- Amazonas abre R$ 1 milhão para desenvolvimento de tecnologias sociais de baixo custo voltadas à redução de desigualdades em comunidades vulneráveis, com inscrições até 14 de maio
- Programa Socio Tech financiará até 10 projetos com foco em inclusão social, educação, segurança alimentar, sustentabilidade e empoderamento de populações tradicionais, ribeirinhas e indígenas
- Edital integra pacote de R$ 33 milhões da Fapeam e oferece até R$ 120 mil por proposta, priorizando soluções participativas e replicáveis com impacto mensurável
O Governo do Amazonas lançou o Programa de Apoio à Pesquisa Inovadora para o Desenvolvimento e Aplicação de Tecnologias Sociais de Baixo Custo (Socio Tech), que disponibiliza R$ 1 milhão para projetos voltados à mitigação de desigualdades e melhoria da qualidade de vida de populações vulneráveis. A iniciativa é conduzida pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e integra o maior pacote de fomento à ciência e tecnologia já anunciado no estado.
As propostas podem ser submetidas até 14 de maio de 2026. O programa prevê financiar até 10 projetos de pesquisadores doutores vinculados a instituições de ensino superior, centros de pesquisa, empresas públicas ou privadas sem fins lucrativos localizadas no Amazonas.
O que são tecnologias sociais
O edital define tecnologia social como o conjunto de técnicas, metodologias, materiais e produtos científicos aplicáveis em territórios amazônicos. Essas soluções devem aliar saber popular e organização social das comunidades, com ênfase em produtos de baixo custo e participação direta das populações locais.
Diferente de tecnologias convencionais, as tecnologias sociais são construídas de forma participativa. Elas consideram a diversidade socioterritorial da Amazônia e buscam resolver problemas concretos de forma sustentável, acessível e replicável em outras regiões.
Eixos temáticos prioritários
O programa estrutura-se em seis eixos temáticos obrigatórios. O primeiro aborda inclusão social, promovendo acesso equitativo a oportunidades de trabalho, geração de renda e fortalecimento da autonomia produtiva de populações vulneráveis.
O segundo eixo foca em educação e formação cidadã. Projetos devem desenvolver processos educativos formais e não formais voltados ao exercício da cidadania, participação social qualificada e formação crítica de indivíduos e coletividades.
Já o terceiro eixo prioriza segurança alimentar e nutricional. As propostas devem assegurar acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, produzidos de forma sustentável e culturalmente apropriada às comunidades amazônicas.
O quarto eixo concentra-se em sustentabilidade ambiental, social, econômica, geográfica e política. Projetos nessa linha devem promover conservação de recursos naturais, mitigação de impactos ambientais e uso sustentável dos ecossistemas.
O quinto eixo destina-se a tecnologias sociais para populações tradicionais, ribeirinhas, indígenas e urbanas vulneráveis. As soluções devem ser socialmente apropriáveis, ambientalmente sustentáveis e construídas de forma participativa para resolver problemas socioeconômicos locais.
O sexto e último eixo investiga territorialidades e espaço político-social. Pesquisas devem reconhecer territórios como espaços de identidade, cultura e organização política, considerando formas de uso, gestão e participação em processos decisórios locais, regionais e nacionais.
Faixas de financiamento
O edital oferece duas faixas de financiamento conforme maturidade e escopo dos projetos. A Faixa A, voltada a projetos piloto e de desenvolvimento inicial, disponibiliza até R$ 80 mil e prevê financiar cinco propostas.
Essa faixa destina-se a projetos em fase inicial, estudos aplicados, metodologias experimentais ou propostas com menor complexidade operacional. Os recursos podem cobrir desenvolvimento, adaptação, validação inicial ou prototipagem de tecnologias sociais.
Já a Faixa B, destinada a projetos de aplicação, expansão ou replicação, oferece até R$ 120 mil e também prevê financiar cinco propostas. Essa faixa é indicada para tecnologias sociais já desenvolvidas ou testadas, com potencial de impacto ampliado e reaplicabilidade.
Ambas as faixas permitem solicitar uma bolsa de Apoio Técnico nível I ou II, com vigência de 24 meses. Os valores das bolsas devem ser deduzidos do orçamento total da proposta. Não há obrigatoriedade de solicitação de bolsas.
Requisitos e elegibilidade
Os proponentes devem ser brasileiros ou estrangeiros com visto permanente, residentes no Amazonas. É obrigatório ter título de doutor e vínculo formal com instituição de ensino, pesquisa, empresa ou órgão público sem fins lucrativos no estado.
