- Projeto da Fapespa avalia, desde 2023, em Vitória do Xingu e Tomé-Açu, se irrigação no cacau compensa e reduz riscos climáticos.
- A pesquisa compara cacau a pleno sol e em SAF, com e sem água, para orientar crédito, manejo e produtividade.
- Com base em modelos climáticos, o estudo aponta chuvas mais irregulares e reforça a irrigação como estratégia na cadeia do cacau.
Um estudo sobre irrigação no cacau avalia custos e ganhos no Pará. A pesquisa foi aprovada no PlanBio, com apoio da Fapespa, e ocorre desde 2023.
A iniciativa acompanha lavouras na região de Vitória do Xingu, perto de Altamira. Também analisa áreas em Tomé-Açu, em sistemas agroflorestais.
O objetivo é simples e prático. Entender quando irrigar vale a pena.
O que o projeto está medindo
Os pesquisadores comparam plantios com e sem irrigação. Eles fazem isso em condições reais de produção.
Em Vitória do Xingu, o foco é o cacau a pleno sol. A equipe analisa o cacaueiro seminal (Theobroma cacao) em área irrigada e em sequeiro.
Em Tomé-Açu, o foco é o SAF. A comparação ocorre entre um SAF irrigado e outro sem irrigação.
A proposta não discute apenas produtividade. Ela mede também a viabilidade econômica do manejo.
Por que faltam dados para o produtor
Segundo o coordenador, o pesquisador Paulo Jorge Souza, falta informação técnica no campo. Isso atrasa decisões e investimentos.
“A falta de informações técnicas prejudica o avanço da cadeia produtiva no Pará”, afirma o pesquisador. Para ele, isso é grave em um estado líder na produção.
Na prática, a dúvida do produtor é direta. Quanto custa irrigar e quanto retorna.
Essa resposta influencia crédito rural. Bancos e programas pedem números antes de financiar.
Irrigação no cacau e o risco da seca
O projeto parte de um cenário já conhecido na Amazônia. O clima está mais instável e difícil de prever.
Eventos extremos tendem a crescer. Secas mais severas podem ocorrer com mais frequência.
Por isso, os experimentos buscam dados “pé no chão”. A equipe quer orientar produtores, especialmente os pequenos.
A lógica é reduzir perda em anos ruins. E melhorar rendimento em anos regulares.
O que modelos climáticos sugerem para as chuvas
Modelos climáticos indicam mudanças no regime de chuvas na América do Sul. O projeto cita cenários com alterações importantes nas próximas décadas.
Projeções com o cenário RCP 8.5 no modelo Eta-HadGEM2-ES sugerem redução expressiva das chuvas do Norte ao Centro-Sul do Brasil. Ao mesmo tempo, apontam aumento no extremo Sul do continente e no Noroeste da Amazônia.
Simulações com o modelo regional RegCM4 também reforçam maior irregularidade. Elas indicam menos chuva nos meses mais secos e mais chuva nos períodos chuvosos na Amazônia oriental.
Esse padrão preocupa culturas perenes. O cacau precisa de água regular por anos.
Com isso, a irrigação no cacau pode virar ferramenta de segurança. Especialmente onde a estiagem já pesa no bolso.
Para entender mais sobre cenários climáticos, uma referência pública é a página do IPCC. No Brasil, o INPE reúne pesquisas sobre clima e Amazônia.
Como o estudo é feito nas fazendas
O monitoramento ocorre com experimentos de campo. As áreas ficam em produção, com manejo acompanhado.
Os dados incluem resposta agronômica do cacaueiro. Também entram custos, operação e retorno estimado.
A equipe procura responder dúvidas comuns. Por exemplo, quando irrigar e em qual sistema.
- Diferença de produtividade entre irrigado e sequeiro
- Necessidade de água em fases do cacaueiro
- Impacto do clima local no manejo
- Quando o investimento se paga
O estudo também ajuda a evitar erros caros. Irrigar sem estratégia pode elevar custos sem retorno.
Resultados e devolutiva ao produtor em 2025
Em 2025, o grupo ISPAAM levou resultados a congressos. Eles participaram do CBAgro, em Porto Alegre, e do SIC, em Belém.
Nesses eventos, estudantes apresentaram trabalhos ligados ao projeto. Isso inclui resultados de pesquisa aplicada ao campo.
O projeto também esteve em eventos do setor. Um exemplo foi a Feira do Cacau e Chocolate Amazônia.
No primeiro semestre de 2025, houve três defesas de mestrado na UFRA. Os estudos receberam apoio da iniciativa.
Em dezembro de 2025, ocorreu um encontro em Altamira. Cerca de 100 produtores participaram da apresentação de resultados.
Segundo a equipe, os presentes receberam uma cartilha técnica. O material reúne informações essenciais para o manejo hídrico.
- Demanda hídrica do cacaueiro
- Coeficientes culturais usados no manejo
- Impactos da irrigação na produtividade
- Indícios de viabilidade econômica na região
O papel da Fapespa e do PlanBio
O pesquisador Paulo Souza destaca o papel do financiamento. Para ele, a Fapespa viabiliza dados que o Pará ainda não tinha.
Ele afirma que a pesquisa dialoga com o Plano de Bioeconomia. O foco é gerar conhecimento para fortalecer cadeias produtivas.
Essa conexão é importante para políticas públicas. Sem evidência local, decisões ficam no “achismo”.
Mais informações institucionais podem ser encontradas na página da Fapespa. A consulta ajuda a entender linhas de apoio e chamadas.
Cacau, renda e produção sustentável
O presidente da Fapespa, Marcel Botelho, reforça o peso do cacau no Pará. Ele destaca a ligação com agricultura sustentável.
Ele lembra que o cacau pode crescer em sistemas agroflorestais. Esses sistemas imitam parte da estrutura de uma floresta.
Isso tende a reduzir pressão sobre a biodiversidade. Também pode diversificar renda na propriedade.
Outro ponto é o emprego. A colheita exige mão de obra e movimenta a economia local.
O que esperar daqui pra frente
O próximo passo é transformar dados em orientação direta. Isso inclui recomendações claras para cada arranjo produtivo.
Se a viabilidade econômica se confirmar, o impacto vai além da fazenda. Pode influenciar crédito, assistência técnica e políticas estaduais.
Com chuvas mais irregulares, o tema deve ganhar urgência. A irrigação no cacau pode virar estratégia-chave na Transamazônica.
Glossário
- PlanBio: Plano de Bioeconomia do Pará, que financia ações e pesquisas ligadas a cadeias sustentáveis.
- Fapespa: Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas, órgão de fomento do Pará.
- Agrometeorologia: Área que estuda clima e seus efeitos na agricultura.
- Sequeiro: Cultivo sem irrigação, dependente das chuvas.
- SAF: Sistema agroflorestal, que combina culturas agrícolas com árvores.
- RCP 8.5: Cenário usado em projeções climáticas com altas emissões de gases de efeito estufa.
- RegCM4: Modelo climático regional usado para simular mudanças no clima em áreas específicas.
- Coeficiente cultural: Fator técnico usado para estimar necessidade de água de uma cultura.
Últimas notícias
UFRR abre 29 vagas em mestrados de Computação e Antropologia
Ufam, INPA e Instituto Mamirauá firmam parceria para impulsionar ciência na Amazônia
Pesquisadores do AM avançam no desenvolvimento de Microgeradores piezoelétricos
Comentário