- A caravana científico-cultural Iaraçu parte de Manaus em 28 de outubro rumo à COP30 em Belém, promovendo cooperação Brasil-França.
- A iniciativa reúne universidades, ministérios e centros de pesquisa em atividades científicas, culturais e de formação na Amazônia.
- O projeto fortalece a diplomacia climática e a integração da sociedade amazônica aos debates sobre mudanças climáticas.
A caravana científico-cultural Iaraçu parte de Manaus no dia 28 de outubro rumo a Belém (PA), cidade-sede da COP30, integrando o esforço binacional de cooperação entre a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD). A iniciativa une ciência, cultura e diplomacia em uma jornada fluvial por mais de dez cidades amazônicas, conectando universidades, comunidades ribeirinhas e centros de pesquisa até o dia 18 de novembro.
A expedição, coordenada pelo IRD, pela Embaixada da França no Brasil e pelo Centro Franco-Brasileiro para a Biodiversidade Amazônica (CFBBA), busca ampliar o intercâmbio de saberes entre pesquisadores e populações locais, com foco em resiliência climática e sustentabilidade dos territórios amazônicos.
Roteiro conecta interior e capital paraense
O barco da Caravana Iaraçu sairá da capital amazonense e fará paradas estratégicas em cidades-chave ao longo da rota fluvial. O itinerário inclui Itacoatiara e Parintins (AM), além de Óbidos, Santarém, Almeirim, Porto de Moz, Gurupá e Breves (PA), passando ainda por Macapá (AP) antes de chegar a Belém em 6 de novembro, coincidindo com os eventos principais da Conferência do Clima.
Segundo o professor Naziano Filizola, representante da Ufam no projeto, o itinerário não é apenas logístico, mas pedagógico e simbólico. “Vamos abrir as portas do barco para que as comunidades conheçam nossas ações e compartilhem seus conhecimentos locais”, afirma. As paradas contemplarão campi da Ufam e da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), com atividades públicas que unem ciência, educação e arte.
Cooperação Brasil-França pela Amazônia
O projeto reflete o compromisso conjunto de Brasil e França com o avanço da ciência amazônica e a diplomacia ambiental. No lado brasileiro, apoiam a caravana instituições como o Ministério da Educação (MEC), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPq, a Capes, o Inpa e diversas universidades, entre elas a UFPA e a USP. Já na França, participam centros de ponta como o Cirad e o CNRS.
De acordo com o professor Filizola, cada instituição participante traz uma contribuição específica: formação, pesquisa, soluções tecnológicas ou expressão artística. “Nem todos estarão em todos os trechos, e isso é positivo porque amplia o alcance do projeto como um todo”, explica.
Ações científicas, culturais e de sensibilização
As atividades da Caravana Iaraçu dividem-se em três grandes eixos: ciência itinerante e divulgação científica, diálogo com comunidades e produção de conteúdos culturais e científicos. O objetivo é transformar o barco em um laboratório flutuante e um espaço de convivência intercultural.
- Oficinas e exposições sobre mudanças climáticas e resiliência ambiental;
- Exibição de filmes e animações educativas;
- Debates entre cientistas, jovens e comunidades ribeirinhas;
- Sessões de escuta sobre adaptação climática e justiça ambiental;
- Capacitação em criação de vídeos, reportagens e diários de bordo;
- Construção de um mural interativo com depoimentos e narrativas locais.
Essas ações, segundo a coordenação, foram pensadas para aproximar a população amazônica dos debates globais sobre o clima, traduzindo temas técnicos em experiências vivas e educativas. O projeto também prevê transmissões ao vivo e conteúdos digitais para redes sociais, com foco no público jovem.

Ciência e diplomacia em tempo real
Durante a expedição, os pesquisadores brasileiros e franceses farão coletas de dados, registros sobre a qualidade da água e entrevistas com moradores locais, gerando insumos para relatórios apresentados na COP30. A ideia é relatar como as comunidades amazônicas estão reagindo às mudanças do clima e propor soluções baseadas nos conhecimentos locais e na ciência internacional.
A chegada a Belém será marcada por um grande evento público no Palco Verde, que reunirá instituições parceiras e apresentará os resultados parciais da jornada. A caravana também participará oficialmente dos espaços da COP30, com a embarcação simbólica “Rio Iaraçu” representando a colaboração Brasil-França na diplomacia climática.
Inovação científica e troca de saberes
Além da pesquisa e divulgação científica, a caravana Iaraçu será palco para iniciativas de inovação social voltadas à educação ambiental e à valorização das culturas tradicionais amazônicas. Jovens indígenas e ribeirinhos terão participação ativa nas oficinas e poderão apresentar suas práticas de sustentabilidade local.
De acordo com o IRD, o projeto busca demonstrar que ciência e cultura caminham lado a lado quando o desafio é enfrentar as desigualdades ambientais e propor alternativas de futuro. Ao longo da viagem, serão realizados registros audiovisuais para a produção de um documentário sobre a cooperação científica na Amazônia contemporânea.
O que esperar daqui pra frente
Após o encerramento da COP30, os resultados da expedição Iaraçu deverão gerar publicações científicas, materiais educativos e exposições itinerantes. O IRD e a Ufam planejam manter a cooperação em projetos de longo prazo, ampliando o intercâmbio acadêmico e a troca de tecnologias entre pesquisadores amazônicos e franceses.
Mais do que um evento, a caravana se consolida como exemplo de diplomacia científica e de protagonismo regional. Ao navegar entre comunidades e instituições, Iaraçu torna-se símbolo do diálogo entre saberes e da urgência climática que mobiliza o planeta a partir do coração da Amazônia.
Glossário
- COP30: 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, evento global que discute políticas climáticas.
- IRD: Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento, referência internacional em cooperação científica.
- CFBBA: Centro Franco-Brasileiro para a Biodiversidade Amazônica, instituição voltada a estudos ambientais.
- CNRS: Centro Nacional de Pesquisa Científica da França.
- CNPq: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Brasil.
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