• Projeto estuda regulamentação do café de açaí no Pará.
  • Estudo confirmou segurança toxicológica e microbiológica do produto.
  • Iniciativa fortalece a bioeconomia e valoriza resíduos do açaí.
  • Café de açaí deve retornar ao mercado com respaldo científico.

O café de açaí, feito a partir do caroço torrado e moído do fruto, está mais próximo de retornar ao mercado de forma regulamentada. A iniciativa surgiu da necessidade de produtores do Pará, após a Vigilância Sanitária suspender a comercialização do produto por falta de regulamentação técnica. Para resolver o impasse, foi criado um projeto científico que envolveu universidades, laboratórios e órgãos estaduais.

Estudo garante segurança do café de açaí

Coordenado pelo professor Diego Aires da Silva, da Universidade do Estado do Pará (Uepa), o projeto contou com apoio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) e de especialistas da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e da Universidade Federal do Pará (UFPA). O estudo avaliou a qualidade microbiológica, atividade antimicrobiana, efeitos toxicológicos e estabilidade do grão de açaí torrado e moído.

As análises foram realizadas em escala piloto, com coletas em diferentes regiões do Pará. O objetivo era comprovar a segurança alimentar e fornecer subsídios técnicos para a regulamentação do produto, que já circulava informalmente no mercado local.

Equipe coordenadora do projeto – Fotos: Divulgação

Como a pesquisa foi estruturada?

O projeto envolveu análises microbiológicas, físico-químicas, toxicológicas e sensoriais. O foco foi caracterizar o grão torrado quanto à sua composição, estabilidade e aceitação do consumidor. Os testes demonstraram ausência de microrganismos patogênicos e baixa atividade de água, o que garante maior tempo de prateleira.

Segundo o coordenador, a pesquisa também avaliou a inocuidade toxicológica do produto e seu potencial como inovação da sociobiodiversidade amazônica. A iniciativa fortalece a bioeconomia local ao transformar resíduos do açaí em novos produtos com valor agregado.

Três avanços previstos até 2025

  • Regulamentação técnica do café de açaí com base científica.
  • Reconhecimento institucional em reuniões da Alepa e Adepará.
  • Interesse de investidores internacionais após apresentação em eventos.

Em 2025, a pesquisa se consolidou como referência no processo regulatório. O trabalho foi apresentado na 21ª edição do Americas Competitiveness Exchange, destacando-se como exemplo replicável para outros produtos da bioeconomia.

Como o projeto impulsiona a bioeconomia?

Além do café de açaí, o grupo de pesquisa TecInova/Uepa iniciou estudos para transformar o caroço do açaí em farinha rica em fibras. Essa nova aplicação amplia as possibilidades de aproveitamento do fruto e gera alternativas de renda para comunidades locais.

De acordo com Marcel Botelho, diretor-presidente da Fapespa, a ciência é essencial para agregar valor e garantir segurança a produtos da biodiversidade amazônica. “Esse projeto trouxe a segurança necessária para o café de açaí ganhar mercados e impulsionar a bioeconomia paraense”, afirmou.

Glossário

  • Fapespa: Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas.
  • Adepará: Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará.
  • TecInova/Uepa: Grupo de pesquisa em tecnologia e inovação para alimentos da Universidade do Estado do Pará.

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