- Doutoranda da UEA é premiada por estudo sobre peçonhas de escorpiões amazônicos e sua história natural.
- Pesquisa usa infraestrutura do CMABio-UEA para analisar toxinas por microscopia, proteômica, metabolômica e bioprospecção.
- Resultados ampliam o conhecimento sobre biodiversidade, apoiam a vigilância em saúde e abrem caminho para aplicações biotecnológicas.
A doutoranda Jéssica Araújo Marques, do Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais e Infecciosas da Universidade do Estado do Amazonas (PPGMT/UEA), conquistou o 3º lugar na Categoria II com a imagem científica “História natural e bioquímica de peçonhas de escorpiões Tityus Koch, 1836 da Amazônia brasileira”. A premiação reconhece um estudo que analisa a biodiversidade de escorpiões amazônicos, a distribuição desses animais em áreas urbanas e o potencial biotecnológico de suas toxinas.
O trabalho de Jéssica integra as pesquisas em doenças tropicais desenvolvidas pela Universidade do Estado do Amazonas, instituição pública de ensino superior com foco em ciência e inovação na Região Norte. A pesquisa busca compreender a história natural dos escorpiões do gênero Tityus na Amazônia brasileira e caracterizar a bioquímica das peçonhas, com atenção especial às toxinas com possível aplicação farmacológica.
Além de ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica, o estudo investiga como esses escorpiões se distribuem em ambientes urbanos, informação estratégica para vigilância em saúde e prevenção de acidentes por animais peçonhentos. O mapeamento de espécies e de áreas de ocorrência pode apoiar políticas públicas de controle e orientar ações de educação em saúde.
Centro multiusuário fortalece pesquisa biomédica na Amazônia
A pesquisa premiada também evidencia a atuação do Centro Multiusuário para Análise de Fenômenos Biomédicos da UEA (CMABio-UEA), estrutura voltada ao fortalecimento da pesquisa biomédica e biotecnológica na região amazônica. O centro reúne equipamentos de microscopia de alta resolução, plataformas de bioimagem, além de laboratórios de proteômica, metabolômica e bioprospecção.
Essa infraestrutura permite análises detalhadas de moléculas presentes nas peçonhas, identificação de toxinas com potencial terapêutico e estudos multidisciplinares em áreas como saúde, biotecnologia, biomateriais e biodiversidade amazônica. Estruturas desse tipo são consideradas estratégicas por órgãos de fomento como o CNPq e a Fapeam para consolidar redes de pesquisa na região Norte.
Para a doutoranda, a premiação simboliza o reconhecimento da produção científica feita na Amazônia em condições muitas vezes desafiadoras.
“É uma honra imensurável receber essa premiação. A conquista representa não apenas o reconhecimento da minha trajetória acadêmica, mas também uma forma de mostrar que, mesmo diante dos desafios, a pesquisa no Norte acontece, resiste e produz resultados relevantes para o avanço da ciência”, finalizou Jéssica Araújo Marques.
Glossário
- Peçonha: Secreção tóxica produzida por alguns animais, como escorpiões e serpentes, injetada por estruturas especializadas, como ferrões ou presas.
- Proteômica: Área da biologia que estuda o conjunto de proteínas produzidas por uma célula, tecido ou organismo, incluindo estrutura, função e interações.
- Metabolômica: Estudo sistemático dos metabólitos, pequenas moléculas produzidas pelo metabolismo de células e organismos, usado para entender processos biológicos e doenças.
- Bioprospecção: Pesquisa sistemática de organismos e moléculas da biodiversidade para identificar compostos com potencial uso em saúde, indústria ou agricultura.
