- Pesquisadores de Manaus criam novo material que melhora desempenho e segurança de baterias de lítio.
- Estudo usa cerâmica e plástico condutor para acelerar transporte de energia nas baterias recarregáveis.
- Participam cientistas da UFAM, INDT, IFAM, UNIFESP, UNIFAP e universidade da Argentina.
Uma equipe de cientistas de Manaus desenvolveu um novo material que pode melhorar o desempenho das baterias de lítio usadas em celulares, carros elétricos e sistemas de energia limpa. A pesquisa foi publicada neste mês na revista internacional The Journal of Physical Chemistry C, uma das mais respeitadas da área.
O estudo foi conduzido por pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT) e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com apoio de instituições do Brasil e da Argentina. A inovação combina dois materiais já conhecidos: uma cerâmica condutora de íons e um plástico especial que ajuda na estabilidade e flexibilidade.
Como funciona a novidade
O material criado pelos pesquisadores mistura uma cerâmica chamada LLZO com um tipo de plástico condutor chamado POMA. Essa união forma um novo tipo de eletrólito sólido, que é a parte da bateria responsável por transportar os íons de lítio de um lado para o outro — como se fosse uma estrada por onde a energia circula.
Atualmente, muitas baterias usam líquidos inflamáveis para essa função. Já o novo material é sólido e mais seguro, com menos risco de vazamentos ou explosões.
Por que isso importa?
- Mais segurança: O material sólido reduz riscos de incêndio.
- Maior eficiência: A combinação facilita o movimento dos íons de lítio, acelerando o carregamento.
- Maior durabilidade: O novo composto aguenta melhor o calor e o uso constante.
Os testes mostraram que a mistura com 20% de POMA foi a mais eficiente, atingindo uma condutividade até 10 mil vezes maior que o material cerâmico sozinho.
Ciência amazônica com impacto global
O trabalho foi realizado no Laboratório de Materiais Avançados (LPMAT) da UFAM, em Manaus, e contou com colaboração de pesquisadores do IFAM, UNIFESP, UNIFAP e da Universidad Nacional de Tucumán, na Argentina.
Entre os nomes que assinam o artigo estão José Victor Milério e Marcus Valério, do INDT, além de cientistas como Jardson Braz da Silva, Francisco Xavier Nobre, Rannier Mendonça, Eduardo Antonelli, Mônica Tirado, Robert Saraiva Matos, Henrique Duarte da Fonseca Filho, Lianet Aguilera Domínguez e Yurimiler Leyet Ruiz.
Próximos passos
O novo material ainda está em fase de laboratório, mas os resultados são promissores. Os pesquisadores agora estudam formas de produzi-lo em maior escala e testá-lo em baterias reais, usadas em dispositivos e veículos elétricos.
O que é o LLZO e o POMA?
- LLZO: Um tipo de cerâmica usada em baterias por sua capacidade de conduzir íons de lítio.
- POMA: Um tipo de plástico condutor que melhora a flexibilidade e estabilidade do material.
Esse avanço mostra como a Amazônia está na linha de frente da inovação científica global, contribuindo para soluções sustentáveis em energia e tecnologia.
Para ler o artigo completo, cliquei aqui.