- Deputado Roberto Cidade propôs o Sistema de Saúde Fluvial Inteligente na Aleam em 2025 para atender comunidades isoladas.
- Expedições trimestrais com embarcações hospitalares oferecerão consultas, exames, vacinas e pequenas cirurgias.
- Profissionais receberão 30% de adicional, hospedagem e certificação válida para progressão funcional.
- O Sistema de Saúde Fluvial Inteligente integra tecnologia e inclusão para transformar a saúde pública no Amazonas.
O Legislativo do Amazonas deu um passo importante para ampliar o acesso à saúde em comunidades isoladas da região ao propor o Projeto de Lei nº 92/2025, que institui as diretrizes do Sistema de Saúde Fluvial Inteligente. A iniciativa prevê a criação de embarcações hospitalares equipadas com tecnologia de ponta, capazes de oferecer serviços médicos e odontológicos, exames laboratoriais, vacinação, pequenas cirurgias e fornecimento de medicamentos a populações ribeirinhas. A proposta já está em tramitação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
De autoria do deputado estadual Roberto Cidade (União Brasil), presidente da Aleam, o projeto busca enfrentar uma das maiores dificuldades históricas do estado: a logística de atendimento em saúde em áreas remotas. Com a adoção de telemedicina e prontuários eletrônicos, a proposta pretende garantir eficiência e continuidade no atendimento, mesmo após o retorno das embarcações a Manaus.
As expedições terão duração máxima de 10 dias e serão realizadas trimestralmente, com saída e retorno programados a partir da capital. A gestão do sistema ficará sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), que deverá apresentar relatórios trimestrais com dados sobre comunidades atendidas, número de pacientes, serviços prestados e custos operacionais.
Saúde fluvial inteligente pode transformar atendimento no interior
O projeto é uma resposta direta aos desafios enfrentados por comunidades ribeirinhas, onde o acesso a serviços de saúde é limitado por barreiras geográficas e falta de infraestrutura. A proposta prevê embarcações equipadas com consultórios médicos e odontológicos, salas de vacinação, laboratórios, farmácias e espaços para pequenas cirurgias ambulatoriais.
Além disso, a implementação da telemedicina permitirá que especialistas em Manaus ofereçam suporte remoto aos profissionais embarcados, ampliando a capacidade de diagnóstico e tratamento. O uso de prontuários eletrônicos também facilitará o acompanhamento contínuo dos pacientes, mesmo após o fim das expedições.
Para o deputado Roberto Cidade, a proposta representa um avanço na política pública de saúde do estado:
“A implementação de embarcações hospitalares equipadas com telemedicina e recursos avançados permitirá levar serviços essenciais diretamente a essas localidades, reduzindo o tempo de resposta e ampliando o impacto das políticas públicas de saúde.”
Como será o funcionamento das embarcações hospitalares?
Cada expedição terá duração máxima de 10 dias e será composta por uma equipe multidisciplinar de profissionais da saúde. A proposta estabelece um sistema de rodízio, permitindo que cada servidor participe de apenas uma missão por trimestre. A medida visa garantir o descanso e a rotatividade dos profissionais envolvidos.
Entre os serviços que serão oferecidos nas embarcações estão:
- Consultas médicas e odontológicas
- Exames laboratoriais
- Aplicação de vacinas
- Pequenas cirurgias ambulatoriais
- Distribuição de medicamentos
O projeto também prevê a realização de ações educativas em saúde, com foco na prevenção de doenças e na promoção de hábitos saudáveis.
Três incentivos para valorizar profissionais da saúde
Reconhecendo os desafios de atuar em áreas remotas, o projeto propõe incentivos específicos para os profissionais que integrarem as missões fluviais:
- Adicional de 30% sobre o salário-base durante o período da expedição.
- Alimentação e hospedagem garantidas a bordo das embarcações.
- Certificação com valor curricular, válida para progressão funcional e concursos.
Esses benefícios têm como objetivo atrair especialistas qualificados e motivá-los a participar de ações com alto impacto social e humanitário. Segundo Cidade:
“O adicional de remuneração, aliado ao benefício da certificação, busca atrair e motivar especialistas dispostos a atuar em missões de grande relevância social e humanitária.”
Impactos para a Amazônia
A criação do Sistema de Saúde Fluvial Inteligente pode representar uma mudança estrutural na forma como o estado do Amazonas lida com a saúde pública em regiões de difícil acesso. Além de levar atendimento a locais isolados, a proposta fortalece a integração entre tecnologia e políticas públicas, promovendo inclusão e equidade no sistema de saúde.
O modelo também pode servir de referência para outros estados da Amazônia Legal e regiões com características geográficas semelhantes. A depender da efetividade dos relatórios trimestrais exigidos pelo projeto, será possível mensurar o impacto real da iniciativa e aprimorar sua execução ao longo do tempo.
Glossário
- Aleam: Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas.
- SES-AM: Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas.
- Telemedicina: Atendimento médico realizado por meio de tecnologias digitais, como vídeo e internet.
- Prontuário eletrônico: Registro digital do histórico clínico do paciente, acessível por profissionais autorizados.
O que esperar daqui pra frente
Com o avanço da tramitação do projeto na Aleam, a expectativa é que o Sistema de Saúde Fluvial Inteligente entre em operação nos próximos meses, após aprovação e regulamentação. A depender da adesão dos profissionais da saúde e da efetividade da gestão, a proposta pode se tornar um marco na transformação da saúde pública no Amazonas.
O monitoramento contínuo por meio de relatórios e a possibilidade de parcerias com instituições públicas e privadas também abrem caminho para a expansão e sustentabilidade do programa a longo prazo.