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<li>Projeto SDIA da Ufra criou inteligência artificial para rastrear atrasos no desenvolvimento infantil na Amazônia paraense.</li>
<li>Software gratuito capacitou 50 profissionais e foi testado no Centro de Referência em Educação Infantil Orlando Bitar.</li>
<li>Aplicativo acessível por internet identifica crianças em alerta ou atraso seguindo protocolos do Ministério da Saúde.</li>
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Pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) desenvolveram uma inteligência artificial para rastrear atrasos no desenvolvimento de crianças paraenses. O Sistema Inteligente para a Promoção do Desenvolvimento Infantil (SDIA) auxilia profissionais de saúde, educadores e famílias a identificar déficits na primeira infância.

O projeto foi financiado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa). A execução ficou sob responsabilidade da Fundação Guamá e do Núcleo de Pesquisas em Computação Aplicada da Ufra.

Como funciona a tecnologia desenvolvida

O software emula conhecimentos do Manual de Crescimento do Ministério da Saúde (2002) e da Caderneta da Criança do SUS. Por meio de perguntas e respostas, o sistema indica se o desenvolvimento está em dia, em alerta ou em atraso.

“Com a ajuda desse artefato tecnológico, profissionais das redes de apoio terão a possibilidade de identificar crianças, ainda no período da primeira infância, que podem estar com seu desenvolvimento em atraso”, explica o coordenador do projeto, professor Marcus Braga.

A ferramenta se alinha com a Lei Brasileira de Inclusão (LBI). Pode ser acessada por qualquer dispositivo conectado à internet. Não exige instalação ou download.

Por que o projeto surgiu na Amazônia

A demanda veio do Governo do Estado do Pará. O Artigo 208 da Constituição Federal determina suporte a crianças com atrasos no desenvolvimento. No entanto, muitas não são identificadas.

Crianças de baixa renda sofrem mais com a falta de diagnóstico. Aquelas em situação de vulnerabilidade raramente fazem acompanhamento médico periódico. O SDIA oferece uma solução prática para este problema social.

“Quando aplicado a uma quantidade significativa de crianças, será possível ter um panorama do atraso no desenvolvimento delas”, define Braga.

Capacitação de professores no Centro Orlando Bitar

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) articulou a capacitação de profissionais. Cinquenta educadores do Centro de Referência em Educação Infantil Orlando Bitar receberam treinamento intensivo.

O curso abordou os seguintes tópicos:

  • Desenvolvimento infantil na primeira infância
  • Uso da Caderneta da Criança do SUS
  • Conceitos básicos de inteligência artificial
  • Operação prática do aplicativo SDIA

Após o treinamento, as professoras aplicaram testes com alunos. O sistema entregou resultados imediatos. Os registros ficam armazenados para acesso posterior pelas autoridades competentes.

Validação científica garante credibilidade

A solução foi validada em conferências científicas internacionais. O protótipo está pronto para ser escalado em redes de ensino. Poucas adequações são necessárias para implementação ampla.

O desenvolvimento durou dois anos e gerou resultados expressivos:

  • Dois artigos científicos nacionais
  • Um artigo internacional
  • Software registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi)
  • Aplicativo protótipo funcional

Quem pode usar o aplicativo gratuitamente

“Temos uma ferramenta robusta, fácil de se usar, pois é intuitiva, e que pode dar o indicativo de avaliação da criança quanto ao desenvolvimento”, afirma Braga.

Professores podem utilizar o aplicativo gratuitamente. A equipe estuda expandir o acesso para outros públicos. Unidades de saúde, serviços de assistência social e os próprios pais poderão usar a tecnologia.

O objetivo é identificar crianças com desenvolvimento fora do ideal. Elas receberão atendimento e suporte adequados. A inclusão plena na sociedade se torna possível.

Infraestrutura do Núcleo em Paragominas

O Núcleo de Pesquisas em Computação Aplicada (NPCA) fica localizado em Paragominas. O grupo investiga técnicas de computação aplicada por meio de projetos de longo prazo.

“Com apoio da Fapespa conseguimos adquirir servidores computacionais de alto desempenho e todo o equipamento necessário para o desenvolvimento contínuo destes trabalhos, além de bolsas para professores e alunos desenvolverem suas atividades científicas”, informa Braga.

Recursos computacionais vieram de financiamentos anteriores da Fapespa. Essa infraestrutura permite participação em pesquisas estratégicas no Estado.

Impactos para a Amazônia

O presidente da Fapespa, Marcel Botelho, destacou a importância da pesquisa. “O Pará, no governo Helder e Hanna, tem se preocupado bastante com o desenvolvimento de nossas crianças e o cuidado especial que elas precisam ter”, avalia.

Segundo Botelho, a Fapespa fomenta pesquisas que respondem desafios sociais. O SDIA traz insights importantes para creches e escolas. “É dessa forma que a Fapespa contribui para o desenvolvimento e qualidade de vida da população paraense como um todo, em especial das nossas crianças.”

O coordenador reforça a importância do investimento. “Veja, para este projeto entregar um protótipo, foram necessários dois anos de estudos e é assim que a tecnologia emerge, com estudo, pesquisa, testes, erros, correções”, afirma Marcus Braga. Sem o apoio da Fapespa, a pesquisa não teria sido desenvolvida.

A ferramenta oferece uma resposta concreta para identificação precoce de déficits. Crianças amazônidas ganham oportunidades reais de desenvolvimento pleno. O SDIA representa um avanço significativo na promoção da inclusão e equidade educacional no Pará.

Glossário

  • SDIA: Sistema Inteligente para a Promoção do Desenvolvimento Infantil, software de inteligência artificial para rastrear atrasos no desenvolvimento de crianças.
  • Fapespa: Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas, instituição que fomenta pesquisas científicas no Pará.
  • Ufra: Universidade Federal Rural da Amazônia, instituição pública de ensino superior responsável pela pesquisa.
  • LBI: Lei Brasileira de Inclusão, legislação que garante direitos de pessoas com deficiência.
  • NPCA: Núcleo de Pesquisas em Computação Aplicada, grupo de pesquisa da Ufra localizado em Paragominas.
  • Inpi: Instituto Nacional da Propriedade Industrial, órgão federal responsável por registro de patentes e softwares.

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