- O senador Omar Aziz participou de evento com empreendedores do ecossistema de inovação do Amazonas na sexta-feira (27).
- O encontro reuniu startups de Manaus e do interior, com destaque para iniciativas da tríplice fronteira lideradas pela Ufam.
- O debate sobre ecossistemas de inovação ganha urgência diante do histórico de subexecução orçamentária em ciência e tecnologia no estado.
O senador Omar Aziz promoveu, na manhã desta sexta-feira (27), o evento “Escutar para Cuidar”, que reuniu dezenas de empreendedores dos ecossistemas de inovação de Manaus e do interior do Amazonas. O encontro foi conduzido em formato de roda de conversa, com lideranças, pesquisadores e agentes do setor produtivo discutindo iniciativas inovadoras na região.
Aziz ouviu relatos sobre dificuldades de financiamento, acesso a mercados e integração entre iniciativas locais. “A gente não sabe tudo, a gente vai conhecendo as dificuldades que eles têm, eles vão passando para a gente”, disse o senador. Ele defendeu o papel do Estado como facilitador, e não executor: “São esforços, às vezes individuais, mas que o Estado pode contribuir muito para dar agilidade, para melhorar, para arrumar financiamento, para se pesquisar, para você ter uma atividade-fim melhor.”
Benjamin Constant como referência regional
Um dos momentos mais concretos do debate veio do professor Pedro Mariosa, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), campus de Benjamin Constant, município de cerca de 35 mil habitantes na tríplice fronteira Brasil-Peru-Colômbia. Mariosa coordena um ecossistema que já articula mais de 30 startups no município.
“Nós temos um microcosmo extremamente eficiente e com resultados expressivos em Benjamin Constant. Agora, identificamos que tanto em Iquitos como em Lima temos colegas com resultados ainda maiores, com total abertura para negociações e trocas.”
O professor também destacou o potencial da bioeconomia local. No debate, mencionou dez óleos fixadores derivados de espécies endêmicas da região, como camu-camu, cupuí e macambo. Para Aziz, o próximo passo é claro: “Para a gente ter uma cadeia produtiva e agregar valor, nós temos que ter produção e produzir isso aí.”
Mariosa trouxe um dado que resume o avanço local: “Em três anos, os empreendimentos tecnológicos já se figuram entre os cinco maiores do município.” Para ele, isso demonstra capacidade de transformação endógena: “A gente tem a capacidade de mudar nossa realidade de dentro para fora.”

O contexto de um setor que ainda cobra investimento
O encontro ocorre em um momento em que o debate sobre o financiamento à ciência e à inovação no Amazonas ganhou novos contornos. Como mostrou o TechAmazônia em fevereiro, o estado deixou de executar R$ 670 milhões em ciência e tecnologia entre 2010 e 2025, com uma taxa de execução orçamentária via Fapeam de apenas 61,2%. O percentual do orçamento estadual destinado à pesquisa caiu de 0,88%, em 2011, para 0,49% em 2025.
O governo Omar Aziz (2010-2014) destinou R$ 452,65 milhões à Fapeam, executando 66% desse valor. Essa foi a melhor taxa de execução entre todos os governos analisados entre 2010 e 2025. O fomento efetivo para editais de pesquisa atingiu R$ 274,52 milhões, com média anual de R$ 54,90 milhões.
O período foi marcado pela priorização relativa da ciência. O percentual médio do orçamento estadual destinado à Fapeam alcançou 0,87%, o maior da série histórica. Em 2011, esse índice chegou a 0,92%, recorde que nunca mais foi superado. A taxa de execução também cresceu ao longo do mandato: de 54,7% em 2010 para 79,7% em 2014, o melhor resultado anual de todos os governos analisados.
Glossário
- Ecossistema de inovação: Conjunto de atores, instituições e relações que favorecem o desenvolvimento e a disseminação de inovações em uma região.
- Ufam: Universidade Federal do Amazonas, instituição federal com campi em Manaus e no interior do estado.
- Fapeam: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas, agência estadual responsável pelo fomento à pesquisa científica e tecnológica.
- Bioeconomia: Modelo econômico baseado no uso sustentável de recursos biológicos renováveis para geração de produtos, processos e serviços.