- O Amazonas é o segundo estado brasileiro com mais centros de pesquisa em inteligência artificial, ficando atrás apenas de São Paulo, com 22 unidades dedicadas à tecnologia.
- A região Norte lidera nacionalmente no uso empresarial de IA generativa, com 31% das pequenas empresas utilizando a tecnologia diariamente, superando todas as outras regiões do país.
- O Grupo Bemol investiu R$ 50 milhões em digitalização e tornou-se o segundo maior usuário corporativo de ChatGPT no Brasil, com mais de 600 licenças ativas.
O Amazonas ocupa a segunda posição nacional em centros de pesquisa dedicados à inteligência artificial, com 22 unidades, ficando atrás apenas de São Paulo. O dado, do estudo “O Panorama Brasileiro da Ciência, Tecnologia e Inovação em Inteligência Artificial” (Estudo completo abaixo), realizado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), surpreende ao mostrar que o estado supera tradicionais polos tecnológicos como Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A região Norte também lidera no uso empresarial da tecnologia. Segundo pesquisa da Quaest para o Itaú Empresas, 31% dos empresários da região já utilizam IA generativa nas rotinas diárias. O índice supera todas as outras regiões do país.
Amazonas supera estados tradicionais em tecnologia
O levantamento do CGEE identificou 144 unidades de pesquisa em IA no Brasil. A distribuição coloca o Amazonas em posição de destaque:
- São Paulo lidera com 41 unidades
- Amazonas aparece em segundo lugar com 22 centros
- Rio de Janeiro ocupa a terceira posição com 14 unidades
- Minas Gerais vem em quarto com 13 centros
- Pernambuco fecha o top 5 com 10 unidades
O posicionamento do estado amazônico reflete a concentração de iniciativas voltadas para questões ambientais e de biodiversidade. As pesquisas aplicam a tecnologia ao monitoramento da floresta, prevenção de desmatamento e gestão de recursos naturais.
Onde estão as pesquisas
Além dos centros tradicionais, o Amazonas abriga pesquisas e colaborações de destaque internacional em inteligência artificial. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) participa de projetos com a OpenAI, investigando algoritmos para detecção automática de incêndios e mensuração de impactos ambientais utilizando redes neurais avançadas. O trabalho coloca pesquisadores amazonenses em diálogo direto com referências mundiais em IA.
O Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT), sediado em Manaus, apoia empresas do Polo Industrial e cria soluções inovadoras em IA para manufatura, saúde, segurança e educação. O instituto atua no desenvolvimento de sistemas embarcados, reconhecimento de padrões e plataformas inteligentes para automação industrial.
A FPTech lidera iniciativas focadas em transformação digital do comércio, implementando IA em gestão de estoques, análise preditiva de demanda e personalização de ofertas. Suas soluções aproximam pequenas empresas às tendências globais do varejo inteligente.
O Sídia Instituto de Ciência e Tecnologia se destaca em capacitação, pesquisa aplicada e transferência de tecnologia voltada para inteligência artificial. O Sídia explora aplicações em processamento de linguagem natural, visão computacional, interfaces conversacionais e colaboração com grandes empresas do setor, como Samsung.
O Samsung Ocean, centro de inovação e formação em Manaus, atua como polo para startups e profissionais que desejam aprender e criar soluções em IA. O Ocean oferece programas gratuitos de capacitação, hackathons e projetos que incentivam o desenvolvimento de sistemas inteligentes e o uso prático da tecnologia no cotidiano da Amazônia.Onde estão as pesquisas
Biodiversidade amazônica impulsiona pesquisa em IA
O Instituto Mamirauá desenvolveu o projeto Providence em parceria com a Universidade Politécnica da Catalunha. A iniciativa monitora em tempo real a biodiversidade amazônica usando inteligência artificial.
A terceira fase do projeto, chamada “dos Andes ao mar”, planeja instalar cerca de 100 módulos automatizados em 30 localidades do bioma. Os equipamentos coletam dados continuamente sobre espécies e seus comportamentos.
Pesquisadores da PUC-Rio criaram o Deforestation Prediction System, capaz de prever com até 15 dias de antecedência as áreas com maior risco de desmatamento na Amazônia Legal. A ferramenta já opera na plataforma TerraBrasilis do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Como a IA revoluciona o inventário florestal
A Embrapa Acre desenvolveu a metodologia Netflora, que combina drones e inteligência artificial para inventários florestais. Em pouco mais de duas horas de sobrevoo, a tecnologia identificou 604 castanheiras-da-amazônia e mais de 14 mil árvores de outras espécies em 1.150 hectares na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, no Amazonas.
O trabalho tradicional demandaria 73 dias com equipe de cinco profissionais. A redução no tempo e nos custos operacionais torna viável o monitoramento de áreas extensas com maior frequência.
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) pesquisa detecção automática de incêndios florestais por meio de redes neurais. Os sistemas imitam o funcionamento do cérebro humano para identificar focos de fogo rapidamente.
Pequenas empresas do Norte lideram uso de IA
A pesquisa “Do caderninho à inovação: os novos caminhos do empreendedor brasileiro” trouxe resultado surpreendente. As pequenas empresas da região Norte apresentam o maior índice de uso diário de IA generativa no país.
