• O IDESAM lança o Desafio Bioinovação Amazônia, chamada internacional com R$ 450 mil em prêmios para soluções em alimentos, cosméticos e novos materiais.
  • O programa seleciona 25 inovadores amazônicos e 25 especialistas globais em P&D, que formam equipes e passam por quatro fases, incluindo 15 dias de imersão na Amazônia.
  • A bioeconomia amazônica ganha um mecanismo concreto de acesso a mercados: a chamada financia validação tecnológica, oferece bolsas e conecta projetos a investidores e compradores industriais.

O Instituto para Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), com apoio financeiro do Bezos Earth Fund, o Desafio Bioinovação Amazônia, chamada internacional que busca desenvolver produtos e processos nos setores de alimentos, cosméticos e novos materiais a partir da biodiversidade da floresta. As inscrições ficam abertas até 30 de junho de 2026. Veja o edital completo no final.

A iniciativa seleciona dois perfis complementares: inovadores com experiência prática na bioeconomia amazônica e especialistas globais em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Cada inovador é pareado com um especialista para formar uma equipe. Ao todo, serão formadas 25 equipes, das quais dez avançam para uma fase de validação com imersão presencial na região e seis meses de suporte técnico e financeiro. Ao final, as três melhores recebem prêmios em dinheiro de R$ 200 mil, R$ 150 mil e R$ 100 mil, respectivamente.

Seis desafios, uma floresta em pé

O programa organiza as propostas em torno de seis desafios tecnológicos, todos desenvolvidos em parceria com comunidades da Terra do Meio, no Pará, e com a Coopeacre, no Acre. As espécies priorizadas incluem açaí, castanha do Brasil, andiroba, copaíba, murumuru, buriti, babaçu e borracha amazônica.

Os desafios cobrem desde a produção de compostos bioativos a partir de óleos vegetais (Desafio 1) e a padronização oleoquímica para mercados premium (Desafio 4), até a conversão de resíduos de frutas em ingredientes industriais (Desafio 3) e o controle sanitário da cadeia de castanha do Brasil para reduzir rejeições de exportação (Desafio 6). Há também um desafio voltado ao látex amazônico, explorando sua conversão em biomateriais de alto valor, como embalagens biodegradáveis e elastômeros funcionais (Desafio 5).

As soluções podem atacar duas frentes: fortalecer a produção e o controle de qualidade nos próprios territórios comunitários (Área prioritária 1) ou desenvolver novos ingredientes e produtos prontos para o mercado global (Área prioritária 2).

Quem pode se inscrever e como funciona a seleção

Para o perfil de inovador, os critérios obrigatórios incluem nacionalidade brasileira, vínculo comprovado com a Amazônia, experiência com ao menos uma das espécies priorizadas e disponibilidade para a imersão presencial de 15 dias. O programa dá preferência a propostas situadas entre os níveis TRL 3 e 4, que correspondem à fase de prova de conceito e validação em ambiente controlado. Candidatos sem empresa formalmente constituída também têm preferência.

Para o perfil de especialista em P&D, a chamada é aberta a qualquer nacionalidade. Exige-se experiência profissional comprovada nos setores de cosméticos, alimentos ou novos materiais, além de disponibilidade mínima de 12 horas mensais de mentoria ao longo de oito meses. A participação na imersão presencial é opcional para esse perfil, mas tratada como diferencial.

As inscrições são individuais e devem ser feitas pelo site oficial da chamada. Os documentos exigidos são: carta de intenção (PDF, até duas páginas), vídeo de apresentação de até três minutos em plataforma pública, currículo Lattes ou profissional e diploma do mais alto grau acadêmico.

Jornada em quatro fases, com imersão em novembro

O processo está dividido em quatro etapas. A Fase 1 cobre a seleção individual, com análise de documentos e possível entrevista, com divulgação dos selecionados em 22 de julho. A Fase 2, online, reúne inovadores e especialistas para workshops sobre bioeconomia, sessões de mentoria e o desenvolvimento de uma proposta inicial, finalizada com uma apresentação (Pitchday) em 29 de setembro.

As dez equipes mais bem avaliadas avançam para a Fase 3, que começa com 15 dias de imersão presencial: dez dias em Manaus, com workshops, apoio ao design experimental e participação no Festival de Investimento de Impacto e Negócios Sustentáveis (Fiinsa), e cinco dias em uma comunidade rural ligada à cadeia produtiva do desafio escolhido. Todos os custos de viagem e hospedagem são cobertos pelo programa.

Na sequência, as equipes têm seis meses de validação online, com suporte do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA). Cada equipe recebe R$ 100 mil para cobrir custos de materiais, reagentes e testes. Os inovadores selecionados para essa fase recebem bolsas mensais entre R$ 3.500 e R$ 7.500, conforme o nível de escolaridade. Os especialistas em P&D recebem entre US$ 650 e US$ 1.300 por mês, dependendo do número de inovadores que acompanham.

A Fase 4 prevê a apresentação final dos protótipos e planos de negócio para um painel de avaliação independente, com cerimônia de premiação entre maio e julho de 2027. Os vencedores também se tornam parceiros da Zôma, venture builder do Idesam, com acesso a suporte jurídico, redes de mercado e apoio estratégico continuado.

Propriedade intelectual permanece com o inovador

O regulamento é explícito: toda propriedade intelectual gerada durante o Desafio pertence ao inovador. Os especialistas em P&D podem ser reconhecidos como inventores pela contribuição técnica, mas cedem os direitos econômicos integralmente. O programa também oferece suporte para que as equipes regularizem o registro no SisGen, sistema exigido pela Lei da Biodiversidade (nº 13.123/2015), e estruturem acordos de repartição de benefícios com as comunidades fornecedoras de recursos genéticos ou conhecimento tradicional.

A governança da chamada é conduzida por dois comitês: o Comitê de Gestão e Monitoramento, formado pelo Idesam e parceiros, e o Painel de Avaliação Independente, composto por especialistas da indústria, da ciência e das comunidades tradicionais. As decisões de ambos os comitês são finais.

Dúvidas podem ser enviadas para selecao.zoma@idesam.org. O regulamento completo está disponível no edital abaixo.

Edital

Glossário

  • TRL (Technology Readiness Level): Escala de 1 a 9 que mede a maturidade de uma tecnologia, do conceito básico (TRL 1) à aplicação comercial plena (TRL 9). O programa prioriza propostas nos níveis TRL 3 e 4.
  • P&D: Pesquisa e Desenvolvimento. Área profissional voltada à criação e melhoria de produtos, processos e tecnologias.
  • SisGen: Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado. Plataforma federal obrigatória para registro de acesso à biodiversidade brasileira.
  • IDESAM: Instituto para Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. Organização da sociedade civil com sede em Manaus, responsável pela iniciativa.
  • Bioeconomia: Modelo econômico baseado no uso sustentável de recursos biológicos renováveis para geração de produtos, processos e serviços.
  • Venture builder (ou geradora de negócios): Organização que cria, valida e acelera múltiplos negócios simultaneamente. No caso, a Zôma é a venture builder do IDESAM.
  • FIINSA: Festival de Investimento de Impacto e Negócios Sustentáveis. Evento em Manaus onde as equipes do programa apresentam suas propostas a investidores.

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