- II Congresso Amazonense de Meliponicultura discute criação sustentável de abelhas sem ferrão de 22 a 25 de julho, na Ufam, em Manaus.
- Programação inclui mais de 50 atividades, com minicursos, oficinas, feira de produtos, visitas a meliponários e submissão de trabalhos em cinco áreas temáticas.
- Evento busca fortalecer a meliponicultura como atividade econômica para 1.500 produtores no Amazonas, aliando ciência, conservação e empreendedorismo.
O II Congresso Amazonense de Meliponicultura (II CAM) vai reunir, de 22 a 25 de julho, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus, pesquisadores, criadores e empreendedores para discutir os rumos da criação técnica e sustentável de abelhas sem ferrão na Amazônia. Organizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e pela Ufam, com apoio da Associação de Criadores de Abelhas do Amazonas (Acam), o evento busca enfrentar desafios técnicos, legais e econômicos da atividade, como a regularização ambiental e a logística para produção e comercialização de mel e outros produtos meliponícolas.
Com o tema “Ciência, Conservação e Empreendedorismo: conexões que geram o futuro”, o congresso também abriga o V Encontro de Criadores de Abelhas do Amazonas e oferece mais de 50 atividades entre palestras, painéis, minicursos, oficinas, experiências gastronômicas e visitas guiadas a meliponários.
Conexão entre pesquisa, conservação e negócios
De acordo com a coordenadora geral do evento, a pesquisadora do Inpa Gislene Zilse, o objetivo central é mostrar como a integração entre ciência, conservação e empreendedorismo pode sustentar o futuro da produção e da conservação de abelhas sem ferrão na região.
“Não queremos apenas estimular novos empreendedores, mas também dar uma base técnico-científica para a execução deste trabalho na Amazônia de maneira sustentável, podendo contribuir com a conservação e exploração responsável do nosso Bioma Amazônico”, afirmou Zilse, líder do Grupo de Pesquisas em Abelhas (GPA/Inpa).
A pesquisadora é referência em biologia, genética, manejo e criação de abelhas nativas sem ferrão, área estratégica para a sociobioeconomia amazônica e para serviços de polinização em cultivos agrícolas.
Atividade em expansão e desafios na Amazônia
A criação de abelhas sem ferrão para produção de mel, pólen, própolis e outros produtos meliponícolas é uma atividade em expansão na Amazônia, com potencial para gerar renda e fortalecer cadeias produtivas sustentáveis. No entanto, ainda enfrenta barreiras como:
- exigências técnicas e legais de manejo e de regularização ambiental;
- dificuldades logísticas típicas da Amazônia, que impactam o escoamento da produção e o acesso ao mercado consumidor;
- necessidade de formação técnica para gestão de negócios e agregação de valor aos produtos.
Segundo Gislene Zilse, a meliponicultura reúne hoje cerca de 1.500 produtores no Amazonas, em sua maioria agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais. Eles utilizam a atividade tanto para a produção de mel, pólen e própolis quanto para serviços de polinização em culturas agrícolas.
Os municípios de Boa Vista do Ramos, Urucará, Maués, Iranduba, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva e Itapiranga concentram a maior parte dos meliponicultores no estado.
Abelhas sem ferrão na região amazônica
Na Amazônia já foram registradas cerca de 120 espécies de abelhas sem ferrão. Entre as mais criadas no Amazonas estão a Uruçu-boca-de-renda (conhecida como Jandaíra) e a Jupará. Os indivíduos dessas espécies são considerados bons produtores de mel e pólen, com média de cerca de 5 kg de mel por colmeia ao ano, além de apresentarem boa capacidade de reprodução.
Essas espécies nativas têm papel relevante na conservação da biodiversidade e na manutenção de serviços ecossistêmicos, especialmente a polinização de plantas nativas e de cultivos agrícolas.
Programação: da pesquisa ao campo
A programação do II CAM inclui atividades voltadas tanto ao público acadêmico quanto a produtores e empreendedores. Estão previstas:
- palestras, painéis e apresentação de trabalhos científicos e técnico-práticos;
- minicursos e oficinas sobre manejo, identificação de espécies e gestão de negócios;
- conversas com meliponicultores e rodas de troca de experiências;
- concursos de mel, fotografia e material didático;
- a II Feira de Produtos e Equipamentos da Meliponicultura;
- momentos gastronômicos com pratos e preparos à base de mel e outros produtos meliponícolas;
- visitas técnicas a meliponários.
As atividades reúnem 48 palestrantes e ministrantes com ampla experiência em criação de abelhas sem ferrão e em pesquisa científica sobre o tema.
Abertura e atividades por dia
A solenidade de abertura está marcada para 22 de julho, às 15h30, na Ufam, seguida de palestra master com a pesquisadora Gislene Zilse. Desde as 8h30 do mesmo dia já ocorrem atividades do V Encontro de Criadores de Abelhas do Amazonas e a exposição e venda de produtos na feira.
No segundo dia (23 de julho), a programação enfatiza atividades práticas, com destaque para minicursos e oficinas como:
- Passo a passo do cadastro do meliponicultor no Amazonas;
- Montagem de pasto para abelhas;
- produção de mel e gestão de negócios;
- técnicas para iniciar a criação e reconhecer espécies de abelhas sem ferrão da Amazônia.
Os inscritos poderão participar de até duas atividades práticas entre minicursos e oficinas.
Inscrições, resumos e participação
As inscrições para o primeiro lote ficam abertas no site oficial do evento até 12 de abril ou até o preenchimento das vagas. O prazo para submissão de resumos científicos e técnico-práticos vai até 29 de abril.
Os trabalhos podem ser submetidos em cinco áreas temáticas:
- Aspectos socioeconômicos associados à prática da meliponicultura;
- Biologia e genética de abelhas sem ferrão;
- Polinização e ecologia aplicada às abelhas sem ferrão;
- Técnicas em meliponicultura;
- Usos e produtos das abelhas sem ferrão.
Também serão abertas, a partir de 8 de abril, inscrições por adesão para visitas técnicas a meliponários e para locação de estandes na feira.
O evento é destinado a meliponicultores, cientistas, estudantes, professores, empresários, agentes públicos, além de profissionais das áreas de gastronomia, turismo e empreendedorismo interessados na cadeia produtiva das abelhas sem ferrão.
Glossário
- Meliponicultura: criação racional de abelhas sem ferrão, geralmente nativas, para produção de mel, pólen, própolis e serviços de polinização.
- Abelhas sem ferrão: grupo de abelhas sociais nativas das regiões tropicais, pertencentes principalmente à tribo Meliponini, que possuem ferrão atrofiado e não o utilizam para defesa.
- Meliponário: local estruturado para a criação de abelhas sem ferrão, com caixas ou colmeias organizadas para manejo técnico.
- Pasto para abelhas: conjunto de plantas floríferas disponíveis em uma área, que fornece néctar e pólen para alimentação das abelhas.
- Polinização: processo de transferência de grãos de pólen entre flores, realizado por vento, água ou animais, como abelhas, essencial para a reprodução de muitas plantas.