Um grupo de pessoas sentadas em um evento com pessoas no palco em belém
Semana do Clima realizada em Belém/PA – Imagens: Divulgação/Amaz
  • Assobio cobra mudança no modelo de financiamento da bioeconomia amazônica para permitir que empreendedores ganhem escala.
  • Painel na Semana do Clima reuniu MDA, Semas-PA, BNDES, PPA e Assobio para discutir capital e políticas públicas.
  • Evento marca a fase de implementação dos compromissos assumidos na COP, com foco em ações práticas na região.

Empresas da bioeconomia amazônica defenderam mudanças no modelo de financiamento disponível para o setor durante painel realizado na II Semana do Clima da Amazônia, em Belém (PA), nesta semana. O debate reuniu representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e da Associação dos Negócios da Sociobioeconomia da Amazônia (Assobio), com mediação da AMAZ, aceleradora vinculada ao Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam).

O presidente da Assobio, Paulo Reis, apresentou a perspectiva das pequenas e médias empresas da bioeconomia amazônica, sobretudo as instaladas em centros urbanos e voltadas à agregação de valor e à verticalização da produção. Para ele, o modelo atual de financiamento limita o crescimento desses negócios.

“Precisamos rever a forma como o financiamento é realizado para que os empreendedores possam, de fato, trabalhar e focar nos seus negócios. Hoje, muitos recebem investimentos muito baixos, o que dificulta alcançar escala, inovar e prosperar economicamente”, afirmou Reis.

O presidente da Assobio defendeu que o capital destinado ao setor assuma uma parcela maior dos riscos envolvidos nos negócios de impacto e contribua para ampliar a agregação de valor dentro da própria região.

“A sugestão é trazer mais risco para o capital que deveria ser de risco, mas que muitas vezes investe pouco na agregação de valor dentro da região amazônica”

Paulo Reis presidente da Assobio sentado com um microfone nas mãos
O presidente da Assobio, Paulo Reis, questionou o atual modelo de financiamento – Imagen: Reprodução

Reis também apontou a necessidade de ampliar o mercado consumidor dos produtos amazônicos, incentivando itens que vão além de cadeias já consolidadas, como açaí e cacau. Segundo ele, o setor ainda depende excessivamente da venda de matérias-primas sem beneficiamento.

Financiamento da bioeconomia exige apoio em várias frentes

A gestora de operações da AMAZ e líder de Novos Negócios do Idesam, Gabriela Souza, mediou o painel e explicou que a discussão partiu do conceito de contínuo de capital, associado a condições habilitantes para o crescimento dos empreendimentos.

Segundo Souza, o objetivo foi discutir infraestrutura de apoio que vai desde políticas públicas e financiamento até regularização fundiária e investimento adequado às diferentes fases de um negócio. Duas palavras nortearam o debate: adaptação e adequação, usadas para analisar como cada instituição participante pode complementar as demais.

“O contínuo de capital é justamente pensar nas necessidades dos negócios em diversas frentes, desde recursos financeiros até capital relacional e técnico. É garantir que, da ideia inicial até a escala, não existam rupturas que levem esses empreendimentos a desaparecer por falta do apoio necessário em determinado momento”, explicou.

A mediadora aproveitou o painel para divulgar o Fiinsa (Festival de Investimento de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia), que chega à quarta edição entre os dias 3 e 5 de novembro, em Manaus, sob coordenação do Idesam e do Impact Hub Manaus, com participação da AMAZ.

Painelistas que discutiram o atual modelo de financiamento para empresas de bioeconomia.

Semana do Clima marca fase de implementação pós-COP

Para Gabriela Souza, o momento atual do debate climático na Amazônia é distinto das edições anteriores por ocorrer logo após a COP, quando o foco passa a ser a execução dos compromissos firmados.

“A implementação está muito em evidência neste momento, especialmente por ser a segunda Semana do Clima realizada na Amazônia e a primeira após a COP. O debate agora é sobre prática, sobre como transformar compromissos em ações concretas”, observou.

Paulo Reis reforçou que sediar o evento na própria região amazônica, e não em centros como Londres, Paris ou Nova York, permite que os territórios diretamente afetados pelas mudanças climáticas apresentem suas próprias soluções.

“Não existe lugar mais propício para discutir clima do que a Amazônia. Estamos falando de uma região fundamental para a conservação da natureza, para os recursos hídricos e para o equilíbrio climático do planeta, mas que também sofre diretamente os impactos das mudanças do clima”, afirmou.

Segundo o presidente da Assobio, esse protagonismo amazônico permite incorporar perspectivas locais que costumam ficar de fora de fóruns internacionais dominados por agendas do Norte Global.

Glossário

  • Assobio: Associação dos Negócios da Sociobioeconomia da Amazônia, entidade que representa empresas do setor.
  • Idesam: Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, organização que coordena a AMAZ.
  • BNDES: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, banco público federal de fomento.
  • MDA: Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
  • Fiinsa: Festival de Investimento de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia.

Mais informações sobre as instituições envolvidas podem ser encontradas nos sites do Idesam, do BNDES e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

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