Um grupo de pessoas em cima de um palco com um telão de led ao fundo
  • WIT Incubadora FPFtech é certificada no CERNE Nível 4, o mais alto do modelo.
  • Auditoria analisou processos, indicadores e entrevistas com startups incubadas.
  • Reconhecimento fortalece a credibilidade das startups e o protagonismo da Amazônia em inovação.

A WIT Incubadora Tecnológica da Fundação Paulo Feitosa de Tecnologia (FPFtech) recebeu a certificação CERNE Nível 4 durante o encerramento da 36ª Conferência Anprotec, realizada em Manaus, tornando-se a primeira incubadora de empresas da Região Norte a atingir o nível máximo do modelo nacional de excelência em ambientes de inovação, que avalia a maturidade da gestão e a capacidade de desenvolver e internacionalizar startups.

O Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos (CERNE) é o modelo nacional que orienta e avalia a atuação de incubadoras, parques tecnológicos e outros ambientes de inovação. Estruturado em quatro níveis, o modelo analisa desde a sensibilização de empreendedores até a capacidade de apoiar empresas em processos de internacionalização.

Com o Nível 4, a WIT passa a integrar um grupo restrito de incubadoras brasileiras reconhecidas pela maturidade máxima em gestão, processos e suporte ao crescimento de startups. O selo indica que a incubadora possui rotinas consolidadas para seleção, acompanhamento, monitoramento de indicadores e apoio à expansão das empresas, inclusive para mercados externos.

Segundo Alexandre Amorim, Head de Inovação e Empreendedorismo da FPFtech, a certificação reconhece uma prática já incorporada ao dia a dia da incubadora. Ele explica que a WIT foi estruturada desde sua criação com base na metodologia do CERNE, priorizando processos consistentes de apoio ao empreendedor.

Para as startups, estar em um ambiente certificado no nível máximo significa ser acompanhada por processos validados nacionalmente, o que reforça a credibilidade diante de investidores, parceiros e clientes e amplia as oportunidades de crescimento.

Como foi o processo de avaliação

Para obter o Nível 4, a WIT passou por uma auditoria documental que se estendeu por mais de um mês. A avaliação incluiu análise detalhada de processos internos, contratos, indicadores de desempenho e evidências das atividades realizadas pela incubadora.

Além da documentação, especialistas da Anprotec entrevistaram startups incubadas, que relataram a experiência de acompanhamento e os resultados alcançados. Esse cruzamento de informações permitiu verificar se os processos descritos estavam de fato implementados e gerando impacto.

Atualmente, a WIT tem capacidade para atender até 30 startups simultaneamente e já graduou cinco empresas desde a sua criação. A área de Empreendedorismo Inovador da FPFtech acumula ainda a captação de aproximadamente R$ 70 milhões em investimentos para startups e mais de R$ 20 milhões em recursos destinados a projetos de fortalecimento do ecossistema de inovação.

Equipe da Wit e FPFTECH após receber a premiação no encerramento da Anprotec – Fotos: FPFTECH/Divulgação

Ecossistema FPFtech: HAWK e Bio&Tech Hub

A atuação da FPFtech em empreendedorismo inovador vai além da incubadora. O portfólio inclui o HAWK Centro de Inovação, voltado a conectar empresas, universidades, investidores e instituições de pesquisa, e o Bio&Tech Hub, iniciativa que prevê a hospedagem de empresas inovadoras no futuro parque tecnológico da instituição em Manaus.

Esses ambientes funcionam de forma integrada, criando um percurso que vai da ideação e validação de negócios tecnológicos até a expansão para novos mercados, com foco em soluções alinhadas às vocações da Amazônia e à transformação digital da indústria.

A certificação da WIT foi um dos destaques da 36ª Conferência Anprotec, que reuniu em Manaus representantes de ambientes de inovação do Brasil e do exterior. De acordo com a presidente da Anprotec, Adriana Ferreira, a edição se destacou tanto pela mobilização quanto pelos resultados.

Realizada com apoio da FPFtech, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), do Sebrae, da Finep e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a conferência recebeu cerca de 1 mil participantes, com representantes de todos os estados brasileiros e de mais de seis países. Foram submetidos quase 300 trabalhos técnicos e científicos e mais de 70 iniciativas ao Prêmio de Boas Práticas em Empreendedorismo Inovador, envolvendo mais de 220 instituições.

“Manaus mostrou a força dos ambientes de inovação como operadores das agendas de CT&I no país. Incubadoras, parques e hubs não são coadjuvantes desse processo, são eles que transformam pesquisa em negócio e conectam o desenvolvimento regional às cadeias nacionais”, afirmou Adriana Ferreira.

A programação incluiu palestras, workshops, plenárias, apresentações técnicas, rodadas de networking e debates sobre temas estratégicos para a inovação brasileira.

Amazônia, bioeconomia e futuro sustentável

Entre os destaques esteve o painel “Amazônia e o Futuro Sustentável”, que reuniu representantes de parques tecnológicos da região para discutir como integrar a bioeconomia amazônica ao ecossistema nacional de inovação.

Olinda Canhoto, Analista de Negócios da WIT e especialista em bioeconomia e inovação, defendeu o fortalecimento dos ecossistemas locais como estratégia para uma inovação sustentável.

“A bioeconomia na Amazônia precisa fortalecer seus ecossistemas. Mais do que crescer rapidamente, é necessário promover uma inovação gradual, consistente e conectada às necessidades da região”, ressaltou.

O debate dialoga com iniciativas que vêm ganhando espaço na região, como pesquisas em recursos florestais, cadeias produtivas sustentáveis e formação de especialistas em temas ambientais e de governança. Exemplos incluem programas de pós-graduação em ESG da UEA e estudos sobre cadeias da sociobiodiversidade conduzidos por universidades e institutos de pesquisa amazônicos.

Glossário

  • CERNE: Modelo de gestão criado pela Anprotec e Sebrae para orientar e avaliar a atuação de incubadoras e ambientes de inovação em diferentes níveis de maturidade.
  • Incubadora de empresas: Organização que oferece apoio estruturado a startups, com serviços como mentorias, capacitações, infraestrutura e conexão com investidores e parceiros.
  • Bioeconomia: Modelo econômico baseado no uso sustentável de recursos biológicos, como a biodiversidade amazônica, para gerar produtos, serviços e inovação tecnológica.
  • Inovação aberta: Estratégia em que empresas, governos, universidades e outros atores colaboram no desenvolvimento de soluções, compartilhando conhecimentos, riscos e resultados.

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