A Iniciativa Amazônia+10, criada em junho de 2022, mobilizou R$ 162,9 milhões para pesquisa na Amazônia em três anos – Fotos: Divulgação/Fapespa
  • A Iniciativa Amazônia+10, criada em junho de 2022, mobilizou R$ 162,9 milhões para pesquisa na Amazônia em três anos.
  • Foram financiados 61 projetos, 25 workshops internacionais e mais de 1.950 pesquisadores e colaboradores envolvidos.
  • No Pará, 17,2% dos pesquisadores estão vinculados a instituições paraenses, com destaque para a UFPA, que concentra 124 pesquisadores.
  • O mapeamento registrou 243 artigos científicos, 2 patentes, 89 dissertações e 27 teses de doutorado em cerca de dois anos de resultados.
  • A Fapespa coordena os financiamentos no Pará, e 43% dos pesquisadores da iniciativa nasceram na Amazônia Legal.

A Iniciativa Amazônia+10 completa três anos com um balanço expressivo: R$ 162,9 milhões mobilizados, 61 projetos de pesquisa financiados, 25 workshops internacionais realizados e mais de 1.950 pesquisadores e colaboradores envolvidos em todas as unidades federativas do Brasil e em outros seis países. O levantamento, divulgado pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), consolida a iniciativa como o maior conjunto coordenado de financiamentos à ciência, tecnologia e inovação já realizado na Amazônia.

Criada em junho de 2022, a Amazônia+10 nasceu com um propósito claro: aumentar o financiamento à ciência, tecnologia e inovação (CT&I) na Amazônia, reduzir desigualdades regionais no acesso a recursos e garantir o protagonismo de pesquisadores e instituições científicas e tecnológicas amazônidas. Em três anos, lançou três chamadas próprias de financiamento à pesquisa e contou com mais quatro chamadas lançadas por parceiros internacionais, reunindo 16 parceiros nacionais e internacionais e as 25 Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) integrantes.

Pará lidera participação na iniciativa

O estado do Pará ocupa posição de destaque na rede da Amazônia+10. 17,2% dos pesquisadores da iniciativa estão vinculados a instituições paraenses, ante 14,7% de São Paulo e 12,7% do Amazonas. Das dez instituições com mais pesquisadores na iniciativa, seis estão na Amazônia Legal. A Universidade Federal do Pará (UFPA) lidera com 124 pesquisadores vinculados, seguida pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), com 41 pesquisadores.

Nas duas chamadas realizadas, o protagonismo paraense também se reflete na seleção dos projetos. Na primeira chamada, 20 dos 39 projetos aprovados contaram com participação ou coordenação de pesquisadores vinculados a universidades paraenses. Na segunda chamada, voltada a expedições científicas, 13 das 22 propostas selecionadas têm pesquisadores paraenses e recebem financiamento da Fapespa. As conexões institucionais mais fortes identificadas no mapeamento são Pará-São Paulo, Amazonas-Pará e Pará-Paraná.

Resultados com impacto em políticas públicas

Entre os projetos mapeados, 10 já têm impacto verificado em políticas públicas. Um dos casos mais emblemáticos é o projeto “Partilha da água e resiliência de um sistema sócio-ecológico único na Volta Grande do Xingu”, coordenado por pesquisadores da UFPA, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e da Universidade de São Paulo (USP). No Pará, a coordenação é da pesquisadora Janice Cunha. Com base nos dados de monitoramento dos Juruna levantados pelo projeto, o Ibama considerou a vazão da barragem insuficiente e obrigou a Norte Energia a aumentar temporariamente a vazão do rio, além de exigir novos estudos de impacto ambiental.

Outro resultado concreto é a patente registrada pelo projeto BIORE-AMAZONIA, coordenado pela pesquisadora da UFPA Luiza Helena Silva. O projeto desenvolve processos sustentáveis para extração de óleos essenciais e moléculas bioativas de frutos amazônicos, por meio de uma rede colaborativa entre universidades, empresas, produtores e comunidades. Ao todo, a iniciativa contabiliza 2 patentes registradas, 243 artigos científicos, 89 dissertações de mestrado, 27 teses de doutorado e 165 equipamentos científicos adquiridos ou instalados.

