- Projeto no Pará transforma resíduos da mandioca em ração animal.
- Casca de mandioca com torta de dendê substitui o milho sem perdas.
- Silagem e desidratação solar garantem conservação e valor nutricional.
- A palavra-chave mandioca aparece como solução sustentável na pecuária.
A mandioca, considerada pela ONU como o “alimento do século 21”, é a base de uma pesquisa inovadora desenvolvida no Pará. O projeto, financiado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), cria alimentos para bovinos e ovinos a partir de derivados da raiz, como cascas e folhas.
Com foco na sustentabilidade e no desenvolvimento socioeconômico da Amazônia, a iniciativa busca reduzir os custos da pecuária. A proposta oferece alternativas ao uso de milho e soja, utilizando subprodutos da mandioca, como silagem e farelos desidratados.
Pesquisa transforma resíduos em nutrição animal
No total, são seis experimentos. Quatro deles avaliam métodos de conservação dos alimentos, como ensilagem e desidratação solar. Os outros dois medem o impacto dos produtos na alimentação de ovinos, observando consumo, digestibilidade e desempenho dos animais.

De acordo com o professor Thiago Carvalho, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), “o projeto é relevante por seus impactos econômicos, sociais e ambientais”. Ele destaca que a pesquisa agrega valor aos derivados da mandioca e favorece pequenos produtores.
Resultados mostram potencial da silagem de mandioca
Os primeiros resultados mostraram que a casca de mandioca é melhor preservada na forma de silagem do que exposta, como é comum entre produtores. Um dos avanços foi a inclusão da torta de dendê na silagem, que ajuda a controlar a umidade e reduz a deterioração.
Testes com animais indicaram que a silagem de casca de mandioca pode substituir o milho sem prejuízo ao desempenho. Essa inovação já gerou um produto comercializado: silagem de casca de mandioca com torta de dendê.
Como a inovação impacta o agronegócio amazônico?
Além da silagem, a pesquisa explorou a desidratação solar de farelos de folha e casca. Esses subprodutos são fontes de proteína e energia, respectivamente. Outro avanço foi o enriquecimento proteico da casca de mandioca, com adição de ureia e leveduras.
Segundo o estudo, essas soluções ampliam o uso da mandioca na alimentação animal, promovendo o aproveitamento de resíduos e reduzindo o impacto ambiental. Duas novas pesquisas estão em andamento: uma avalia a composição química dos produtos em rações, e outra testa o uso direto em animais.
Três avanços previstos até 2030
- Redução dos custos na alimentação animal com uso de resíduos.
- Desenvolvimento de produtos com potencial de patente.
- Capacitação de mais de 25 estudantes na área agrária.
Parcerias fortalecem pesquisa e inovação
O projeto mantém parcerias com o Museu da Mandioca da Amazônia e com a empresa Bonnagro, responsável pela disseminação dos produtos. Em 2025, o professor Thiago Carvalho apresentou os resultados nos Estados Unidos, em instituições como a University of Delaware e a University of Florida.
Essas apresentações reforçaram a importância da pesquisa para a conservação de forragens e nutrição animal. O projeto também utiliza a escala TRL da NASA para medir o grau de maturidade tecnológica dos produtos desenvolvidos.
Para Marcel Botelho, presidente da Fapespa, o Pará tem potencial para triplicar a produção de mandioca. “Pesquisas como essa tornam possível agregar valor à cadeia produtiva, beneficiando produtores e promovendo a sustentabilidade”, declarou.
“O financiamento da Fapespa permite transformar a proposta de pesquisa em realidade, fornecendo o capital necessário para infraestrutura, insumos e recursos humanos”, afirma Thiago Carvalho.
Glossário
- Silagem: Técnica de conservação de forragem por fermentação anaeróbica.
- TRL (Technology Readiness Level): Escala que mede a maturidade de uma tecnologia.
- Fapespa: Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas.
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