A distribuição regional mostra:
- Norte: 31% (líder nacional)
- Sul: 24%
- Nordeste: 22%
- Sudeste: 21%
- Centro-Oeste: 18%
O resultado contraria expectativas sobre regiões com infraestrutura tecnológica mais consolidada. Fatores como confiança na segurança dos dados, possibilidade de interação com humanos quando necessário, além de agilidade e precisão nas respostas impulsionam a adoção nos negócios.
Bemol se torna referência nacional em IA no varejo
O Grupo Bemol lidera a transformação digital do comércio amazonense. A varejista, que fatura R$ 5 bilhões anualmente, adquiriu mais de 600 licenças do ChatGPT, tornando-se o segundo maior usuário corporativo da ferramenta no Brasil.
A empresa investe cerca de R$ 50 milhões por ano em digitalização e inovação desde a pandemia. A inteligência artificial foi integrada de forma transversal em todas as áreas operacionais a partir de 2024.
Clayton Domingues, diretor de RH da Bemol, destaca a mudança na cultura organizacional. “Antes, se o RH ou marketing precisava de dados, eles mandavam um chamado para a tecnologia e ela enviava um relatório pronto alguns meses depois. Hoje, os times produzem seus próprios dados”, explica.
Plataforma de dados alcança 900 colaboradores
Em setembro de 2025, durante o Databricks AI Summit em São Paulo, a Bemol apresentou o case “Do Streaming ao Insight”. A empresa revelou como usa dados e IA para transformar operações.
A plataforma alcança 900 colaboradores e integra mais de 400 tabelas SAP para análises em tempo real. A inovação inclui agentes de IA e a simplificação da arquitetura com tecnologia Lakebase para otimizar performance.
A varejista aplica IA em:
- Otimização de processos logísticos e gestão de crédito
- Rotas de entrega e operações de centros de distribuição
- Atendimento ao cliente com chatbots e assistência automatizada
- Análise preditiva de comportamento de compra e gestão de estoque
- Ferramentas de produtividade para colaboradores
Startups amazonenses inovam com IA no varejo
A Evereste, empresa de tecnologia com sede em Manaus, desenvolveu solução para o setor de hortifrutis. O sistema utiliza visão computacional para identificar automaticamente frutas e verduras através de características únicas.
A IA analisa visualmente os produtos, classifica e reconhece os hortifrutis de forma precisa. A tecnologia reduz erros humanos na identificação e otimiza o tempo dos funcionários.
A Morada.ai transformou o mercado imobiliário de Manaus. A proptech já atendeu 67 mil pessoas no Amazonas, equivalente a aproximadamente 1,5% da população estadual. A assistente virtual Mia conversa com clientes 24 horas por dia via WhatsApp, qualificando mais de 80% dos leads.
Eventos de capacitação movimentam ecossistema local
O AmazonIA Summit 2025, realizado nos dias 1 e 2 de dezembro em Manaus, reuniu especialistas nacionais como Piero Franceschi (StartSe), João Vitor (G4 Educação) e Rafael Milagre. O evento focou no uso prático da IA em vendas, gestão e planejamento estratégico.
Em outubro de 2025, o Viver de IA Experience – Amazônia ofereceu dois dias de programação prática no Quality Hotel Manaus. O evento disponibilizou 400 vagas para líderes, gestores e empresários aprenderem aplicações de IA nos negócios.
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) avança na digitalização de processos internos com apoio da Finep. Entre os projetos, destaca-se a iniciativa da Data Kie Tecnologia, que utiliza IA na análise de documentos para garantir conformidade com leis de incentivo fiscal.
Desigualdades regionais ainda persistem
Apesar dos avanços, persistem desafios. Uma análise da BigDataCorp revela que São Paulo e Distrito Federal concentram quase metade das empresas de IA no país. Mais importante: 83,79% de todo o capital investido está em empresas paulistas.
Estados das regiões Norte e Nordeste apresentam participação abaixo do esperado. Alagoas, Piauí, Roraima e Tocantins representam, juntas, menos de 0,7% do capital investido no país.
Uma pesquisa da Seja Relevante/FDC identificou que 88% da população do Sudeste já ouviu falar em IA, enquanto no Nordeste o índice cai para 73%. A diferença ilustra disparidades no acesso à informação sobre a tecnologia.
Plano nacional prevê R$ 23 bilhões até 2028
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), lançado em 2025, inclui ações específicas para a região Norte. O investimento total previsto é de R$ 23 bilhões até 2028.
Entre as iniciativas estão:
- Apoio à criação de data centers com energia renovável, priorizando as regiões Norte e Nordeste
- Centro de Ciências de Dados para Biodiversidade Amazônica, aplicando IA ao monitoramento e conservação
- Ampliação dos Centros Nacionais de Processamento de Alto Desempenho distribuídos nas cinco regiões
O plano prevê participação de comunidades tradicionais e povos locais nos projetos voltados para a sociobioeconomia amazônica.
