- HUGV-Ufam lidera estudo multicêntrico com tecnologia Brain4care em hospitais públicos de Manaus.
- Quatro dispositivos farão monitoramento cerebral não invasivo para apoiar decisões clínicas e priorização de atendimentos.
- Pesquisa até 2027 pode embasar adoção estruturada da tecnologia no SUS e ampliar acesso a diagnóstico neurológico na Amazônia.
O Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), da Rede HU Brasil, iniciou na última sexta-feira, 27 de março, um estudo multicêntrico para avaliar a tecnologia Brain4care, de monitoramento cerebral não invasivo, em hospitais públicos de Manaus. Quatro equipamentos completos foram entregues ao Complexo Hospitalar Sul (CHS) Hospital 28 de Agosto e ao Hospital Dr. João Lúcio Pereira Machado, onde serão usados na rotina assistencial para pacientes neurológicos.
A pesquisa é conduzida pelo Centro de Pesquisa Clínica e Inovação Tecnológica da Amazônia do HUGV, em parceria com a empresa Brain4care, e integra ensino, pesquisa, inovação tecnológica e assistência no Sistema Único de Saúde (SUS). O HUGV lidera o projeto e amplia a colaboração com unidades da rede estadual de saúde.
Por que o estudo com Brain4care é relevante para a região Norte
De acordo com o neurocirurgião e pesquisador do estudo Robson Amorim, a iniciativa representa um avanço para o cuidado de pacientes neurológicos na região Norte.
“A possibilidade de monitoramento contínuo e não invasivo pode transformar a forma como lidamos com pacientes neurológicos e melhorar significativamente os desfechos clínicos”, afirmou.
Os hospitais participantes atuarão como unidades de média e alta complexidade, contribuindo para avaliar a aplicabilidade e a utilidade da tecnologia na rotina de pronto-atendimento e internação. A expectativa é gerar evidências que orientem protocolos clínicos em contextos de maior vulnerabilidade de acesso a exames complexos.
Como será o estudo multicêntrico em Manaus
Coordenado pelo HUGV, o estudo vai analisar a efetividade do uso da Brain4care no cuidado a pacientes neurológicos, com foco em três frentes principais:
- apoio à tomada de decisão clínica em tempo real;
- definição de prioridades de atendimento em situações de urgência;
- impacto na indicação de exames complementares, como tomografia e ressonância.
Durante o período da pesquisa, quatro dispositivos com estações de trabalho completas serão utilizados nos hospitais participantes, com posterior análise dos dados coletados.
“Este estudo busca responder questões fundamentais para a incorporação da tecnologia na prática clínica, como sua viabilidade, a utilidade das informações geradas na definição de prioridades e seu impacto na indicação de exames complementares. Caso os resultados sejam positivos, poderão subsidiar a adoção da tecnologia de forma estruturada no SUS”, destacou Robson Amorim.
O estudo tem previsão de conclusão ao final de 2027 e é coordenado localmente por Daniel Vieira Pinto e Bruna Rodrigues, da Gerência de Ensino e Pesquisa do HUGV. A unidade é um dos primeiros hospitais da região Norte a utilizar a Brain4care em pesquisa clínica, reforçando seu papel em inovação em saúde na Amazônia.

Como funciona o monitoramento cerebral não invasivo
A tecnologia Brain4care permite monitorar, de forma não invasiva, a dinâmica intracraniana, fornecendo informações fisiológicas em tempo real sobre alterações no cérebro. O exame é feito com um sensor externo, posicionado como uma tiara na cabeça do paciente, que registra microvariações no crânio. Os dados são processados em uma estação de trabalho e geram relatórios que auxiliam a equipe médica, especialmente em contextos de urgência.
No método convencional de monitoramento da pressão intracraniana, é necessário um procedimento cirúrgico para inserção de um cateter no crânio. A solução avaliada dispensa esse tipo de intervenção. A análise é rápida, com duração média de 5 a 10 minutos, o que favorece o uso em pronto-socorro e leitos de terapia intensiva.
Entre as situações em que o equipamento pode ser utilizado estão:
- traumatismo craniano;
- acidente vascular cerebral (AVC);
- suspeita de edema cerebral;
- rebaixamento do nível de consciência.
Impacto potencial para o SUS e para a Amazônia
Para o diretor-geral do Complexo Hospitalar Sul, Hernani Vaz Kruger, a iniciativa fortalece o sistema público de saúde ao aproximar assistência, pesquisa e inovação. Segundo ele, essa integração gera benefícios diretos para o SUS e contribui para qualificar o atendimento à população.
Além de apoiar decisões clínicas, a tecnologia pode reduzir a necessidade de exames mais complexos em determinados casos, otimizando recursos hospitalares e ampliando o acesso ao diagnóstico em regiões com menor oferta de tomógrafos e ressonâncias.
De acordo com Rodrigo Andrade, diretor de Inovação e Tecnologia da Brain4care, a solução ajuda a enfrentar desigualdades no acesso ao diagnóstico neurológico. Ele destaca que, mesmo Manaus sendo referência regional, muitos municípios vizinhos ainda têm dificuldade para determinar a gravidade de casos neurológicos. Ao permitir triagem precoce, a tecnologia contribui para identificar quais pacientes precisam ser encaminhados com maior urgência.
A expectativa é que os resultados do estudo orientem a expansão do uso da Brain4care em diferentes níveis de atenção, caso a efetividade e a viabilidade sejam comprovadas.
Glossário
- Monitoramento intracraniano: Acompanhamento de parâmetros fisiológicos relacionados ao cérebro, como a dinâmica e a pressão dentro do crânio.
- Pressão intracraniana: Pressão exercida pelos fluidos e tecidos dentro do crânio. Aumento anormal pode causar dano neurológico.
- Edema cerebral: Inchaço do tecido cerebral, geralmente associado a trauma, AVC, infecções ou outras lesões.
- Estudo multicêntrico: Pesquisa conduzida simultaneamente em mais de uma instituição, o que aumenta a robustez e a generalização dos resultados.
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