O cadastro no Banco de Pesquisadores da Fapeam e no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq deve estar atualizado em 2026. Os candidatos também precisam estar adimplentes com a Fapeam e demais órgãos públicos.
As propostas devem apresentar Plano de Impacto Social, Econômico, Ambiental, Tecnológico e Territorial. É necessário especificar público-alvo beneficiado, indicadores de avaliação, impactos esperados e potencial de desenvolvimento e aplicação de tecnologias sociais.
A documentação exigida inclui formulário de proposta complementar, carta de anuência da instituição, diploma de doutorado, currículo Lattes atualizado e cadastro no CNPq. Mulheres que se tornaram mães nos últimos cinco anos têm direito a período adicional na análise de produtividade.
Itens financiáveis
Os recursos podem ser aplicados em capital, custeio e bolsas. Despesas financiáveis incluem material permanente, material de consumo, passagens, diárias, serviços de terceiros e publicação de artigos científicos.
Não são permitidos gastos com contratação de pessoal administrativo, contas de luz e água, obras civis, ornamentação, eventos ou taxas bancárias. A compra de veículos convencionais também é vedada, exceto em casos específicos aprovados pela Fapeam.
Processo seletivo
A análise das propostas será realizada em três etapas. Primeiro, a equipe técnica da Fapeam verifica o enquadramento documental e institucional dos projetos submetidos.
Em seguida, consultores ad hoc ou Comitê de Especialistas avaliam o mérito técnico-científico. A pontuação máxima é de 90 pontos, considerando mérito científico, relevância, adequação metodológica, viabilidade, potencial de impacto e qualificação da equipe.
Por fim, o Conselho Diretor da Fapeam aprova e homologa os projetos recomendados. O resultado preliminar do enquadramento será divulgado a partir de junho, e o resultado final em agosto de 2026.
Contexto regional
O Socio Tech integra o maior pacote de fomento à ciência e tecnologia já anunciado pela Fapeam. Os 13 editais lançados simultaneamente somam R$ 33 milhões, com expectativa de atingir R$ 81 milhões até o final do primeiro semestre.
Segundo o governador Wilson Lima, o investimento consolida a marca de R$ 1 bilhão aplicados em CT&I no Amazonas desde 2019. “Nunca se investiu tanto em ciência, pesquisa e inovação no Amazonas”, afirmou durante o lançamento dos editais.
Outros programas inéditos incluem o Painter Ecoturismo, com R$ 1,5 milhão para inovação tecnológica no turismo sustentável, o Provida-AM, que investe R$ 1,5 milhão em pesquisas de saúde, e o Articula Bio CT&I, com R$ 8 milhões para bioeconomia.
Por que isso importa
A iniciativa representa um avanço estratégico na promoção da equidade social na Amazônia. Ao priorizar soluções participativas, acessíveis e replicáveis, o programa fortalece a autonomia de comunidades tradicionais e promove desenvolvimento sustentável com protagonismo local.
O fomento a tecnologias sociais de baixo custo amplia o acesso a direitos básicos em áreas isoladas, reduz vulnerabilidades e gera evidências para políticas públicas efetivas. A articulação entre universidades, órgãos públicos, sociedade civil e lideranças comunitárias posiciona o Amazonas como referência nacional em inovação social e inclusão territorial.
Os projetos aprovados terão 24 meses de execução e deverão apresentar relatórios técnicos parciais e finais. Toda publicação científica ou divulgação resultante deve citar obrigatoriamente o apoio da Fapeam, sob pena de devolução dos recursos concedidos.
Edital
Glossário
- Tecnologia social: Conjunto de técnicas, metodologias e materiais desenvolvidos de forma participativa para resolver problemas sociais, aliando saber popular e científico com baixo custo e alta replicabilidade.
- Maturidade tecnológica: Grau de desenvolvimento e validação de uma tecnologia, indicando se está em fase de teste, aplicação piloto ou pronta para expansão e replicação em larga escala.
- Impacto socioterritorial: Transformações geradas por uma intervenção nos aspectos sociais, econômicos, culturais e ambientais de um território específico, considerando suas particularidades e dinâmicas locais.
- Populações vulneráveis: Grupos em situação de exclusão social, econômica ou política, com acesso limitado a direitos básicos como saúde, educação, moradia e segurança alimentar.