• Grupo da Ufam monitora onças-pintadas na Amazônia desde 2017.
  • Projeto Amigos da Onça orienta produtores sobre manejo de fauna.
  • OIAA Onça coleta dados via imprensa, apps e relatos de moradores.
  • Onças-pintadas enfrentam declínio no Cerrado por perda de habitat.

Na Amazônia, o encontro com uma onça-pintada ou onça-parda é mais comum do que se imagina. Desde 2017, o Laboratório de Interações Fauna e Floresta (LaIFF) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) lidera uma frente científica e educativa para estudar e preservar esses felinos.

Segundo o professor Rogério Fonseca, coordenador do LaIFF, o grupo atua com pesquisa, extensão e educação ambiental. O foco é reduzir os conflitos entre grandes felinos e comunidades humanas, promovendo convivência sustentável.

Educação ambiental para proteger e informar

O LaIFF desenvolve ações com comunidades locais, especialmente no sul do Amazonas, onde os ataques de onças à fauna doméstica são mais frequentes. Municípios como Humaitá, Manicoré e Lábrea concentram ocorrências, principalmente ao longo da BR-230 e BR-319.

O Projeto Amigos da Onça orienta produtores rurais sobre técnicas de manejo para proteger o gado e evitar retaliações aos felinos. Já o Observatório de Imprensa, Avistamento e Ataques de Onças (OIAA Onça) monitora desde 2008 os ataques registrados, inclusive envolvendo humanos.

Parte da equipe do projeto

Como a ciência monitora as onças-pintadas

O LaIFF acompanha a distribuição das onças-pintadas em todos os 5.568 municípios brasileiros. A equipe utiliza dados da imprensa, relatos via WhatsApp e Telegram, além de entrevistas com moradores para mapear a presença dos felinos, inclusive em áreas urbanas.

Uma das pesquisas em andamento é uma tese de doutorado que busca entender quais elementos da paisagem são preferidos pelas onças. As áreas analisadas incluem florestas, reservas legais, monoculturas e sistemas agroflorestais.

Conflitos e conservação na Amazônia e no Cerrado

De acordo com o LaIFF, os principais biomas com registros de ataques são o Pantanal e a Amazônia. No Cerrado, a situação é mais crítica: a população de onças-pintadas está em declínio devido à conversão de vegetação nativa em áreas de agricultura e pecuária.

“A opção por converter a floresta de savana em monoculturas impacta diretamente o habitat das onças”, alerta o professor Rogério Fonseca. A consequência é o confinamento dos animais em áreas protegidas dentro de grandes propriedades.

Pesca de onça no Rio Negro chamou atenção

Um dos episódios mais emblemáticos foi a chamada “pesca de uma onça-pintada” no Rio Negro, próximo à ponte entre Manaus e Iranduba. O resgate envolveu a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e o Batalhão Ambiental, com apoio técnico do LaIFF.

Caso da onça resgatada em pleno rio Negro, próximo a Manaus

“A ocorrência teve início com um chamado ao 190. A logística envolveu diversos órgãos e contou com nosso suporte técnico”, relata Fonseca.

Esse episódio deu visibilidade nacional ao trabalho do laboratório e demonstrou a importância da articulação entre ciência, segurança pública e comunidades.

Como a população pode participar

O aplicativo OIAA Onça permite que qualquer cidadão registre avistamentos e ataques. Os dados alimentam um banco de dados nacional que apoia políticas públicas de conservação e segurança.

O LaIFF também atua fortemente em escolas. A proposta é formar jovens como multiplicadores do conhecimento ambiental. “A Amazônia está de pé porque o povo amazônico interage de forma sustentável com a fauna”, afirma o professor.

Iniciativas plurais e interdisciplinares

Estudantes de todos os cursos da Ufam podem participar dos projetos. A ideia é reforçar que a proteção da biodiversidade é uma missão coletiva, que vai além de ambientalistas. A atuação do LaIFF também envolve parcerias com zoológicos internacionais e redes de pesquisa global.

Para mais informações sobre o projeto, acesse o site oficial do observatório: oiaaonca.ufam.edu.br.

Glossário

  • LaIFF: Laboratório de Interações Fauna e Floresta da Ufam.
  • OIAA Onça: Observatório de Imprensa, Avistamento e Ataques de Onças.
  • Reserva legal: Área de vegetação nativa obrigatória em propriedades rurais.

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