- Congresso em Manaus discute diversidade microbiana e clima de 22 a 26 de junho de 2026.
- Programação inclui 43 palestrantes, excursão científica, workshops e minicursos práticos.
- Evento busca integrar conservação, biotecnologia e bioeconomia na Amazônia.
O 1º Congresso Brasileiro de Diversidade Microbiana (CBDMicro) será realizado em Manaus, de 22 a 26 de junho de 2026, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Com o tema “Perspectivas e desafios frente às mudanças climáticas”, o encontro vai reunir estudantes, pesquisadores e profissionais para discutir como as ações humanas transformam as paisagens naturais, de que forma os microrganismos são afetados e quais soluções inovadoras estão em desenvolvimento.
A programação prevê 43 palestrantes nacionais e internacionais e cerca de 30 atividades, entre conferências, minicursos, mesas-redondas, palestras, workshop, excursão científica, além de homenagem e premiação aos melhores trabalhos. A presidência da comissão organizadora é da pesquisadora Maria Aparecida de Jesus, do Inpa.
Abertura e nomes de destaque
A cerimônia de abertura está marcada para 23 de junho e será seguida da Conferência Magna “Amazônia e a mudança climática”, proferida pelo pesquisador Philip Fearnside, referência internacional em estudos sobre desmatamento e clima no Inpa.
Entre os palestrantes confirmados na área de diversidade microbiana e aplicações biotecnológicas estão Thiago Monteiro dos Santos (Northeastern University), Luciane Marinoni (Universidade Federal do Paraná), Sean Brady (The Rockefeller University) e Lilian Barros (Centro de Investigação da Montanha, Instituto Politécnico de Bragança).
Segundo a organização, a proposta é criar um espaço de trocas qualificadas de formação e construção de parcerias, aproximando pesquisa básica, aplicações tecnológicas e demandas da sociedade.
Diversidade microbiana e mudanças climáticas
O congresso parte do reconhecimento de que os microrganismos – como fungos, actinobactérias, bactérias e vírus – desempenham papel central na manutenção dos ecossistemas, na ciclagem de nutrientes e na saúde de plantas, animais e humanos. A diversidade microbiana é tratada como patrimônio de alto valor científico, tecnológico e estratégico, com potencial para gerar produtos e aplicações nas áreas de saúde, alimentação e agricultura.
Entre os temas em discussão estão o desenvolvimento de bioinsumos que contribuam para sistemas produtivos mais sustentáveis, segurança alimentar e melhoria da qualidade de vida, em um contexto de aquecimento global e pressão sobre a biodiversidade amazônica.
Para o biólogo Romário Santana, doutorando em Microbiologia Agrícola pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e integrante da comissão de redes sociais do congresso, o CBDMicro pretende conectar ciência e inovação em escala nacional.
“Esperamos que o evento seja um marco de integração entre ciência e inovação, com ênfase na parte de conservação da diversidade microbiana, em nível nacional, porque sabemos que o CBDMicro nasce na Amazônia, mas consegue dialogar com o Brasil inteiro”, afirma Santana.
Ele destaca que a escolha de Manaus e do Inpa está diretamente ligada ao papel da região no debate climático.
“A Amazônia se constitui num dos maiores patrimônios biológicos do planeta, abrigando ampla diversidade dos três ‘F’: Fauna, Flora e Funga. Então essa biodiversidade se torna um palco e, ao mesmo tempo, é uma região especialmente sensível à antropização e a essas alterações climáticas”, explica.
Inscrições, envio de trabalhos e áreas temáticas
As inscrições para participantes já estão abertas no site oficial do congresso (cbdmicro26.com.br/inscricao). O prazo para envio de trabalhos encerra em 30 de abril.
Os trabalhos podem ser submetidos nas modalidades resumo simples ou resumo expandido e apresentados em formato de pôster ou apresentação oral. As orientações detalhadas estão disponíveis em cbdmicro26.com.br/trabalhos.
O CBDMicro está estruturado em quatro áreas temáticas principais:
- Microbiologia ambiental e agrícola
- Microbiologia básica
- Microbiologia industrial e de alimentos
- Microbiologia médica
Os resumos aprovados serão publicados nos anais do congresso. O Comitê Científico também vai selecionar parte dos trabalhos para compor o livro “Diversidade Microbiana da Amazônia – Volume 1” ou para publicação no Journal Brazilian of Microbiology, em comemoração aos 70 anos da Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBM).
Excursão científica e atividades práticas
Antes do início oficial do congresso, entre 20 e 22 de junho, será realizada a atividade pré-congresso Singer Foray, uma excursão científica para observação e estudo de macrofungos e ascolíquens em ambiente natural. A atividade ocorrerá na Reserva Florestal Adolpho Ducke, a base de pesquisa mais antiga do Inpa, e homenageia o especialista e taxonomista Rolf Singer.
A programação inclui ainda o workshop “Microbiota brasileira e aplicabilidade sustentável” e o workshop “Coleções microbiológicas: Diversidade, informatização, potencial biotecnológico e sustentabilidade”, coordenados pela professora Jânia Lília Lima (Universidade Federal do Amazonas) e por Ormezinda C. C. Fernandes (Instituto Leônidas e Maria Deane, Fiocruz Amazônia), respectivamente.
Serão oferecidos cinco minicursos, incluindo um módulo com práticas presenciais de oito horas no Laboratório de Microbiologia Aplicada – Amazon MicroBiotech, da Embrapa, coordenado pelo pesquisador Gilvan da Silva Ferreira. As atividades práticas devem aprofundar o contato dos participantes com técnicas de isolamento, caracterização e aplicação de microrganismos de interesse biotecnológico.
Glossário
- Diversidade microbiana: variedade de espécies de microrganismos (bactérias, fungos, vírus, arqueias, entre outros) presentes em um ambiente, incluindo sua abundância e funções ecológicas.
- Bioinsumos: produtos de origem biológica, como microrganismos ou substâncias por eles produzidas, usados na agricultura e em outros setores para substituir ou reduzir insumos químicos.
- Antropização: processo de transformação de ambientes naturais por atividades humanas, como desmatamento, urbanização, agricultura e mineração.
- Macrofungos: fungos que produzem estruturas reprodutivas visíveis a olho nu, como cogumelos, orelhas-de-pau e outros corpos de frutificação.
- Coleções microbiológicas: acervos organizados de microrganismos preservados em condições controladas, usados para pesquisa, desenvolvimento tecnológico, ensino e referência taxonômica.