• Oito institutos de pesquisa de cinco países se reúnem em Letícia, na tríplice fronteira, para debater conflitos ambientais e contribuições científicas para a sustentabilidade da Amazônia
  • A reunião foca em temas como desmatamento, mudanças climáticas, mineração ilegal, contaminação por mercúrio e perda de conhecimentos tradicionais
  • A Rede Bioamazônia reúne mais de mil pesquisadores e busca integrar conhecimento sobre biodiversidade para enfrentar pressões crescentes sobre o bioma

A 3ª Reunião anual da Rede Bioamazônia ocorre entre 11 e 15 de maio em Letícia, na Amazônia colombiana, cidade gêmea localizada na tríplice fronteira com Brasil e Peru. O encontro reúne gestores, pesquisadores e especialistas de oito institutos de pesquisa sediados em cinco países para discutir conflitos e ameaças ao bioma amazônico. O tema central é “Conflitos e ameaças na Pan-Amazônia: contribuições da ciência para a sustentabilidade do bioma”.

A reunião acontece na sede do Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas SINCHI e coloca no centro das discussões como a ciência pode ajudar a compreender e enfrentar as crescentes pressões sobre o bioma. A escolha de Letícia, às margens da bacia do rio Amazonas, reforça a importância do local como sistema fundamental para a regulação climática global e a conservação da biodiversidade.

O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) participa do evento com cinco representantes, entre eles o diretor Nilson Gabas Júnior e pesquisadores que integram painéis e grupos de trabalho. “No Museu Goeldi, a instituição científica mais antiga da Amazônia, transformamos mais de um século e meio de pesquisa em conhecimento sobre a sociobiodiversidade e a geodiversidade, salvaguardando acervos que preservam a memória amazônica”, afirmou Gabas Júnior.

Pressões convergentes e limiares críticos

A Rede Bioamazônia parte do entendimento de que a Amazônia atravessa um momento crítico de transformações socioambientais aceleradas. A convergência de múltiplas pressões, como desmatamento, mudanças climáticas, atividades extrativistas e degradação dos ecossistemas, pode levar a limiares ecológicos irreversíveis e a conflitos cada vez mais complexos.

Para a Rede, ameaças são atividades que geram mudanças ambientais negativas nos ecossistemas, seja por meio de processos formais, como a expansão da fronteira agrícola, seja por práticas ilegais, como a mineração informal. Conflitos, por sua vez, são as disputas ativas, frequentemente violentas, entre atores com interesses divergentes sobre o uso, o controle e a proteção dos recursos naturais.

As duas dimensões se retroalimentam, criando espirais de degradação ambiental e vulnerabilidade social. As ameaças transformam as paisagens; os conflitos reconfiguram os territórios. Essa dupla crise desafia a capacidade de resposta dos Estados e coloca à prova os marcos existentes de governança socioambiental.

Agenda técnica e estratégica

O painel técnico de inauguração aborda temas como desenvolvimento hidrelétrico na Amazônia e energia limpa, impactos das mudanças climáticas, contaminação por mercúrio, espécies migratórias, perda de conhecimentos tradicionais, incêndios e manejo integrado do fogo, e comércio legal e ilegal de espécies amazônicas. Cada tema será apresentado por pesquisadores especialistas, com dados-chave que servirão de base para as discussões.

Além da abordagem técnica, a reunião avança na agenda interna da Rede, revisando progressos, alinhando prioridades e definindo orientações estratégicas para fortalecer a cooperação entre seus membros. O encontro retoma e aprofunda o caminho iniciado na reunião anterior, realizada em Iquitos, no Peru.

O evento conta com apoio técnico e financeiro do Programa Amazônia Sempre, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Rede integrada por mil pesquisadores

A Rede Bioamazônia tem como missão integrar e fortalecer as capacidades de seus institutos membros, promover a geração e o intercâmbio de conhecimentos sobre a conservação e o uso sustentável da biodiversidade, e desenvolver soluções e tecnologias inovadoras para a bioeconomia amazônica. A Rede reúne mais de mil pesquisadores especialistas na região.

Os institutos integrantes são: Instituto de Ecologia da Universidade Maior de San Andrés (IE/UMSA), da Bolívia; Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), do Brasil; Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt e Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas SINCHI, da Colômbia; Instituto Nacional de Biodiversidade (Inabio), do Equador; e Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP), do Peru.

Glossário

  • Bioeconomia: modelo econômico baseado no uso sustentável de recursos biológicos renováveis.
  • Pan-Amazônia: região que engloba toda a bacia amazônica, compartilhada por nove países sul-americanos.
  • Sociobiodiversidade: relação entre diversidade biológica e sistemas socioculturais das populações tradicionais.

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