- Inpa e Shell Brasil lançam Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (Cibrad) com investimento de R$ 18,7 milhões.
- O centro reúne consórcio de instituições dos nove estados da Amazônia Legal, com projetos de nanotecnologia e banco genético para espécies nativas.
- Iniciativa visa estruturar cadeias produtivas de espécies florestais, conectar pesquisa ao mercado de carbono e recuperar 20% de áreas desflorestadas na Amazônia.
O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a Shell Brasil formalizaram nesta quinta-feira (9) o lançamento do Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (Cibrad). A iniciativa recebe investimento inicial de R$ 18,7 milhões da Shell Brasil, via cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo (ANP), com foco no desenvolvimento de tecnologias para soluções baseadas na natureza.
Sediado no Inpa, em Manaus, o Cibrad integrará pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação, conectando governo, comunidade científica, empresas e startups. A proposta é fortalecer cadeias produtivas de espécies nativas, conservar recursos genéticos e estimular novos negócios ligados à restauração florestal e ao mercado de carbono. A iniciativa também prevê a modernização da infraestrutura de pesquisa do Inpa.
Convergência entre ciência e economia de baixo carbono
Segundo o secretário da Subsecretaria para a Amazônia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Dorival dos Santos, o Cibrad é um marco para a ciência brasileira e para o futuro da Amazônia.
“Tenho plena confiança de que o Centro se tornará uma referência internacional em biotecnologia aplicada à restauração florestal e à economia de baixo carbono. Mais do que um centro de pesquisa, o Cibrad nasce como um espaço de convergência entre ciência, inovação e compromisso com o futuro da Amazônia. Proteger a floresta, restaurar seus ecossistemas e gerar conhecimento a partir dela é investir diretamente no futuro do Brasil e do planeta”, disse.
Alexandre Breda, gerente de Tecnologia e Inovação da Shell Brasil, destacou que a criação do Cibrad reforça como a inovação aberta é essencial para avançar em soluções concretas para desafios complexos. A iniciativa nasce de uma parceria prévia entre Shell e Inpa, iniciada em 2022, quando se formou a rede de instituições e pesquisadores que atuam no centro.
Consórcio reúne instituições de nove estados
O Cibrad reúne um consórcio de projetos que abrangem instituições de pesquisa dos nove estados da Amazônia Legal. Entre as iniciativas estão o NanoRad’s 2.0, que aplica abordagens bio e nanotecnológicas para acelerar plantios florestais, e o Amazon GeneBank, dedicado ao apoio a programas de melhoramento genético e à conservação de sementes e microrganismos da Amazônia Legal.
O diretor do Inpa, Henrique Pereira, ressaltou que o objetivo é sistematizar a pesquisa associada a plantios florestais com um objetivo maior: estruturar cadeias produtivas baseadas em espécies nativas. Isso envolve avançar em uma silvicultura de alta performance e conectar esse conhecimento a agendas estratégicas, como o mercado de carbono.

Dez espécies florestais em foco
As pesquisas abrangem dez espécies florestais amazônicas de elevado potencial para restauração, como castanheira-da-Amazônia, andiroba, cumaru, mogno, copaíba e seringueira. Além dos projetos conduzidos no âmbito do Inpa, o Cibrad também conecta iniciativas desenvolvidas em parceria com startups como Krilltech e Bioflore, ampliando o potencial de aplicação prática das pesquisas e fortalecendo o ecossistema de inovação voltado à restauração florestal na Amazônia.
A Amazônia tem cerca de 20% de áreas desflorestadas, equivalente a 1 milhão de quilômetros quadrados. O coordenador do Cibrad, o pesquisador do Inpa José Francisco de Carvalho Gonçalves, explica que o centro se propõe a implementar não só o processo de domesticação de novas espécies, mas também de espécies que já têm cadeias produtivas consolidadas.
“Isso significa trazer processos de melhoramento genético, número de propágulos o suficiente para reflorestar grandes áreas e impactar não só o mercado de carbono, mas a indústria de produtos e processos”.
A coordenação dos projetos será acompanhada por um Conselho Diretor e supervisionada por um comitê técnico-científico composto por pesquisadores, cientistas e profissionais das empresas parceiras, assumindo uma governança moderna e identificada com os mais elevados princípios de transparência e compliance.
Glossário
- PD&I: Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, cláusula que destina recursos de empresas do setor de petróleo para projetos científicos e tecnológicos.
- Silvicultura: Ciência dedicada ao cultivo e manejo de florestas plantadas.
- Propágulos: Estruturas vegetais (sementes, mudas, estacas) utilizadas para reprodução e plantio de espécies.
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