- Sebrae-AM e IABS iniciam plano para fortalecer cadeias da sociobiodiversidade no Amazonas, com foco em castanha-do-brasil e pirarucu manejado.
- Conjunto de dez ações inclui cursos de drones, mutirões de regularização (CAF e RGP), pedido de Indicação Geográfica da Castanha de Tefé e apoio à gestão de empreendimentos.
- Iniciativa busca gerar renda com floresta em pé, ampliar acesso a mercados e apoiar comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas em municípios como Tefé e Maraã.
Sebrae Amazonas e Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) iniciaram, em maio, a execução de um plano de trabalho conjunto para fortalecer cadeias da sociobiodiversidade amazônica, como a castanha-do-brasil e o pirarucu manejado, em municípios do Amazonas. O acordo prevê qualificação de produtores, regularização de empreendimentos, inovação tecnológica e ações de acesso a mercado, com foco em comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas.
O plano decorre do Acordo de Cooperação Técnica assinado em 14 de maio entre Sebrae-AM e IABS. As ações se concentram em territórios onde o IABS já atua por meio do Projeto Rural Sustentável Amazônia (PRS-Amazônia), que apoia organizações socioprodutivas formadas por agricultores familiares, extrativistas, povos indígenas e comunidades tradicionais.
O objetivo é fortalecer a gestão dos empreendimentos comunitários, ampliar o acesso a mercados, estimular inovação e aumentar o valor agregado dos produtos da floresta. Entre as cadeias prioritárias estão a castanha-do-brasil e o pirarucu de manejo, importantes fontes de renda para centenas de famílias amazônicas.
Dez ações estratégicas para cadeias produtivas
O plano prevê dez ações estratégicas voltadas ao fortalecimento das cadeias produtivas apoiadas pelo PRS-Amazônia. Entre elas estão:
- Mobilização de recursos e contratação de consultoria especializada para estruturar o pedido de Indicação Geográfica (IG) da Castanha de Tefé, com potencial de ampliar o reconhecimento do produto em mercados nacional e internacional.
- Capacitações em operação de drones para monitoramento territorial e apoio ao manejo do pirarucu.
- Mutirões de regularização para agricultores familiares e pescadores artesanais, com foco no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP).
- Cursos de aproveitamento econômico dos ouriços da castanha-do-brasil.
- Participação de empreendedores comunitários em eventos de promoção comercial.
- Seminários sobre agricultura de baixa emissão de carbono.
- Ações de comunicação para valorização dos resultados da parceria.
As metas incluem a realização de cinco cursos básicos de operador de drone, beneficiando cerca de 80 manejadores de pirarucu, além de cinco mutirões de regularização para atender aproximadamente 200 agricultores familiares e pescadores artesanais. O plano também prevê a capacitação de 50 comunitários que atuam na cadeia da castanha-do-brasil e a participação de representantes de organizações socioprodutivas em eventos de promoção das cadeias apoiadas pelo PRS-Amazônia.
Desenvolvimento com floresta em pé
Para o gestor de Políticas Públicas do Sebrae-AM, José Antônio Cardoso Fonseca, a parceria reforça modelos de negócio que conciliam renda e conservação.
“As cadeias da castanha-do-brasil e do pirarucu manejado demonstram que é possível gerar renda e desenvolvimento a partir da floresta em pé. O Sebrae entra nessa parceria para apoiar a estruturação dos negócios comunitários, ampliar oportunidades de mercado e fortalecer o empreendedorismo de base comunitária, valorizando quem produz, conserva e movimenta a economia dos territórios amazônicos”, afirma Fonseca.
Além dos resultados econômicos, a cooperação busca enfrentar desafios recorrentes de organizações comunitárias da sociobiodiversidade, como acesso à assistência técnica, regularização produtiva, qualificação profissional e inovação. A expectativa é fortalecer a governança local, ampliar a competitividade dos empreendimentos e criar condições para que mais famílias permaneçam em seus territórios com geração de renda e qualidade de vida.
Segundo Vinícius Lopes, diretor regional Amazônia do IABS e coordenador da equipe de campo da instituição no estado, valorizar as cadeias produtivas passa, diretamente, por valorizar as pessoas que vivem da floresta.
“Quando falamos em fortalecer a sociobiodiversidade, estamos falando de criar condições para que as comunidades possam permanecer em seus territórios com dignidade. As ações previstas vão desde a regularização de produtores até inovação tecnológica e valorização dos produtos da floresta. É um conjunto de iniciativas que fortalece as organizações locais e gera impacto direto na renda das famílias, na proteção dos recursos naturais e no desenvolvimento sustentável da Amazônia”, afirma Lopes.
Missão em Tefé e Maraã acompanha resultados
Parte das ações será acompanhada em uma missão institucional iniciada nesta segunda-feira (25), com programação até quarta-feira (27), nos municípios de Tefé e Maraã, no Amazonas.
A visita reúne representantes do Governo do Reino Unido, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), do IABS, do Sebrae Amazonas e de outras instituições parceiras. O grupo vai conhecer experiências apoiadas pelo PRS-Amazônia nas cadeias da castanha-do-brasil e do pirarucu manejado.
A programação inclui encontros com famílias beneficiárias, visitas a áreas de manejo sustentável, entrega de benefícios coletivos e intercâmbio de experiências com organizações socioprodutivas locais. A missão busca mostrar, na prática, como investimentos em empreendedorismo comunitário, assistência técnica e inovação vêm transformando realidades e fortalecendo territórios da sociobiodiversidade amazônica.
Entre as iniciativas em destaque estão um viveiro comunitário com capacidade para produzir até 10 mil mudas de castanheira por ano, contribuindo para o enriquecimento florestal e o aumento da produtividade dos castanhais, e uma embarcação destinada ao escoamento da produção de pirarucu manejado, reduzindo custos logísticos e ampliando a renda das famílias envolvidas.
Glossário
- Sociobiodiversidade: Conjunto de recursos naturais, conhecimentos tradicionais e práticas produtivas associados a povos e comunidades que vivem da biodiversidade.
- Indicação Geográfica (IG): Selo de propriedade intelectual que identifica produtos originários de um local específico, cujas qualidades ou reputação se devem à sua origem.
- Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF): Registro oficial que identifica agricultores familiares e permite acesso a políticas públicas e programas de fomento.
- Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP): Cadastro que regulariza pescadores e empreendimentos pesqueiros junto ao governo federal.
- Pirarucu de manejo: Sistema de pesca controlada do pirarucu, baseado em contagem de estoques, cotas e regras de manejo sustentável.

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