- Fapeam lança edital de R$ 1,5 milhão para desenvolver tecnologias digitais voltadas ao ecoturismo em comunidades do interior do Amazonas, com prazo até 9 de abril
- Programa Painter Ecoturismo integra pacote de 13 editais que totalizam R$ 33 milhões, sendo cinco inéditos, consolidando investimento de R$ 1 bilhão em CT&I no estado
- Iniciativa prevê financiamento de até 15 projetos para criar soluções de conectividade, preservação ambiental, capacitação comunitária e fortalecimento da bioeconomia regional
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) lançou o Edital nº 007/2026, que destina R$ 1,5 milhão ao desenvolvimento de tecnologias digitais voltadas ao ecoturismo em comunidades do interior do Amazonas. O Programa Painter Ecoturismo é uma das cinco iniciativas inéditas anunciadas pela fundação.
As propostas podem ser submetidas até 9 de abril de 2026. O programa prevê financiar até 15 projetos de pesquisadores mestres e doutores vinculados a instituições de ensino superior e pesquisa localizadas no interior do estado.
Recursos e modalidades de apoio
O edital oferece duas faixas de financiamento. A Faixa A, voltada a pesquisadores mestres, disponibiliza até R$ 85 mil por projeto. Já a Faixa B, destinada a doutores, oferece até R$ 110 mil por proposta.
Os recursos podem ser aplicados em capital, custeio e bolsas. Cada projeto pode solicitar uma bolsa de Apoio Técnico nível I ou II, com vigência de 24 meses. Os valores das bolsas devem estar incluídos no orçamento total da proposta.
As despesas financiáveis incluem material permanente, equipamentos, passagens, diárias, serviços de terceiros e publicação de artigos científicos. Não são permitidos gastos com obras civis, contratação de pessoal administrativo ou realização de eventos.
Eixos temáticos e prioridades
O programa está estruturado em três eixos temáticos obrigatórios. O primeiro foca em experiências turísticas inovadoras, com uso de tecnologias imersivas, assistivas e soluções de conectividade adaptadas à realidade do interior.
O segundo eixo aborda desenvolvimento econômico e capacitação local. As propostas devem promover bioeconomia, gestão financeira, alfabetização digital e autonomia tecnológica das comunidades ribeirinhas e indígenas.
Já o terceiro eixo prioriza preservação e monitoramento ambiental. Projetos nessa linha devem desenvolver soluções para energia limpa, gestão de resíduos, mobilidade sustentável e monitoramento de impactos do turismo na floresta.
Critérios de seleção e julgamento
A análise das propostas será realizada em três etapas. Primeiro, a equipe técnica da Fapeam verificará o enquadramento documental e institucional dos projetos submetidos.
Em seguida, consultores ad hoc ou Comitê de Especialistas avaliarão o mérito técnico-científico. A pontuação máxima é de 110 pontos, distribuídos em dez critérios, incluindo relevância, originalidade, adequação metodológica e potencial de impacto nas comunidades.
Por fim, o Conselho Diretor da Fapeam aprova e homologa os projetos recomendados, conforme disponibilidade orçamentária. O resultado preliminar será divulgado a partir de maio, e o resultado final em agosto de 2026.
Requisitos para participação
Os proponentes devem ser brasileiros ou estrangeiros com visto permanente, residentes no interior do Amazonas. É obrigatório ter título de mestre ou doutor e vínculo formal com instituição de ensino ou pesquisa no estado.
O cadastro no Banco de Pesquisadores da Fapeam e no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq deve estar atualizado em 2026. Os proponentes também precisam estar adimplentes com a Fapeam e demais órgãos públicos.
A documentação exigida inclui carta de anuência da instituição, diploma de mestrado ou doutorado, currículo Lattes atualizado e formulário de proposta complementar. Mulheres que se tornaram mães nos últimos cinco anos têm direito a período adicional na análise de produtividade científica.
Maior pacote de fomento da história
O edital Painter Ecoturismo integra o maior pacote de fomento à ciência e tecnologia já anunciado pela Fapeam. Os 13 editais lançados simultaneamente totalizam R$ 33 milhões, com expectativa de atingir R$ 81 milhões até o final do semestre.
Segundo o governador Wilson Lima, o investimento consolida a marca de R$ 1 bilhão aplicados em CT&I no Amazonas desde 2019. “Nunca se investiu tanto em ciência, pesquisa e inovação no Amazonas”, afirmou o gestor durante o lançamento dos editais.
Outros programas inéditos anunciados incluem o Provida-AM, com R$ 1,5 milhão para pesquisas em saúde, o Articula Bio CT&I, que investe R$ 8 milhões em bioeconomia, e o Deep Techs, com R$ 1 milhão para startups de tecnologia avançada.
Por que isso importa
A iniciativa representa um avanço estratégico na valorização da Amazônia em pé. Ao combinar tecnologia, preservação ambiental e desenvolvimento local, o programa fortalece a autonomia econômica de comunidades tradicionais e promove alternativas sustentáveis ao desmatamento.
O fomento à inovação no ecoturismo também amplia o acesso à conectividade e alfabetização digital em áreas remotas, reduzindo desigualdades regionais. A articulação entre saberes tradicionais e ferramentas tecnológicas posiciona o Amazonas como referência nacional em bioeconomia e turismo sustentável.
Os projetos aprovados terão 24 meses de execução e deverão apresentar relatórios técnicos parciais e finais. Toda publicação científica ou divulgação resultante deve citar obrigatoriamente o apoio da Fapeam, sob pena de devolução dos recursos concedidos.
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