- Monitoramento climático da Amazônia foi ampliado com novo espectrômetro instalado pela Nasa na Ufopa, em Santarém.
- Equipamento permite medições noturnas de aerossóis, essenciais durante o verão amazônico e aumento das queimadas.
- Observatório passa a integrar rede global Aeronet, fornecendo dados em tempo real para pesquisas internacionais.
- Parceria com Nasa e Inpe fortalece a infraestrutura científica e apoia políticas públicas ambientais na região.
O monitoramento climático da Amazônia ganhou reforço estratégico nesta semana com a instalação de um novo espectrômetro no Observatório Atmosférico da Amazônia, localizado na Fazenda Experimental da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em Santarém. O equipamento foi substituído por um técnico da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, e amplia significativamente a capacidade de coleta de dados na região. A principal novidade é a possibilidade de medições noturnas de aerossóis — partículas como poeira, fumaça e cinzas — suspensas na atmosfera.
O novo espectrômetro faz parte da rede internacional Aeronet, criada pela própria Nasa. Antes, os dados atmosféricos eram coletados apenas durante o dia, com base na radiação solar. Agora, o aparelho também analisa a luz refletida pela Lua, permitindo medições contínuas, inclusive à noite. A atualização tecnológica fortalece a posição da Ufopa como referência em estudos climáticos na região amazônica.
Monitoramento climático da Amazônia ganha tecnologia de ponta
O novo equipamento instalado em Santarém é um espectrômetro Cimel CE318-T, modelo avançado usado globalmente para análise atmosférica. O aparelho substitui uma versão anterior e foi instalado pelo técnico Christopher Bennett, da Nasa. Ele contou com o apoio dos professores Lucas Vaz Peres, Rodrigo da Silva e Theomar Neves, todos do Instituto de Engenharia e Geociências (IEG) da Ufopa. A estudante Nicole de Oliveira, bolsista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), também participou da operação.
Com a nova tecnologia, o observatório passa a integrar a versão mais avançada da Aeronet (AErosol RObotic NETwork), rede global de estações de monitoramento atmosférico. Essa rede fornece dados em tempo real para pesquisadores e instituições em todo o mundo. A Ufopa participa da Aeronet por meio do Projeto Sonda, coordenado pelo Inpe, que apoia pesquisas acadêmicas e políticas públicas ambientais.

Equipamento permite medições noturnas de aerossóis
O diferencial do novo espectrômetro está na capacidade de realizar medições noturnas da presença de aerossóis. Essas partículas, invisíveis a olho nu, são liberadas por queimadas, atividades industriais e poeira natural. Em períodos de seca, como o chamado “verão amazônico”, a concentração de aerossóis aumenta, agravando a qualidade do ar e afetando a saúde da população.
“Essa medição noturna é essencial, especialmente com a chegada do período seco, quando as queimadas aumentam e a concentração de aerossóis na atmosfera se intensifica. Santarém e outras áreas da Amazônia sofrem diretamente os efeitos disso”,
explicou o professor Lucas Vaz Peres, do curso de Ciências Atmosféricas da Ufopa.
Antes da atualização, as análises dependiam exclusivamente da radiação solar. Agora, com o uso da luz lunar, os pesquisadores podem monitorar a atmosfera de forma contínua. Isso permite detectar variações mais sutis e entender melhor os impactos das queimadas e da poluição.
Nasa reforça atenção à Amazônia após fumaça intensa em 2023
A substituição do equipamento foi motivada, em parte, pelos eventos climáticos de 2023. Naquele ano, a região amazônica enfrentou longos períodos coberta por fumaça densa, resultado do aumento expressivo das queimadas. A situação chamou a atenção da Nasa, que decidiu intensificar o monitoramento na região.
O espectrômetro pertence à agência espacial norte-americana, que mantém parcerias com instituições científicas em diversos países. No Brasil, a cooperação com o Inpe e universidades federais permite o acesso a dados de alta qualidade, utilizados tanto em pesquisas acadêmicas quanto em ações de planejamento ambiental.
Segundo a plataforma Queimadas do Inpe, o número de focos de calor na Amazônia Legal aumentou de forma significativa nos últimos anos. Isso reforça a importância de tecnologias que permitam um monitoramento atmosférico mais preciso e contínuo.
Impactos para a Amazônia
A instalação do novo espectrômetro representa um avanço importante para o monitoramento climático da Amazônia. A região é considerada um dos biomas mais sensíveis às mudanças climáticas e exerce papel fundamental na regulação do clima global. Com a nova tecnologia, os cientistas poderão:
- Detectar a presença de aerossóis com maior precisão.
- Monitorar as queimadas mesmo durante a noite.
- Identificar padrões de poluição atmosférica ao longo do ano.
- Subsidiar políticas públicas de controle ambiental.
- Apoiar pesquisas de graduação e pós-graduação na Ufopa.
Além disso, os dados coletados alimentam bases internacionais de pesquisa, contribuindo para estudos sobre mudanças climáticas, qualidade do ar e saúde pública. A atuação da Ufopa, em parceria com a Nasa e o Inpe, fortalece a ciência brasileira e amplia a visibilidade da Amazônia no cenário global.
O que esperar daqui pra frente
Com a atualização do espectrômetro, a expectativa é que o Observatório Atmosférico da Amazônia se torne um polo ainda mais estratégico para a coleta de dados ambientais. A continuidade da parceria com a Nasa e o Inpe deve garantir suporte técnico e científico para novos projetos.
O uso de tecnologias de ponta, como o espectrômetro Cimel CE318-T, permite que os pesquisadores da Ufopa acompanhem em tempo real os efeitos das queimadas e das mudanças climáticas. Isso é essencial para antecipar riscos, orientar políticas públicas e informar a sociedade sobre a situação ambiental da região.
Em um cenário de crescente preocupação com o desmatamento e os eventos climáticos extremos, o fortalecimento da infraestrutura científica na Amazônia é uma resposta concreta e necessária. A ciência brasileira, com apoio internacional, mostra sua capacidade de gerar conhecimento e proteger um dos ecossistemas mais importantes do planeta.
Glossário
- Aeronet: Rede internacional de estações de monitoramento de aerossóis, coordenada pela Nasa.
- Aerossóis: Partículas sólidas ou líquidas suspensas na atmosfera, como poeira, fumaça e cinzas.
- Espectrômetro: Equipamento que mede a radiação eletromagnética para analisar a composição da atmosfera.
- Inpe: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, órgão do governo federal responsável por estudos espaciais e ambientais.
- Verão amazônico: Período seco na região Norte do Brasil, entre julho e outubro, marcado por aumento das queimadas.
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