- UEA e Eneva lançaram o projeto Diesel Verde na Amazônia em 23/7, em Manaus, com duração de 30 meses.
- A proposta inclui planta-piloto e testes de HVO no transporte fluvial e geração de energia elétrica.
- O diesel verde pode reduzir emissões e fortalecer a autonomia energética de comunidades amazônicas.
- O projeto Diesel Verde na Amazônia também promove capacitação científica e inclusão produtiva local.
Manaus (AM) — A Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por meio da Escola Superior de Tecnologia (EST), e a empresa Eneva lançaram o projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) “Diesel Verde na Amazônia”. A iniciativa, realizada em parceria com instituições como a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Instituto Senai de Inovação em Biossintéticos e Fibras (ISI B&F), tem como objetivo estudar o uso de oleaginosas nativas da região como matéria-prima para a produção de diesel verde (HVO), um combustível renovável que pode reduzir emissões e impulsionar a bioeconomia regional.
O projeto foi apresentado no auditório do Laboratório Saltu, na EST/UEA, durante um workshop que reuniu pesquisadores, representantes do setor produtivo e autoridades públicas. A programação incluiu palestras técnicas, debates sobre políticas públicas e uma reunião de kick-off, marcando o início das atividades que terão duração de 30 meses.
De acordo com os organizadores, a proposta é desenvolver uma planta-piloto para produção de HVO, realizar análises técnicas e econômicas e avaliar a aplicação do diesel verde no transporte fluvial e na geração de energia elétrica.
Diesel verde pode transformar matriz energética na Amazônia
O HVO, ou óleo vegetal hidrotratado, é um combustível renovável com características semelhantes às do diesel fóssil, mas com vantagens ambientais expressivas. Segundo a pesquisadora Prof.ª Dra. Patrícia Melchionna, do Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia (GP-QAT) da UEA, o projeto visa identificar oleaginosas nativas com potencial para produção sustentável do combustível.
“O diesel verde tem características muito parecidas com o diesel fóssil, porém ele é uma fonte renovável. Dentro dos nossos laboratórios, vamos verificar as propriedades das oleaginosas para selecionar as mais promissoras”, explicou a pesquisadora.
Além do desenvolvimento tecnológico, o projeto pretende fomentar o envolvimento de comunidades locais na cadeia produtiva, promovendo geração de renda e inclusão social.
Como a parceria entre universidade e setor produtivo acelera a inovação?
O reitor da UEA, Prof. Dr. André Zogahib, destacou que o projeto está alinhado à estratégia institucional da universidade de investir em pesquisa aplicada e relevante para os desafios regionais.
“A UEA tem investido em projetos que aproximam a produção científica das demandas reais da sociedade. Essa iniciativa representa um passo importante no apoio ao desenvolvimento sustentável da região”, afirmou o reitor.
Para Márcio Lira, coordenador de Relações Institucionais da Eneva na região Norte, a parceria entre academia e setor produtivo é essencial para promover soluções com base em ciência e inovação. Ele ressalta o potencial do diesel verde para transformar a realidade de comunidades do interior do Amazonas.
“Imagine se com essa pesquisa a gente concluir que o HVO pode ser usado nas rabetas do interior. Isso significa diminuição de custo, menos poluição e conexão com as comunidades”, disse Lira.
Três metas do projeto Diesel Verde na Amazônia
- Transformar oleaginosas nativas em diesel verde (HVO) por meio de processos laboratoriais e industriais.
- Instalar uma planta-piloto para testes de produção em escala reduzida.
- Testar o uso do combustível no transporte fluvial e geração de energia elétrica, com análises técnicas e econômicas.
O diretor da EST/UEA, Prof. Dr. Jucimar Silva Junior, destacou o protagonismo da universidade na geração de conhecimento voltado à resolução de problemas concretos da Amazônia.
“A EST/UEA consolida-se como protagonista em projetos de PD&I que dialogam com os grandes desafios da Amazônia. O ‘Diesel Verde na Amazônia’ é um exemplo de como a ciência, aliada ao setor produtivo, pode transformar a biodiversidade em soluções sustentáveis”, afirmou o diretor.
Impactos para a Amazônia
O projeto tem potencial para gerar impactos estruturantes na região amazônica. Ao explorar oleaginosas nativas como fonte de energia renovável, ele contribui para a valorização da biodiversidade e o desenvolvimento da bioeconomia. Além disso, promove a redução de emissões de gases de efeito estufa e fortalece a autonomia energética de comunidades isoladas.
Outro ponto relevante é o estímulo à capacitação técnica e científica de estudantes e pesquisadores locais, fortalecendo o ecossistema de inovação da região Norte. A articulação entre universidade, empresas e governo também pode servir de modelo para outras iniciativas de transição energética no Brasil.
Glossário
- HVO (Óleo Vegetal Hidrotratado): Combustível renovável obtido por hidrogenação de óleos vegetais ou gorduras animais, com propriedades semelhantes ao diesel fóssil.
- Oleaginosa: Planta cujas sementes ou frutos possuem alto teor de óleo, utilizado para produção de biocombustíveis ou alimentos.
- Planta-piloto: Instalação experimental em escala reduzida usada para testar processos industriais antes da implementação em larga escala.