- Estudo da Embrapa testa alho contra parasitas do pirarucu.
- Tratamento reduziu até 77% dos protozoários tricodinídeos.
- Alho mostrou eficácia sem causar toxicidade nos peixes.
- Uso do alho pode tornar a piscicultura mais sustentável.
Pesquisadores da Embrapa Pesca e Aquicultura, no Tocantins, comprovaram a eficácia de cápsulas de alho no combate a parasitas que afetam alevinos de pirarucu (Arapaima gigas). O tratamento natural demonstrou ser uma alternativa viável para reduzir perdas na piscicultura, melhorar o bem-estar dos peixes e diminuir o uso de produtos químicos.
O estudo foi publicado na revista científica Veterinary Parasitology e contou com a parceria da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), com financiamento do Sebrae.
Alho reduz parasitas em alevinos de forma segura
As cápsulas de alho, vendidas em farmácias, foram testadas em diferentes concentrações (2,5 mg/L a 10 mg/L) por quatro dias em banhos estáticos. Os resultados mostraram redução significativa de dois parasitas comuns:
- Tricodinídeos (protozoários unicelulares)
- Dawestrema cycloancistrium (verme das brânquias)
Para os tricodinídeos, a dosagem de 5 mg/L alcançou 77% de eficácia. Já os monogeneas apresentaram redução de 33,5% a 42,9%, mesmo com doses baixas.
Como a pesquisa foi conduzida
Os peixes naturalmente infectados foram expostos ao alho por 96 horas. Após esse período, os pesquisadores coletaram sangue e muco dos alevinos para análise microscópica. Um corante especial foi usado para identificar os protozoários mortos.
Segundo a coordenadora do estudo, Patricia Oliveira Maciel Honda, “as menores doses já foram eficazes e sem toxicidade”.
Quando aplicar o tratamento com alho?
O momento ideal é durante o treinamento alimentar, quando os alevinos são colocados em caixas d’água para aprender a comer ração. Nessa fase, é comum a presença de parasitas.
Também é recomendado o uso profilático de alho antes do transporte dos peixes, quando o estresse pode reduzir a imunidade.
“Quando são identificados peixes com sintomas clínicos, o ideal é descartá-los e tratar o restante do lote”, alerta a pesquisadora.
Estudo não identificou efeitos adversos
Durante os testes, não houve mortalidade ou alterações comportamentais nos peixes tratados. Apesar do potencial efeito imunoestimulante do alho, esse benefício não foi observado nos alevinos.
“O óleo de alho demonstrou ser eficaz no controle desses parasitas, especialmente na concentração de 5,0 mg/L”, destaca Maciel.
Sal de cozinha também é eficaz
Em estudo anterior, a pesquisadora testou o uso de cloreto de sódio (sal de cozinha) contra o mesmo verme das brânquias. Os resultados mostraram eficácia de:
- 91% nos banhos curtos (12 g/L por 4 horas)
- 99% nos banhos longos (10 g/L por 24 horas), mas com maior mortalidade
O triclorfon, um produto químico, também foi testado, mas apresentou maior toxicidade.
Fitoterápicos ganham espaço na aquicultura
Além do alho, outras plantas têm sido estudadas como alternativas naturais. Pesquisa da Embrapa Amapá testou óleos essenciais de três espécies do gênero Piper no controle de monogeneas no tambaqui:
- P. callosum e P. hispidum: eficazes
- P. marginatum: sem efeito significativo
O estudo foi conduzido em parceria com a Universidade Federal do Amapá (Unifap) e a Embrapa Amazônia Ocidental, com apoio do CNPq.
Glossário
- Monogenea: Verme parasita que vive nas brânquias dos peixes.
- Tricodinídeos: Protozoários unicelulares que afetam a pele e brânquias.
- Banho estático: Técnica onde o peixe é mantido em água tratada por tempo prolongado.