Análise: IA se consolida como ferramenta estratégica no Amazonas
O ecossistema de inteligência artificial no Amazonas apresenta características únicas que o diferenciam de outros estados brasileiros. A combinação entre forte base de pesquisa acadêmica e adoção empresarial acelerada cria ambiente propício para inovação.
O posicionamento do estado como segundo em centros de pesquisa não é coincidência. Reflete décadas de investimento em instituições como a Ufam, o Instituto Mamirauá e centros de pesquisa vinculados ao Polo Industrial de Manaus. Essas unidades desenvolveram expertise específica em aplicações voltadas para desafios regionais.
A liderança das pequenas empresas da região Norte no uso de IA generativa revela mudança cultural importante. Empresários locais demonstram disposição para experimentar tecnologias emergentes, mesmo diante de limitações de infraestrutura. Essa mentalidade empreendedora pode acelerar a transformação digital de setores tradicionais.
Desafios estruturais exigem atenção
A concentração de capital em São Paulo representa obstáculo significativo. Startups amazonenses enfrentam dificuldades para acessar investimentos mesmo desenvolvendo soluções inovadoras. A Evereste e a Morada.ai mostram potencial, mas precisam de recursos para escalar operações.
A distância dos grandes centros também impacta. Profissionais especializados em IA preferem permanecer no Sudeste, onde salários e oportunidades são maiores. A formação local precisa se intensificar para suprir demanda crescente.
A infraestrutura de conectividade, embora tenha melhorado, ainda apresenta gargalos em áreas remotas. Aplicações de IA que dependem de processamento em nuvem ou transmissão de grandes volumes de dados enfrentam limitações.
Como começar a usar IA nos negócios
Para empresários e profissionais do Amazonas que desejam incorporar inteligência artificial, o caminho começa por entender necessidades específicas do negócio. A tecnologia deve resolver problemas reais, não ser adotada apenas por tendência.
O primeiro passo é experimentar ferramentas gratuitas como ChatGPT, Google Gemini ou Claude. Essas plataformas oferecem versões sem custo que permitem testar aplicações em redação de textos, análise de dados e automação de tarefas.
Identifique processos repetitivos no dia a dia. A IA funciona bem em atividades como responder e-mails, elaborar relatórios, fazer resumos de reuniões e criar conteúdo para redes sociais. Comece por uma tarefa simples e observe os resultados.
Capacitação e networking são essenciais
Participe de eventos locais como o AmazonIA Summit e o Viver de IA Experience. Esses encontros oferecem conhecimento prático e oportunidade de networking com outros empresários que já utilizam a tecnologia.
Procure cursos online sobre fundamentos de IA. Plataformas como Coursera, Udemy e Alura oferecem conteúdo em português com certificação.
Empresas de médio e grande porte devem considerar consultoria especializada. O investimento inicial pode parecer alto, mas o retorno vem na forma de processos mais eficientes e economia de recursos.
Comece pequeno e escale gradualmente
Não tente implementar IA em toda empresa de uma vez. Escolha um departamento ou processo para teste piloto. O setor de atendimento ao cliente é boa opção inicial, pois chatbots são relativamente simples de implementar.
Monitore resultados com indicadores claros. Meça tempo economizado, redução de erros, aumento de produtividade e satisfação da equipe. Esses dados orientarão decisões sobre expansão do uso.
Envolva a equipe desde o início. A resistência à tecnologia é natural, mas diminui quando colaboradores entendem que a IA vai auxiliá-los, não substituí-los. Ofereça treinamento e suporte contínuo.
Por que isso importa
O Amazonas está construindo posição estratégica no cenário nacional de inteligência artificial. A combinação entre pesquisa de ponta, adoção empresarial e desafios únicos da região amazônica cria oportunidades diferenciadas.
A tecnologia não é mais exclusividade de grandes corporações ou regiões desenvolvidas. Pequenos negócios do Norte já provam que é possível usar IA para crescer e competir. O movimento de capacitação e formação de ecossistema local fortalece essa tendência.
Os próximos anos serão decisivos. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial traz recursos e direcionamento. Empresários, pesquisadores e gestores públicos precisam aproveitar esse momento para consolidar o Amazonas como referência em aplicações de IA voltadas para biodiversidade, logística fluvial e desenvolvimento sustentável.
A revolução digital chegou à Amazônia. Quem se preparar agora estará na vanguarda da transformação que moldará os negócios e a sociedade nas próximas décadas.
Glossário
- IA generativa: Tipo de inteligência artificial capaz de criar conteúdo novo, como textos, imagens e códigos, a partir de instruções em linguagem natural.
- Chatbot: Programa de computador que simula conversas humanas, usado principalmente em atendimento ao cliente.
- Visão computacional: Tecnologia que permite computadores interpretarem e entenderem imagens digitais ou vídeos.
- Redes neurais: Sistemas de processamento de informação inspirados no funcionamento do cérebro humano, usados em aprendizado de máquina.
- Proptech: Empresas de tecnologia focadas em soluções para o mercado imobiliário.
- Lakebase: Arquitetura de dados que combina características de data lakes e bancos de dados para análises em tempo real.
Estudo O Panorama Brasileiro da Ciência, Tecnologia e Inovação em Inteligência Artificial
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