- O Pará responde por 50,6% do valor da produção de cacau no Brasil e 97% da produção de dendê, superando a Bahia em ambas as culturas.
- Entre 2023 e 2024, o valor da produção de cacau cresceu 208,3% no país, impulsionado pela eficiência das lavouras paraenses e valorização dos preços.
- As culturas de cacau e dendê reflorestaram mais de 365 mil hectares no estado e capturam mais de 13 milhões de toneladas de CO₂ anualmente.
O Pará consolidou a liderança em duas das principais culturas agrícolas do país: cacau e dendê. Segundo estudos divulgados pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), o estado responde atualmente por 50,6% do valor total da produção de cacau no Brasil e por 97% da produção de dendê, superando pela primeira vez a participação histórica da Bahia na cacauicultura.
Os dados revelam uma transformação estrutural no agronegócio paraense. Entre 2023 e 2024, o valor real da produção de cacau no país saltou 208,3%, impulsionado pela valorização dos preços internacionais e pela eficiência das lavouras do Pará. Em volume, o estado produziu cerca de 300 mil toneladas em 2024, equivalentes a 46,2% da produção nacional, enquanto a Bahia concentrou 46,1%.
Cacau paraense ganha mercado internacional
Municípios da Região de Integração do Xingu, como Medicilândia, Uruará e Placas, lideram o ranking nacional de produção cacaueira. O desempenho regional se reflete também nas exportações: em 2025, as vendas externas de amêndoas brutas cresceram 281,7%. O Japão absorve 94,6% do cacau exportado pelo Pará, que alcançou o preço de US$ 12,0 por quilo no mercado externo, acima da média nacional de US$ 10,3/kg.

“Quando se fala de cacau, muitas vezes a referência nacional é a Bahia. Só que o Pará já superou a Bahia no volume de produção. Hoje, nós somos responsáveis por 46,2% da produção, enquanto a Bahia é responsável por 46,1%. Mas, em se tratando da riqueza gerada pela atividade, o Pará representa mais de 50% da riqueza produzida em território nacional”, afirmou Márcio Ponte, diretor de Estudos e Pesquisas da Fapespa.
Dendê cresce 13 vezes em três décadas
A produção brasileira de dendê registrou expansão expressiva nas últimas décadas. Segundo a nota técnica “A Conjuntura Econômica e Ambiental do Dendê 2026”, o volume nacional saltou de 242,8 mil toneladas em 1988 para 3,2 milhões de toneladas em 2024, crescimento superior a 13 vezes no período. O ritmo se intensificou a partir dos anos 2000 e ganhou força depois de 2018.
Entre 2023 e 2024, a produção brasileira de dendê cresceu 11,2%. O avanço foi fortemente influenciado pelo desempenho do Pará, que ampliou sua produção de 2,8 milhões para 3,1 milhões de toneladas. A concentração é ainda maior no nível municipal: apenas dez municípios paraenses respondem por cerca de 90% do volume produzido no país. Tailândia lidera com quase um terço da produção nacional, seguida por Tomé-Açu e Moju.

Outros estados, como Roraima e Bahia, apresentam crescimento, mas ainda com participação marginal. Juntos, somam menos de 3% da produção brasileira.
Geração de empregos e captura de carbono
A cadeia do dendê concentra 92% dos empregos diretos e indiretos do setor no Brasil, segundo a Fapespa. “Se o Pará é campeão na produção de dendê, com quase 100% da produção nacional, a geração de empregos é também proporcional, com 92% das vagas diretas e indiretas dessa cadeia produtiva”, destacou Márcio Ponte.
No campo ambiental, tanto o cacau quanto o dendê têm desempenhado papel estratégico na recuperação de áreas degradadas. A área reflorestada com cacau no Pará saltou de 38 mil para 165 mil hectares entre 2000 e 2024, permitindo a captura de 19,8 mil toneladas de CO₂ por ano. No caso do dendê, a área reflorestada ultrapassa 200 mil hectares, com capacidade de sequestro de mais de 13 milhões de toneladas de CO₂ em 2024.
“O cacau se adapta de forma excelente a sistemas agroflorestais, que replicam os processos naturais. Essa abordagem se diferencia do modelo de monocultivo, evidenciando o potencial do cacau para restaurar a qualidade da floresta e mantê-la produtiva”, afirmou Marcel Botelho, presidente da Fapespa.
Sobre o dendê, Botelho ressaltou as condições favoráveis do estado: “O dendê é uma cultura que exige uma condição edafoclimática muito específica, e o estado do Pará está nessa faixa de zonas propícias ao cultivo dessa importante cultura para a indústria alimentícia e também para a área de produção de energia. Os biocombustíveis são fundamentais para a redução da pegada de carbono da indústria como um todo”.
Glossário
- Edafoclimática: Conjunto de condições de solo e clima necessárias para o desenvolvimento de determinada cultura agrícola.
- Sistema agroflorestal: Modelo de cultivo que combina espécies agrícolas com espécies florestais, replicando processos naturais e promovendo biodiversidade.
- Pegada de carbono: Total de emissões de gases de efeito estufa causadas direta ou indiretamente por uma atividade, produto ou organização.

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