
  • GESI: Gender Equality and Social Inclusion, exigência do programa de que projetos considerem desigualdades de gênero e inclusão social no desenho e na execução das atividades.
  • Logframe: ferramenta de monitoramento que organiza os resultados esperados de um projeto em cadeia causal, com indicadores, metas e premissas.

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