- A Rede Bioamazonia encerra sua III Reunião Anual nesta sexta (15) em Letícia, Colômbia, na tríplice fronteira com Brasil e Peru.
- Pesquisadores de oito institutos de cinco países debateram ameaças transfronteiriças ao bioma: mercúrio, incêndios, tráfico de espécies e expansão hidrelétrica.
- O encontro busca consolidar cooperação científica regional sobre biodiversidade amazônica com base em ciência e conhecimento indígena.
A III Reunião Anual da Rede Bioamazonia encerra nesta sexta-feira (15) em Letícia, Colômbia, cidade localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. Durante cinco dias, pesquisadores, autoridades, organizações indígenas e organismos internacionais se reuniram na sede do Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas Sinchi para construir respostas conjuntas aos desafios que ameaçam o bioma amazônico.
O evento reuniu representantes de oito institutos de pesquisa de cinco países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, ocupa a vice-presidência da rede e coordenou o grupo de trabalho sobre conflitos e ameaças na Pan-Amazônia.
Ciência diante das ameaças concretas da Amazônia
A escolha de Letícia não foi simbólica. Na cidade, como em grande parte do bioma, os efeitos das mudanças climáticas, a contaminação dos rios por mercúrio, a pressão sobre espécies silvestres e os incêndios florestais são parte do cotidiano das comunidades. O painel técnico de abertura, dedicado a “Conflitos e Ameaças na Pan-Amazônia”, reuniu especialistas cujas pesquisas são realizadas diretamente no território e respondem a problemas concretos da região.
Entre os temas tratados estavam o tráfico de espécies silvestres, a expansão hidrelétrica, o manejo integrado do fogo, os impactos das mudanças climáticas e a perda de conhecimentos ecológicos tradicionais. A programação também abordou perspectivas socioecológicas e a relação entre energia limpa e pressão sobre o bioma.
“Nenhum país resolverá esses desafios sozinho. Precisamos integrar ciência, conhecimento tradicional e inovação para fortalecer a sustentabilidade do bioma amazônico.”
A afirmação é do diretor do Inpa, Henrique Pereira, vice-presidente da Rede Bioamazonia. Para ele, a reunião representa um avanço concreto na cooperação entre os países amazônicos em temas como biodiversidade, mudanças climáticas, bioeconomia e sustentabilidade do bioma.
Uma rede com raízes no território
A abertura, na segunda-feira (11), contou com a participação da vice-ministra de Políticas e Normalização Ambiental da Colômbia, Edith Bastidas Calderón; do prefeito de Letícia, Elquin Jadrian Uni Heredia; do governador do Amazonas colombiano, Oscar Enrique Sánchez Guerrero; e da presidente da Rede Bioamazonia e diretora-geral do Instituto Sinchi, Luz Marina Mantilla Cárdenas.
Também participaram representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) e da Coordenadora das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica). A presença de organizações indígenas na mesa reflete uma escolha deliberada da rede: tratar o conhecimento local como parte da resposta científica, não como apêndice.
O Instituto Mamirauá, um dos cofundadores da Rede Bioamazonia, reforçou neste encontro sua trajetória de mais de 25 anos em pesquisa, conservação e uso sustentável da biodiversidade. A instituição é um dos pilares da agenda de ciência colaborativa e transfronteiriça que a rede busca consolidar.
Além do diagnóstico: construir saídas a partir da Amazônia
A coordenação do evento sinalizou que o encontro buscou ir além de uma narrativa centrada na crise. A proposta foi construir uma visão que reconheça tanto a gravidade dos desafios quanto as capacidades e oportunidades que emergem da própria região, com base em anos de trabalho de campo e diálogo com povos indígenas e comunidades locais.
Do Inpa, participaram do evento o coordenador-geral de Pesquisa, Capacitação e Extensão, Jorge Porto; a coordenadora-geral de Planejamento, Administração e Gestão, Magalli Henriques; e a diretora substituta Sônia Alfaia.
Glossário
- Rede Bioamazonia: Rede de oito institutos de pesquisa de países amazônicos voltada à produção e compartilhamento de conhecimento científico sobre o bioma.
- Pan-Amazônia: Conjunto dos territórios amazônicos de diferentes países da América do Sul, tratados de forma integrada em pesquisa e política ambiental.
- Inpa: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil.
- OTCA: Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, organismo internacional que reúne os oito países com território na Amazônia.
- Coica: Coordenadora das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica, representação dos povos indígenas da região.
- BID: Banco Interamericano de Desenvolvimento, organismo financeiro multilateral com programas voltados à Amazônia.