Duas chamadas, dois estágios distintos

A 1ª Chamada financiou 39 projetos com cerca de R$ 54 milhões mobilizados pelas FAPs participantes e mais de 1.200 pesquisadores envolvidos. Com execução prevista até 2026, os projetos focam nos problemas atuais da Amazônia e na construção de soluções de desenvolvimento sustentável, em parceria com atores locais e formuladores de políticas públicas.

A 2ª Chamada de Expedições Científicas, com início das atividades em 2025, financiou 22 projetos com cerca de R$ 95 milhões mobilizados e 24 agências financiadoras envolvidas. Voltada a áreas remotas e pouco estudadas da Amazônia, a chamada teve como obrigatoriedade a participação de representantes de comunidades tradicionais nas equipes de pesquisa, a catalogação de material coletado em acervos regionais e ações de devolutiva científica aos territórios. Segundo o Confap, dos R$ 59,2 milhões previstos na chamada, R$ 30 milhões foram alocados pelo CNPq exclusivamente para pesquisadores vinculados a instituições da Amazônia Legal.

Diversidade e formação de talentos

O mapeamento das duas chamadas revela um perfil inclusivo entre os pesquisadores e bolsistas envolvidos. O conjunto geral de pesquisadores é composto por 52,8% de mulheres e 43,2% de pretos, pardos e indígenas. Entre os bolsistas, a representatividade é ainda maior: 57% são mulheres e 51,5% são pretos, pardos e indígenas. Já foram disponibilizadas 102 bolsas de iniciação científica, 104 de mestrado, 80 de doutorado e 119 de pós-doutorado.

Foram financiados 61 projetos, 25 workshops internacionais e mais de 1.950 pesquisadores e colaboradores envolvidos.

Ao todo, 43% dos pesquisadores da iniciativa nasceram na Amazônia Legal, com destaque para pesquisadores de Belém e Manaus. Também foram realizados 20 workshops bilaterais com parceria Brasil-Reino Unido, 5 workshops trilaterais envolvendo Brasil, França e Guiana Francesa, além do financiamento de 12 fellowships para pesquisadores da Amazônia Legal no Reino Unido. A rede reúne 171 instituições, sendo 133 Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICTs), em 7 países.

Fapespa e o papel do Confap

No Pará, a Fapespa coordena e amplia os financiamentos da iniciativa com recursos do Governo do Estado. Para Marcel Botelho, presidente da Fapespa e do Confap, a dimensão do programa vai além dos números:

“A iniciativa Amazônia+10 é sem dúvida o maior conjunto de ações de financiamento para pesquisas na região já realizada de forma coordenada. Os resultados vão muito além das pesquisas em si. Temos a formação de redes e grupos de pesquisadores, temos o protagonismo, temos a internacionalização, temos a valorização e temos o sentimento de pertencimento e se importar com os problemas e soluções das nossas realidades, a realidade amazônica!”

A expectativa para os próximos anos é que o monitoramento contínuo dos projetos gere evidências capazes de subsidiar políticas públicas e iniciativas concretas nos territórios amazônicos, fortalecendo capacidades locais em CT&I e ampliando a atuação em rede entre diferentes estados e instituições. Mais informações sobre a iniciativa estão disponíveis em amazoniamaisdez.org.br.

Glossário

  • CT&I: Ciência, Tecnologia e Inovação, conjunto de atividades que geram e aplicam conhecimento científico e tecnológico.
  • FAPs: Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, agências de fomento científico vinculadas aos governos estaduais.
  • Confap: Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, organização que reúne as FAPs de todo o Brasil.
  • ICTs: Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação, como universidades e institutos de pesquisa.
  • CNPq: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, agência federal de fomento à pesquisa científica.
  • Fapespa: Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas, FAP do estado do Pará.
  • Fellowship: Bolsa de pesquisa de curta ou média duração concedida para que pesquisadores realizem estágios em instituições estrangeiras.
  • Biorrefinaria: Instalação que processa biomassa para gerar produtos de alto valor, como óleos, bioativos e energia, de forma integrada e sustentável.

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